Graça Milanez

Zootecnista investe em vacas de leite para produzir queijos artesanais

Produzir queijos artesanais. Este foi o plano traçado pela zootecnista Elaine Manzini, 49 anos, ao voltar da Nova Zelândia, onde trabalhou por dez anos em fazendas de gado leiteiro; o país do Oceano Pacífico é o maior exportador de laticínios do mundo.

Com uma experiência valiosa no currículo, Elaine decidiu empreender: investiu em vacas leiteiras [conta com 15 da raça Jersey, seis em fase de lactação] e montou a queijaria, a Belo Canto, tudo em seu sítio de três alqueires, em Cruzeiro do Oeste.

A produção diária de leite passa de 60 litros. A ordenha é feita por ela mesma. Começa às 5h30; às 7h30 o leite já está na queijaria para a fabricação dos queijos, etapa que também encara sozinha. “Faço tudo com muita calma, muito cuidado, seguindo minhas receitas”, afirma.

Elaine Manzini, em sua queijaria: paixão pelo campo impulsiona o negócio familiar

Ela conta que fez vários cursos para se tornar queijeira e que está feliz com o retorno. “Quando vejo o queijo pronto, sinto que estou entregando algo especial, com o sabor da nossa terra e o melhor é que as pessoas elogiam e voltam a comprar”.

Segundo ela, vender o leite não compensa. “Transformar o leite em queijo foi a forma que encontrei de valorizar meu trabalho e mostrar que o que produzimos aqui tem muito mais potencial do que se imagina”, explica a empresária, que recebeu OBemdito numa tarde dessas.

Queijo artesanal meia cura da Belo Canto, feito com leite fresco

Queijos artesanais têm cliente fidelizado

Elaine faz três tipos de queijo [meia cura, frescal e brie], além de doce de leite e pão de queijo. Toda a produção é comercializada de forma direta ao consumidor, estratégia que fortalece a relação de confiança com os clientes.

Ela diz que sempre soube que queria trabalhar nesse segmento de queijos artesanais. “Logo após deixar a universidade, viajei para os Estados Unidos, onde atuei como trainee em uma fazenda durante um ano, vivência que ampliou minha visão sobre manejo e produtividade”.

Depois é que veio a chance de ir para Nova Zelândia, para outra experiência de estágio. “Concluí o trainee e fiquei por lá… Foi um tempo aprendendo com quem realmente entende do assunto”, exclama.

Tradição e sofisticação: queijo brie da Belo Canto

Leia também: ‘Rancho do Queijo’ de Pérola conquista selo e entra para a ‘Rota do Queijo’ do Governo do Estado.

Café Rural: um dia diferente ao ar livre

Se agregar valor é o objetivo, Elaine vai além. Aos sábados, o sítio abre as porteiras para receber visitantes no Café Rural. Ela criou o projeto para aumentar ainda mais a renda da propriedade.

Com visitantes de várias cidades, com agendamento [grupos de 8 a 30 integrantes], o evento acontece entre o verde das paisagens e os aromas e sabores da roça. “É uma forma de as pessoas verem de perto nossa dedicação e aproveitarem um dia diferente ao ar livre”, destaca Elaine.

Sítio Quinta da Embaúba: Aqui, queijos artesanais, turismo rural e preservação ambiental caminham juntos

O espaço do café, uma varanda bonita e acolhedora, tem seu charme à parte: redes armadas sob a sombra das árvores, cadeiras espreguiçadeiras para relaxar e móveis cheios de história, como a mesa de madeira feita pelo avô da anfitriã.

O cardápio se alinha à proposta do projeto: pães, bolos, geleias e, claro, os queijos artesanais e o pão de queijo da Elaine, entre outras delícias. A varanda fica bem próxima da mata ciliar que envolve a propriedade, um cenário preservado encantador.

Varanda do projeto ‘Café Rural’: aconchegante e cheia de histórias

Leia também: Queijo de Marechal Cândido Rondon é bicampeão do Prêmio Queijos do Paraná.

Visita dos macaquinhos e o canto das cigarras

Quem participa do Café Rural da Elaine tem, digamos, um bônus no final. Por volta das 16h uma família de macacos-prego aparece para brincar nas árvores da mata ciliar, arrancando sorrisos dos visitantes.

O canto das cigarras se mistura ao som da natureza e ajuda a fechar a tarde com a atmosfera bucólica que faz do sítio um verdadeiro paraíso. “Aqui, a experiência sensorial é completa”, garante Elaine, com olhar firme e cheio de esperança, daqueles que miram longe.

Surpresa: macaco-prego integrante da família que vira atração à parte no Café Rural

“Meu projeto está só começando”, avisa. “Sigo produzindo alimentos de qualidade, prezando pelo bem-estar animal e pela conexão com quem consome os produtos artesanais da queijaria Belo Canto, mas também quero incrementar e inserir meu negócio na rota do turismo regional. O processo burocrático já está em andamento”, comemora.

== Para agendar – whatsapp 44 9 9951-8778 / Saiba mais em www.instagram.com/queijaria_belocanto/

Memória afetiva: Elaine Manzini e a mesa feita pelo avô
‘Negócio delícia’: Café Rural tem sabores do campo
Graça Milanez

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