Foto: CNJ
O Centro de Internamento e Reeducação da Papuda opera em situação crítica e expõe falhas graves no sistema prisional do Distrito Federal. A unidade, que pode receber Jair Bolsonaro após a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão, mantém apenas dois servidores da Saúde para atender 3.296 detentos. O cenário preocupa a Defensoria Pública do Distrito Federal, que divulgou relatório com dados alarmantes.
O documento reforça que a ala não comporta pessoas com 60 anos ou mais, o que inclui o ex-presidente Bolsonaro, que tem 70 anos. Além disso, as equipes identificaram problemas sérios de infraestrutura, alimentação insuficiente, falta de itens básicos de higiene e ventilação precária. Esses fatores, somados à superlotação, aumentam o risco para presos idosos e doentes.
A Defensoria visitou a unidade em 6 de novembro e constatou a escassez de profissionais da Saúde. Durante a inspeção, os defensores observaram que os detentos esperam longos períodos para atendimento médico. Detentos com comorbidades relataram demora nos serviços e ausência de especialistas, como proctologistas.
O relatório descreve ainda a situação da ala A do bloco 5, destinada a presos idosos. O espaço abriga 38 pessoas por cela, embora disponha de apenas 21 camas. Como consequência, presos dormem no chão ou em redes improvisadas. Houve, inclusive, relato de um idoso que fraturou a perna após cair de uma dessas redes.
A Defensoria argumenta que o número reduzido de servidores torna impossível oferecer atendimento adequado. Por isso, recomenda a criação de um limite máximo de presos, a realização de mutirões de saúde e o reforço imediato das equipes médicas e multiprofissionais. A instituição sugere prioridade para detentos com doenças crônicas, deficiência ou idade avançada.
Outra alternativa para abrigar Bolsonaro é o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. O local recebeu uma emenda de 500 mil reais neste ano para melhorar alojamentos usados por policiais em serviço. A unidade, embora menos sobrecarregada, também gera debates sobre segurança e condições de custódia.
Com isso, o relatório amplia a pressão sobre o governo do DF e reforça a urgência de investimentos no sistema prisional. A situação da Papuda, portanto, evidencia a distância entre a capacidade real da estrutura e a demanda crescente por atendimento digno e humanizado.
(Com informações do Metrópoles)
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