Paraná

Entre escombros e esperança, as histórias de quem sobreviveu ao tornado no PR; com vídeo

A aposentada Anatália Lunardi se abaixou debaixo da mesa de madeira da cozinha quando ouviu o estrondo. “Foi muito terror. Os vidros estilhaçando, a gente apavorado. Foi feio. Entrei debaixo da minha mesa e me protegi”, relembra.

O vento arrancou o telhado, derrubou móveis e deixou tudo em ruínas. “Tem muitas pessoas que ficaram sem nada, as casas levantaram tudo. Levaram com tudo. A gente só pode agradecer a Deus por estar vivo”, diz, com voz embargada.

Na última sexta-feira (7), Rio Bonito do Iguaçu, no centro-oeste do Paraná, viveu o pior dia de sua história. Um tornado de categoria F3 na escala Fujita, com ventos entre 300 e 330 km/h, devastou cerca de 90% da área urbana do município.

O Simepar confirmou o fenômeno e classificou-o como um dos mais intensos já registrados no Estado. Seis pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Exército e voluntários permanecem na cidade para auxiliar no resgate e na limpeza. O governo estadual decretou estado de calamidade pública e enviou donativos, kits de emergência e reforço médico à região.

O construtor civil José Alberto Godoy conta que recebeu o alerta da Defesa Civil enquanto estava em Quedas do Iguaçu. “Por volta das cinco da tarde, começou o aviso. Quando cheguei aqui, o desastre já estava desse jeito, tudo estilhaçado. Ela (a tia) apavorada, passando mal, só se protegeu como pôde, debaixo da mesa.”

Ele tenta manter a fé em meio ao cenário de destruição. “Material se recupera. Mas a vida é o mais importante. Graças a Deus estamos vivos, mas algumas pessoas perderam a vida, e isso pesa muito. Agora é reconstruir tudo, voltar à vida normal.”

O empresário Romualdo Vovani, que vive em Laranjeiras do Sul, chegou poucos minutos após o tornado passar. “Cheguei e encontrei o pai e a mãe aqui do lado, com alguns ferimentos, mas vivos. Isso é o que importa. O que a gente vive nesse momento é indescritível. A cidade acabou.”

Ele ajuda os pais e vizinhos na limpeza dos escombros. “Tem muito lixo, móveis estragados. A prefeitura está trabalhando rápido, e muita gente ajuda. A solidariedade é o que tem nos sustentado. Agora é reconstruir. Com ajuda, a cidade vai renascer.”

O estudante Eduardo Henrique Zanotto lembra que tentou manter a calma. “Pensei: não adianta entrar em pânico. A gente foi ajudar quem podia, vizinhos, senhorinhas. Depois, veio o trabalho de limpar e tentar salvar o que sobrou. Das minhas coisas, praticamente nada restou.”

A família dele perdeu a casa de madeira. “O problema é onde morar. Estamos fazendo uma vaquinha para reconstruir. O importante é que estamos vivos. Muita gente que nem conhecíamos veio ajudar, amigos e até pessoas de fora. Isso dá esperança.”

A manicure Karla Kerkhoff e o marido sobreviveram ao se esconder debaixo da mesa de mármore da sala. “Meu marido gritou: ‘Se joga embaixo da mesa!’. Foi questão de segundos. Entramos e caiu tudo. O barulho era horrível, eu gritava pedindo socorro e não escutava a minha própria voz”, conta.

O casal perdeu a casa e todos os móveis. “Deu perda total. A gente tá em choque ainda. Parece um pesadelo. Não sabemos o que vamos fazer, meu marido era empregado, acabou tudo. Agradecemos pela ajuda que o governo prometeu, porque sozinhos não temos condições de recomeçar.”

Mesmo com o medo e as perdas, o sentimento comum entre os moradores é de gratidão e resistência. “A vida continua, né? Vamos nos ajudando. É aqui que é o nosso lugar”, resume Anatália, enquanto observa os escombros que antes eram sua casa.

(Reportagem do OBemdito em parceria com a Agência Estadual de Notícias)
(Sonoras de Arnaldo Neto | Secom PR)

Rudson de Souza

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