Umuarama

Boiadeira aguarda federalização de terras para pavimentação de trecho em Umuarama

A pavimentação de 37,1 km da Estrada Boiadeira (BR-487), entre o distrito de Serra dos Dourados, em Umuarama, e a rodovia PR-323, em Cruzeiro do Oeste, segue parada por entraves burocráticos. O principal impasse é a federalização de trechos estaduais, requisito legal para que o governo federal assuma a execução. O despacho depende da assinatura do governador Ratinho Junior (PSD) e está sob análise no Executivo paranaense.

A liberação das licença ambiental, que segue em fase de análise acelerada no Instituto Água e Terra (IAT), também é outro requisito para que o canteiro de obras seja iniciado e liberado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O orçamento de R$ 300 milhões está assegurado pela União, mas só poderá ser aplicado após a formalização da transferência das terras para a esfera federal e da licença ambiental.

Articulação política

Segundo o deputado federal Zeca Dirceu (PT), responsável pela articulação política entre o DNIT e o governo estadual, o objetivo é dar celeridade ao processo. Ele destacou ainda o empenho do chefe regional do IAT em Umuarama, Luis Carlos Cardoso, na liberação ambiental. “Estamos também trabalhando para que a federalização seja concluída e o início da obra aconteça o quanto antes”, afirmou.

Otimismo em Brasília

Zeca avalia que os maiores obstáculos com relação à Estrada Boiadeira já foram superados e que restam apenas ajustes burocráticos. “O mais difícil já aconteceu. A obra foi licitada pelo DNIT, há uma empresa contratada e o presidente Lula fez questão de assinar pessoalmente a ordem de serviço quando esteve no Paraná. O recurso também está garantido”, disse.

O parlamentar ressaltou que tem mantido acompanhamento frequente junto às autoridades. “Meu compromisso é estar todos os meses em Curitiba, no DNIT, ou em Brasília, com o ministro dos Transportes, Renan Filho, e com o diretor-geral do DNIT. Essa é uma prioridade”, afirmou.

De acordo com Zeca, a empreiteira contratada já iniciou mobilização e tem pressionado para iniciar os trabalhos. “Vencidas as questões da licença ambiental e da federalização, não haverá mais impedimentos para que a empresa comece rapidamente. Ela já demonstrou interesse em dar início às frentes de trabalho o quanto antes”, disse.

Impacto econômico da Boiadeira

O deputado destacou ainda a relevância estratégica da obra. “A Estrada Boiadeira vai gerar empregos, impulsionar o desenvolvimento do Noroeste e facilitar o deslocamento de cargas e pessoas. É uma ligação fundamental para o Brasil, o Centro-Oeste, o Mercosul, o Paraguai e a Bolívia. Chegar até o porto de Paranaguá vai significar redução de custos e de tempo de transporte.”

A obra prevê pista de 7,2 metros de rolamento, acostamentos laterais, terceiras faixas em 12 pontos, cinco viadutos e duas pontes – sobre os rios Piava (em Umuarama) e Curimbatá (em Maria Helena). O projeto integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deve beneficiar diretamente o trânsito urbano de Umuarama, hoje sobrecarregado pelo tráfego de caminhões.

A Boiadeira também é considerada estratégica para o Corredor Bioceânico, rota que ligará os portos brasileiros de Paranaguá (PR) e Santos (SP) ao norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é que, quando concluída, a rodovia reduza em até duas semanas o tempo de exportação do Centro-Oeste brasileiro para mercados da Ásia, como China, Japão e Coreia do Sul.

Promessa antiga

A estrada é uma demanda histórica da região. “A Boiadeira foi prometida durante 50 anos e nunca cumprida. Quem tirou do papel e concluiu o trecho de Cruzeiro do Oeste a Campo Mourão fomos nós, em nossos governos. Mais recentemente, a Itaipu, no governo do presidente Lula, assumiu parte importante das obras entre Porto Camargo e Serra dos Dourados”, concluiu Zeca.

Rudson de Souza

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