Arlindo Cruz em apresentação em 2015; sambista morreu após complicações de saúde decorrentes de AVC sofrido há oito anos (Foto Reprodução/Redes Sociais)
O samba brasileiro perdeu um de seus maiores nomes nesta sexta-feira (8). Morreu no Rio de Janeiro, aos 66 anos, o cantor, compositor e instrumentista Arlindo Cruz. Vítima de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2017, o artista estava internado desde 25 de março.
Nascido em 14 de setembro de 1958 no bairro de Água Santa, zona norte do Rio, Cruz começou no cavaquinho aos seis anos e tornou-se um dos arquitetos do chamado “samba moderno” ao integrar o Fundo de Quintal por mais de uma década. Deixou o grupo em 1993 para carreira solo, quando lançou o disco “Arlindinho”.
Premiado no 26º Prêmio da Música Brasileira (2015) como Melhor Músico de Samba, Cruz foi peça-chave na renovação do gênero nos anos 1980. Sua discografia inclui clássicos como o álbum “MTV ao Vivo” (2009) e “Batuques do Meu Lugar” (2012).
O AVC de 2017 mudou radicalmente a vida do artista, que passou um ano e três meses internado na primeira hospitalização. Desde então, enfrentou mais de 30 pneumonias, foi submetido a 65 cirurgias e dependia de traqueostomia e alimentação por sonda.
Arlindo Cruz deixa a esposa, Babi Cruz, e três filhos: Arlindinho e Flora, do casamento com a empresária, e Kauan, fruto de relacionamento extraconjugal. O velório será realizado neste sábado (9) no Teatro João Caetano, no centro do Rio, com sepultamento no Cemitério do Caju.
Nascido em 14 de setembro de 1958, em Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Arlindo Domingos da Cruz Filho cresceu embalado pelo batuque das rodas de samba. Aos 7 anos de idade, ganhou seu primeiro cavaquinho. Ainda muito jovem, começou a trabalhar como músico, ao lado de grandes artistas, como Candeia.
Mais tarde foi para a Escola Preparatória de Cadetes do Ar, mas sem jamais abandonar a música. Em participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, ele contou da herança musical que recebeu dentro de casa, por influência do seu pai Arlindão Cruz, que tocava cavaquinho, e a mãe Aracy, que tocava bateria e cantava.
Quando deixou a Aeronáutica, Arlindo Cruz passou a frequentar as rodas de samba do Cacique de Ramos, ao lado de Jorge Aragão, Beth Carvalho, Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Sombrinha, que viria a ser seu grande parceiro. Ali, recebeu o convite para participar do grupo Fundo de Quintal.
Foi nesse tempo que o samba ganhou nova forma, com uma sonoridade moderna, mas sem perder a essência dos quintais e terreiros.
Suas composições logo passaram a figurar nas vozes de Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione e tantos outros. Foram, então, 12 anos de trabalho, deixando o grupo em 1993, para se lançar em carreira solo.
Autor de mais de 700 músicas, Arlindo Cruz escrevia com o coração e a alma. Suas letras entoavam o amor, a fé e a luta, traduzindo o cotidiano de milhares de brasileiros. Entre os maiores sucessos estão O Show Tem que Continuar, Meu Lugar e Bagaço de Laranja.
Arlindo também era uma voz marcante no carnaval do Rio de Janeiro e figura querida nas quadras de escolas de samba, como o Império Serrano.
Defensor fervoroso da cultura popular, foi torcedor apaixonado do Flamengo. Fiel à sua religião, o candomblé, e aos Orixás, lutava contra a intolerância.
OBemdito com informações da Itatiaia
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