Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na noite desta segunda-feira (14), um pedido de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus apontados como integrantes do núcleo central da trama golpista. A manifestação, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, foi protocolada às 23h45 e faz parte da fase de alegações finais — a última etapa antes do julgamento, previsto para ocorrer em setembro.
O documento, com 517 páginas, foi enviado pelo Ministério Público Federal ao ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações sobre a tentativa de golpe. Nele, a PGR sustenta que Bolsonaro e os demais envolvidos cometeram os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência, grave ameaça e, além disso, deterioração de patrimônio público tombado.
Como resultado, se Bolsonaro e seus aliados forem condenados, as penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Além de Bolsonaro, a PGR quer a condenação de:
Entretanto, no caso de Mauro Cid, a PGR propõe que a eventual pena seja suspensa em razão do acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal durante as investigações.
No parecer, o procurador-geral Paulo Gonet aponta Jair Bolsonaro como líder da organização criminosa que planejou e tentou executar um golpe de Estado em 2022, após o resultado das eleições presidenciais. De acordo com Gonet, o ex-presidente foi o “principal articulador e maior beneficiário” do plano.
“Com o apoio de membros do alto escalão do governo e de setores estratégicos das Forças Armadas, mobilizou sistematicamente agentes, recursos e competências estatais, à revelia do interesse público, para propagar narrativas inverídicas, provocar a instabilidade social e defender medidas autoritárias”, escreveu o procurador.
De acordo com a PGR, Bolsonaro usou a máquina pública de forma sistemática para atacar instituições e desacreditar o processo eleitoral. O texto descreve que o ex-presidente agiu de forma articulada com outros membros do governo e forças militares. O que acabou promovendo um ambiente de instabilidade institucional e social.
Ainda conforme o documento, houve um uso persistente do aparato estatal em favor de interesses pessoais e políticos do então presidente. O objetivo era desacreditar a legitimidade das eleições e fomentar medidas autoritárias.
Com o envio das alegações finais por parte da PGR, abre-se o prazo de 15 dias para que a defesa de Mauro Cid, por ser delator, apresente seus argumentos finais ao STF. Em seguida, os demais réus também terão o mesmo prazo para protocolar suas alegações finais.
Por fim, após o término dessa fase processual, caberá à Primeira Turma do STF definir a data do julgamento.
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(OBemdito com informações Agência Brasil)
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