Umuarama

Umuarama deixa de ser patinho feio para se tornar a bola da vez no Paraná

Por décadas Umuarama foi reconhecida por sua hospitalidade, mas também amargou um desonroso tratamento de patinho feio por autoridades políticas do alto claro, com tinta na caneta. Grandes empresas viram que não era bem assim e enxergaram, além da parede, o alto potencial de consumo da cidade, polo de uma região com mais de 350 mil pessoas.

Umuarama figura há vários anos entre as 100 melhores cidades do Brasil para investir, conforme ranking publicado pela revista Exame. A qualidade de vida na Capital da Amizade também é destaque em pesquisas nacionais. 

Curiosamente, é no pior momento da crise mundial imposta pela pandemia que o “lugar alto e ensolarado” deve dar sua maior guinada, concretizando-se como a bola da vez no Paraná.

Vamos aos números, até para que os negativistas que povoam passem um pouco de vergonha –embora a mediocridade dessas pessoas não importa muito nesta altura do campeonato.

Depois de enfrentar a perda de empresas de médio porte, que fizeram cair as vagas de emprego e a arrecadação de impostos, Umuarama desfila entre as cidades do Estado que começam e terminam a semana com oferta média de 200 vagas de emprego. Quem não está conseguindo a colocação, possivelmente não apresenta a qualificação desejada pelos contratantes, e deve repensar seu nível de conhecimento.

Já nas próximas semanas, a expectativa é que a Levo Alimentos dobre o número de empregados, com a abertura de pelo menos 800 novos postos. Outras 1.500 vagas de serviço direto também devem ser geradas com a inauguração do Shopping Palladium Umuarama, no dia 4 de junho próximo. O investimento é 100% da iniciativa privada e tem à frente o respeitado Grupo Tacla.

Operações de grandes players como Riachuelo, Renner, Kalunga e Centauro, entre várias outras, estão confirmadas. Marcas que poucos acreditavam que viriam para Umuarama já estão desembarcando de mala e cuia, a exemplo de McDonald’s, Burger King e Giraffas.

De olho na irreversível tendência de prosperidade, a UniAlfa dá os toques finais em sua nova sede, o que deve culminar em breve com vários novos cursos superiores, antenados com a nova realidade do mercado local e regional.

Pozzobom demonstra otimismo

Os olhos do prefeito Celso Pozzobom brilham ao falar das oportunidades que o município vêm abrindo e, apesar do coronavírus, prevê um ano positivo, com o poder de influenciar novas gerações. “Eu estou muito otimista. Está aí para todos verem. Umuarama será um dos primeiros municípios do Paraná e do Brasil a sair dessa crise. Pode anotar aí”, disse.

Orlando Luiz Santos, presidente da Aciu (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Umuarama), corrobora as palavras de Pozzobom. “Muitas empresas fecharam as portas nesse momento de pandemia, mas muitas também voltarão. É impressionante a resiliência da nossa cidade e isso nos orgulha muito”.

Pozzobom destaca que vem preparando a cidade para novos tempos. Umuarama se converteu em um canteiro de obras, tanto privadas quanto públicas. Uma delas foi lançada esta semana pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, a duplicação do trecho urbano da rodovia PR-323 entre o Posto Gauchão e o trevo de Mariluz

Fernando Scanavaca e Moacir Silva

O projeto deve ser concluído até abril do próximo ano e, acredite, a palavra dos políticos, neste caso, tem tudo para ser cumprida, no máximo com o atraso de alguns meses. Basta lembrar que 2022 é ano de eleição. A estratégia de Ratinho também amaina a pressão da sociedade civil organizada pela duplicação completa da polêmica rodovia.

Até para se fazer justiça, o momento positivo vivido por Umuarama foi projetado há alguns anos e tem outros atores fundamentais, como os ex-prefeitos Fernando Scanavaca e Moacir Silva. Scanavaca soube pensar o município também como deputado estadual. 

A duplicação do trecho da 323 tem as digitais de Scanavaca, mesmo quando não se falava do projeto completo na via. Na solenidade da última sexta-feira, a assessoria de Ratinho fez questão da presença de Scanavaca no palco de autoridades e ele foi o primeiro a falar. Lembrou da luta que iniciou e que agora teve o pontapé inicial.

E deixou claro aos deputados que o olhavam torto. “Não se preocupem comigo, porque eu não sou candidato em 2022”.

Antes de terminar o segundo mandato, Moacir Silva, que voltou com força à construção civil, deixou publicado com todas as cores um projeto chamado Umuarama 2030. Trata-se de um rico material em que a cidade é pensada doravante. 

Em breve voltaremos ao assunto. Umuarama merece.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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