As imagens exclusivas são de autoria da fotógrafa e publicitária Thaís Polesi, que documentou essas cenas históricas percorrendo o centro de Umuarama em plena pandemia da Covid
Vou reviver as tristes lembranças de um passado recente em Umuarama, quando o mundo viveu um dos surpreendentes momentos mais tristes da História Universal! Era o dia 27 de março de 2020, exatamente cinco anos atrás!
Umuarama e o planeta estavam mergulhados na terrível pandemia da Coronavírus, a Covid, que ameaçava a vida de todos que ousassem sair às ruas para trabalhar, estudar e exercer as suas atividades tradicionais.
Eu tomei coragem como repórter e resolvi documentar o cenário em que a Capital da Amizade se encontrava. E, agora, meia década depois vale recordar o que eu vi e senti naquela oportunidade.
Devidamente mascarado e armado com litros de álcool gel, criei coragem e ousei sair do meu fortemente protegido lar para rodar pela cidade de Umuarama. Munido de um super mapa da área central ampliado na tela de um super tablete, mirei o local que investigaríamos para registrar para a posteridade uma fase de cinematográfico terror, antes jamais vivida aqui na Capital da Amizade.
Estávamos em pleno isolamento nos protegendo do poderoso e terrível Coronavírus, que jamais imaginaríamos que atravessasse o planeta, vindo da China e invadindo a nossa amada Umuarama. Quem imaginaria, tempos atrás, que atravessaríamos uma pandemia maluca como essa que naquele momento estávamos vivendo???
Assim que chegamos ao início da Avenida Paraná, demos o ponto de partida desta aventura no Camelódromo – que mais parecia um barracão esquecido no tempo, completamente abandonado… Quem iria se acotovelar naqueles corredores apertados, escuros e abafados para comprar artigos vindos justamente da China??? Eu, hein!!!
Seguindo, em lenta velocidade, olhando para a direita e para a esquerda, o quadro era o mesmo: lojas e tudo o mais que existia para vender e faturar, estavam com as portas fechadas. Alguns, nem sei porquê, exibiam plaquinhas: “Voltaremos a atender na semana que vem…”. Mas só voltaram quando foi liberado o movimento comercial, sim.
O cenário era ainda mais vazio do que nos domingos de verão ou feriadões, quando a avenidona fica sem uma alma sequer a vagar a pé ou motorizada. Imagens desoladoras, cidade sem vida, silêncio absoluto.
Seguimos lentamente até chegar à Praça Santos Dumont, grandiosa, monumental e completamente reformada. Mas vazia… Não se ouvia um som de qualquer espécie… Os eventos que tradicionalmente reúnem a galera em torno da arte dançante foram adiados sem data para voltar.
Sumiram as músicas em alto volume que faziam o centrão tremer nos fins de semana. A alegria também estava de castigo… Claro, seria extremamente perigoso uma multidão de jovens dançando ao ar livre e sendo contaminados pelo vírus mortal!
Seguimos em frente pela avenidona. O cenário estava radicalmente diferente do que estávamos acostumados a ver…
Sem carros passando, sem gente encrencando por não encontrar vagas para estacionar, sem batidas nem acidentes que antes aconteciam a todo momento no trânsito pulsante do cotidiano dessa cidade onde poucos respeitam as leis de ir e vir motorizado… E não vi ninguém reclamar das multas que levaram porque não estavam estacionados lá…
As calçadas, em alguns quarteirões estavam bem limpas, em outros sujas e encardidas porque os comerciantes nunca as lavaram… Os pedestres haviam sumido. Assim como também sumiram as placas de propaganda e os montões de produtos que os lojistas mal acostumados empilham nas calçadas gerando protestos dos pedestres donos absolutos das calçadas.
Também haviam desaparecido os camelôs vendendo CDs e outras quinquilharias que são baratas, mas só duram alguns dias porque são piratas!!! E os vendedores de frutas, de caldo de cana-de-açúcar, de melancias e laranjas??? Também sumiram, porque a freguesia também sumiu!!!
E os propagandistas de lojas que antes ficavam a gritar convites para a distinta freguesia entrar e comprar porque “aqui tudo é bom e baratinho!”? Também tomaram chá de sumiço… e a avenidona vivia um silencio inédito!
Circundamos a Praça Arthur Thomas. Nada de anormal, continuava como sempre… Vazia, nem mesmo depois de reformada e embelezada, ganhou movimento. A não ser quando ‘inventam’ algum evento para animar o local.
A única diferença é que dava para ouvir o canto dos passarinhos que ocupam as árvores verdes e frondosas. Sem trânsito barulhento ao seu redor, a passarada formava um coral, desconhecendo o pânico que os humanos estavam vivendo naquele momento de pavor! Ela parece estar numa bolha de vidro, completamente isolada e desoladora…
Logo à frente, um supermercado. Movimento por todos os lados, mas em filas organizadas, onde todos respeitando a vez para ser atendidos. As equipes de funcionários bem preparada atendendo bem e todos são elogiados.
O entra e sai da clientela é monitorado e tudo transcorrendo na mais absoluta tranquilidade. Nas farmácias que existem naquela via, o atendimento também era merecedor de elogios. Sem motivos para pressa, sem furar filas nos balcões nem nos caixas.
Outro detalhe que merece registro: os cruzamentos de ruas e avenidas em toda a extensão da Avenida Paraná também estavam desertos, não atravessando ninguém. Os semáforos pareciam inúteis, pois não havia movimento de lado nenhum, portanto, nenhum doido para cruzar e provocar acidentes! Sossego absoluto…
Chegamos à bela Praça Miguel Rossafa, a mais colorida, a mais divertida e a preferida das famílias de Umuarama. Antes de aparecer esse maldito vírus que assustava o planeta inteiro, aquele espaço vivia movimentadíssimo. Pais e mães levando os filhos para brincar; avós e avôs passeando com os netinhos; filas no parquinho infantil para curtir os brinquedões…
Mas durante a pandemia ela também estava deserta, amargando o esquecimento, afinal, repito, havia sumido todo mundo… Mas as flores e os gramados continuavam lá, formosos, esperando que esse furacão Corona passasse logo e desaparecesse das nossas vidas e que a galera toda voltasse para ser feliz na nossa linda praça!
A gente olhava ao redor da Miguel Rossafa, tudo parado, o silêncio retumbando na nossa alma. Aqueles prediões em construção ali perto assistiam ao drama como gigantes sentinelas…
Incrível a paisagem que nos assustava: ninguém, absolutamente ninguém passando por ali – o que nos causava pavor, pois é uma entrada da cidade e um dos pontos mais agitados do centro. E, agora, nesse momento pandêmico, completamente deserta… A Avenida Londrina, observamos ao longe, estava igual: completamente morta, sem uma alma viva. Nada, absolutamente nada para ver ou ser visto…
Incrível, nunca havia visto isso na minha vida – 65 anos vividos na Capital da Amizade, onde cheguei com apenas 4 aninhos de idade! E, observem: Umuarama é uma cidade com mais de 100.000 habitantes. Disse: CEM MIL!!! Desde que começou o surto do Coronavírus todos nós viramos reféns, em casa. A Capital da Amizade ficou completamente irreconhecível!!!
Se de uma forma essa realidade nos entristeceu ao ver a nossa cidade cavernosamente deserta, por outro lado isso nos levou a comemorar o comportamento exemplar de nossa gente amiga.
Todos nós estávamos obedecendo à risca as normas e os conselhos das autoridades e, principalmente, dos agentes da Saúde Pública. Todos sendo obedientes à ordem de que era necessário ficar em casa! Evitar aglomerações e adotar o isolamento social, naquele momento, era fundamental para a saúde de todos! A hora era de se proteger e essas normas salvariam as nossas vidas!!!
E assim, unidos, atravessamos aquele momento tão dramático e perigoso, uma fase que as gerações atuais nunca haviam atravessado. Em Umuarama, fundada em 1955, nunca havia acontecido nada igual, nada tão assustador! Então, tivemos que provar que éramos fortes e que tínhamos fé em Deus para superar esta tragédia.
Esse era o único jeito de se salvar e de salvar todos nós! E a força e a fé em Deus nos deram potência para ultrapassar a assustadora pandemia!!! E hoje estamos aqui para contar como foi assustadora essa fase das nossas vidas!
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