Graça Milanez

A fascinante e transformadora arte da customização do jeans na concepção de Cris Lima

A customização do jeans pode ser uma arte que transforma as peças aparentemente iguais (ou parecidas) em itens variados ou personalizados. O velho e bom jeans não perde a majestade: ele segue seu reinado como peça-chave do guarda-roupa contemporâneo. Só que agora, se depender do olhar e dos caprichos da estilista Cris Lima, surge um jeito novo de usá-lo: customizado.

Cristiane Proença, 39 anos, proprietária de uma loja de vestuário em Umuarama, descobriu-se ainda na juventude como uma apaixonada pela arte de transformar jeans em verdadeiras obras de moda. No trato especial que dá às roupas de brim índigo, redobra o valor e o charme.

Bordados e pinturas; aplicação de pedrarias, correntinhas, franjas e outros apetrechos. E ainda as técnicas ‘destroyed’ [jeans rasgado] e ‘jeans patchwork’ [junção de retalhos de tons diferentes]. A costumização do jenas usa variados recursos em sua missão, que tem efeito também ecológico.

“Eu aproveito muita peça em desuso, evitando que vá para o lixo; e busco opções nos garimpos que faço, pelos brechós da cidade… Ou a pessoa enjoa de uma calça, por exemplo, e traz aqui para eu repaginar-la”, diz. Mas também usa peças novas.

“Sabe aquela peça que não vende, que fica encalhada na loja? Muitas vezes isso acontece… Daí eu customizo o jeans e ela volta para o expositor; não demora, vende, porque já não é a mesma peça… Fica oooutra peça!!!”, conta, com entonação na voz.

Cris em sua máquina de costura: trabalho admirável que reúne combinação única de estilo e consciência ambiental

O eterno jeans

Destacando a durabilidade do tecido e sua preocupação com a sustentabilidade, opina: “É uma pena jogar fora o brim resistente dos jeans… Isso não pode acontecer! O jeans nunca acaba! É só usar a criatividade e todo ele se renova”.

As araras da loja que leva seu nome exibem calças, shorts, saias e vestidos ressignificados, que fascinam, já num primeiro olhar, pela originalidade. Ou chamam a atenção pelo brilho das pedrarias ou pelo colorido das tintas acrílicas.

A máquina de costura é a grande companhia de Cris

Tudo feito a seis mãos: as dela; as da irmã Cláudia Proença, 46 anos, que é exímia bordadeira [colaboradora desde 2020]; e as da filha Nicolle de Lima, 16 anos, que põe à prova seu talento na pintura em tecidos [a jovem ajuda a mãe desde os 10 anos de idade].

“Aqui trabalhamos nessa felicidade, nessa harmonia”, salienta, orgulhosa do impacto positivo de seu trabalho. Para a estilista, cada bordado reflete não apenas técnica e versatilidade, mas também uma paixão pelo que fazem: “Trabalhar com algo que amo e ainda fazer a diferença é o que me mantém feliz todos os dias”.

Repaginadas: Cris mostra calças que ganharam um toque de autenticidade

Clientes do exterior também apreciam a customização do jeans

Em sua loja, Cris Lima oferece opções de vários tamanhos [do infantil ao plus size], que, pela resistência dos bordados, da cola que usa e das costuras, podem ser lavadas à máquina.

“Eu comecei o negócio em casa, em 2010; anos depois, resolvi vir para o centro da cidade e aluguei esse espaço para dar mais visibilidade à minha marca”, justifica.

E atingiu o objetivo: “Ampliei minha linha de produção, inspirando mais pessoas a inovar nos looks e repensar o consumo de moda de maneira consciente”.

Sorrindo, diz que sua clientela é “descolada” e crescente. “Tenho clientes daqui, de cidades da região e muitos de longe, como Estados Unidos e Japão. Uso e abuso do Instagram para anunciar os looks”, arremata, lembrando que ela mesma e a filha posam de modelos para as fotos.

Tom sobre tom: Cris veste jaqueta de brechó e saia ‘jeans patchwork’

Como tudo começou

Ela tinha 15 anos quando começou a trabalhar como vendedora no comércio de Umuarama, onde customizou a primeira peça de sua carreira.

“Era uma calça que estava há muito tempo na prateleira; quando sugeri bordá-la, minha patroa concordou… Bordei ela e várias outras, na sequência, e foi um sucesso”, relembra.

Saiu do emprego comovida pelo apelo da filha: “Era o aniversário de dois aninhos dela… Eu perguntei: ‘o que você quer ganhar de presente, filhinha?’ Ela respondeu: ‘Quero que você fique em casa comigo’. Isso me cortou o coração! Parei de trabalhar fora”.

Ela não conseguiu ficar só como dona-de-casa: “Eu precisava me reinventar… Comecei a fazer customização do jeans… Gastei R$ 50 na minha primeira compra num brechó, criei minha marca e cá estou comemorando os elogios que recebo no dia a dia”.

=== A loja da Cris Lima fica na Rua José Honório Ramos, 3920 – (44) 9 9849 2737

Nicolle de Lima, que trabalha com a mãe há seis anos
Habilidosa no pincel e no colorido das tintas, Nicolle se encarrega da pintura das peças
Exímia bordadeira, Cláudia Proença, irmã de Cris, também se esmera na customização
Cris e a filha Nicolle: não basta fazer, tem que mostrar
Graça Milanez

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