Foto: Dragon Images/Freepik
Lavar o frango antes do preparo é uma medida higiênica adotada por muitas pessoas, mas essa prática aumenta o risco de contaminação alimentar. Ao tentar higienizar os alimentos, algumas atitudes podem, na verdade, favorecer a disseminação de micro-organismos nocivos. O frango cru, por exemplo, pode espalhar bactérias por utensílios e superfícies da cozinha, tornando o ambiente mais propenso a infecções.
De acordo com especialistas em segurança alimentar, lavar o frango com água corrente faz com que respingos contaminem a pia, facas, garfos, pratos e até copos. Para eliminar as bactérias presentes, seria necessário um processo de desinfecção com água sanitária ou temperaturas superiores a 85ºC, algo que normalmente, não ocorre no ambiente doméstico.
As consequências de lavar o frango e de outras práticas inadequadas na manipulação de alimentos são expressivas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente, cerca de 600 milhões de pessoas no mundo adoecem e 420 mil morrem devido a doenças transmitidas por alimentos (DTA).
No Brasil, entre os anos 2000 e 2018, o Ministério da Saúde registrou 247.570 casos de DTA, resultando em 195 mortes. E onde ocorre a maioria dessas contaminações? Dentro de casa.
Um estudo do Centro de Pesquisas em Alimentos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP analisou os hábitos de higiene e manipulação de alimentos de 5 mil brasileiros em todos os estados. Os resultados mostraram que 46,3% das pessoas costumam lavar carnes na pia da cozinha, 24,1% ingerem carnes malcozidas e 17,4% consomem ovos crus ou malcozidos em preparos como maioneses caseiras.
“Lavar carnes, especialmente lavar o frango na pia da cozinha, pode espalhar potenciais patógenos no ambiente, representando uma prática de risco”, alerta o coordenador do estudo, Uelinton Manoel Pinto.
Duas das principais bactérias associadas à contaminação do frango cru são a Escherichia coli (coliformes fecais) e a Salmonella, que também pode estar presente em ovos e outros alimentos de origem animal. A ingestão desses micro-organismos pode causar sintomas como dores abdominais, náuseas, vômitos e febre.
A gravidade da infecção depende da carga bacteriana e da resposta do organismo. O tratamento geralmente envolve medicamentos e uma dieta leve. Caso os sintomas persistam, especialistas recomendam procurar atendimento médico, sobretudo diante de sinais como perda de apetite ou evacuações excessivas, que podem levar à desidratação e deficiência de nutrientes essenciais.
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