Graça Milanez

Engenheira agrônoma deixa a profissão para se dedicar ao seu ‘Amigumeu Ateliê’

A história dela é um exemplo inspirador de como crises podem gerar oportunidades. De Umuarama para o Brasil, o Amigumeu Ateliê se consolida como uma marca que combina talento, empreendedorismo, assim como resiliência, comprovando que em momentos difíceis, a criatividade pode ser o maior trunfo.

Do hobby ao negócio: a descoberta do amigurumi

Durante a pandemia, a engenheira agrônoma Paula Germogesti, 30 anos, moradora do Parque Bandeirantes, encontrou no artesanato uma nova trajetória profissional. O Amigumeu Ateliê surgiu quase por acaso, com as primeiras produções feitas como hobby. Como resultado, em poucos meses a iniciativa revelou um potencial surpreendente, conquistando clientes em diferentes plataformas digitais, como Elo 7, Mercado Livre e Instagram. 

O que começou como uma atividade despretensiosa logo revelou o talento ímpar de Paula na técnica do amigurumi, uma arte japonesa que utiliza crochê para criar bonecos e personagens detalhados. A dedicação ao ‘handmade’ não apenas a projetou entre os artesãos da cidade, mas também a levou a tomar uma decisão ousada: deixar sua carreira de professora, na qual investiu muito tempo e dinheiro [graduação pela PUCPR e mestrado pela UEM].

Há dois anos Paula se dedica exclusivamente ao artesanato. “Eu me encontrei no amigurumi. É um trabalho que exige paciência, criatividade e atenção aos detalhes, e isso me trouxe uma realização que nunca imaginei alcançar”, diz Paula.  A expressão “eu amo o que faço” ela repete várias vezes: “É muito bom trabalhar em casa, no meu tempo e com liberdade! ‘Emprego CLT’ não é pra mim… Encontro paz no que faço! É uma terapia”.

Paula na varanda da casa: com a produção e vendas consistentes, a mestre em Ciências Agronômicas conseguiu realização financeira e pessoal

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O sucesso do Amigumeu Ateliê e a parceria indispensável

Com a produção e vendas consistentes, o ateliê superou o rendimento que Paula obtinha no magistério. A mudança, além de financeira, sobretudo trouxe realização pessoal. “Ser dona do meu negócio e ver o impacto positivo na vida das pessoas que compram nossas peças é gratificante”, afirma a jovem, que também cria. “Acabo de receber um pedido do Colégio Marista, de Maringá, para a confecção de vinte ‘Marcelino Champagnat’; ninguém nunca fez este personagem… Estou empolgada!” 

Nem precisa muita atenção para perceber o diferencial dos produtos da Paula: a valorização do cuidado e do capricho artesanal. Num rápido olhar percebe-se acabamento impecável. Além disso, as peças impressionam também pela combinação da delicadeza e harmonia das cores, com tramas firmes que parecem garantir durabilidade. “Procuro sempre me esmerar, colocando também muito carinho em cada peça que confecciono… Pelo que vejo, os clientes percebem isso e voltam”, exclama Paula, com a serenidade de quem transformou desafios em realizações. 

Paula em seu ateliê: ela não só replica modelos tradicionais do amigurumi, como também se dedica à criação

Parceria indispensável

O sucesso do Amigumeu Ateliê atraiu um inesperado colaborador: Jeferson Bernardo da Silva, 29 anos, marido de Paula, que é formado em Administração. Na época desempregado, ele viu na atividade da esposa uma oportunidade não apenas de ajudá-la, mas de aprender algo novo.

Criatividade e cumplicidade: ele aprendendo com ela, casal trabalha em harmonia

“Ela teve paciência para me ensinar e eu percebi que poderia ajudar de verdade. Hoje faço algumas peças e cuido das encomendas quando o volume aumenta”, relata Jeferson, que divide seu tempo entre as aulas que ministra em escola estadual, bem como com o trabalho no ateliê. 

Eles estão casados há sete anos e moram em Umuarama há seis. “Viemos para estudar e eu não conseguia emprego… Foi quando me despertei para esse negócio”, comenta Jeferson. “Depois consegui emprego, mas mesmo assim, nas horas vagas, ajudava a Paula… E continuo ajudando, porque isso me faz bem!”, acrescenta, denotando orgulho na fala.

Ateliê bem equipado dá respaldo à Paula, que decidiu transformar sua paixão pelo crochê e tricô em um negócio que garante seu salário todo mês

Fofuras coloridas

Além de bonecos e bichinhos fofos, da mesma forma Paula confecciona berço para bebê, modelo Moisés, em fio de malha. É um dos produtos que mais vende de seu portfólio. Jesus e outros personagens famosos [de desenho animado], como Shrek e Fiona, também estão entre os mais requisitados, assim como os ‘kits maternidade’ [peças para pôr na porta do quarto e para comemorar ‘mesversário’, móbiles, entre outros, tudo combinando].

No período que antecede o Natal, por exemplo, o trio José, Maria e Menino Jesus também se destacam nas encomendas. E também têm os banquinhos com bichos; estes são simplesmente apaixonantes!

Banquinho com bichinho e outros mimos: marcas da inspiração da Paula e de seu senso empreendedor

O primor técnico de Paula no amigurumi, aliado à sua visão empreendedora, consolidou o Amigumeu Ateliê como uma marca entre as mais simpáticas desse nicho. “Eu percebi que poderia usar minha formação para estruturar um negócio sólido e meu talento para criar produtos únicos. É gratificante saber que as pessoas enxergam o valor do que faço”, reafirma. 

Segundo ela, o processo de criação exige mais do que habilidade técnica: “É necessário paciência para seguir padrões que detalham cada ponto e criatividade para personalizar as peças. O resultado é um trabalho que combina estética e funcionalidade: bichinhos que encantam crianças e adultos, podendo ser usados como brinquedos, itens decorativos ou presentes especiais”. 

Cada peça, feita à mão, carrega uma personalidade única, definida pela escolha das cores e dos detalhes

Sobre o amigurumi: uma arte cheia de significado

O amigurumi, uma técnica japonesa de crochê que transforma linhas em delicados bonecos e bichinhos, é mais do que um simples artesanato: é uma expressão de criatividade e paciência. Popularizado no Ocidente nas últimas décadas, o termo “amigurumi” deriva da combinação das palavras japonesas ‘ami’ (trançado ou tricotado) e ‘nuigurumi’ (bicho de pelúcia). 

Além do prazer de criar, confeccionar bichinhos em amigurumi tem um lado terapêutico. O ritmo dos pontos repetitivos e o foco no trabalho ajudam a aliviar o estresse e promovem o bem-estar. Para quem os produz, cada peça é uma pequena vitória; para quem os recebe, é um presente que transmite carinho e dedicação. 

Seja como hobby, profissão ou forma de expressão, o amigurumi é uma arte que conecta gerações, culturas e corações. É o exemplo perfeito de como algo aparentemente simples, como fios entrelaçados, pode se transformar em algo tão significativo e encantador. 

== Portifólio da Paula: confira mais em instagram.com/amigumeuamigu/

== Encomendas podem ser feitas pelo 44 9 8429-8939

Moisés feito em crochê, em fio de malha:  combinação de técnica, estética e funcionalidade
Super-requisitado: em duas versões, o trio José, Maria e Jesus Menino está entre os produtos mais vendidos
Kit para comemorar ‘mesversário’: feito em tricotim, também é um dos mais encomendados
Kit para comemorar ‘mesversário’: feito em tricotim, também é um dos mais encomendados
Banquinho com bichinho e outros mimos: marcas da inspiração da Paula e de seu senso empreendedor
Graça Milanez

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