Ítalo Fabio Casciola

Antigamente todo mundo tinha em casa o boneco meteorológico que previa chuvas

Os caros leitores & leitoras da minha geração – ou das anteriores – devem lembrar ainda de um bonequinho que era muito comum antigamente nas casas em Umuarama e pelo Paraná afora…

Estou falando do “Galo do Tempo” (ou “Galo da Chuva”, como também era tratado). Hoje, para usar uma linguagem mais apropriada a estes novos tempos, podemos chamá-lo de “Galo Meteorológico”.

Naquele passado, já um tanto quanto distante, era comum ver um perto de uma janela ou de uma porta de entrada das moradias. E era hábito todo mundo olhar bem para ele antes de sair de casa ou sequer abrir a janela.

Ele, imponente, todo feito num material felpudo e áspero, estava colado em cima de uma base de madeira onde havia uma pequena legenda que indicava o que as diferentes cores podiam significar.

Se o Galo estivesse Azul significava que o dia seria de sol e calor. Mas ia mudando conforme o tempo lá fora mudasse também. Se o céu fosse ficando nublado ou com muitas nuvens, ele ia ficando noutro tom de Azul, que ia virando um tipo de Roxo até chegar a um tipo de Rosa, que significaria frio e chuva lá fora.

ELE NÃO FALHAVA NUNCA!

A gente, ainda adolescente, não entendia a magia do galinho amigo, que tantas vezes salvava a gente de tomar “banho de chuva” nas ruas de terra que viravam córregos de lama, ainda sem asfalto em Umuarama…

Faço um pequeno parêntese para frisar que naquela época não havia serviço de meteorologia como hoje existe o Simepar e outros institutos dotados da mais alta tecnologia para a previsão do clima e do tempo.

A MAGIA DO “GALO DO TEMPO”

Conforme o tempo foi passando, a gente foi estudando e se informando, até conhecer o “truque” do famoso galinho.

Ele é fruto de um equilíbrio químico, a partir de uma solução aquosa de cloreto de cobalto II em sua superfície. Em dias quentes (temperatura alta), o equilíbrio da reação se desloca no sentido da reação que absorve calor (endotérmica), nesse caso, a inversa. O galo fica, então, azul, confirmando que o tempo será de calor. Nos dias frios, a temperatura baixa faz com que o equilíbrio seja deslocado no sentido da reação que libera calor (exotérmica). Nesse caso, o galinho fica rosa, confirmando que será um dia frio. Porém, em locais com ar-condicionado, a cor do galo acompanha a temperatura do ambiente, mesmo que lá fora o oposto se apresente.

Mais um lúdico artifício do que uma confiável fonte de previsões meteorológicas, o galinho encantava principalmente as crianças. Na casa dos avôs e avós, ainda é possível encontrá-lo, dentro de alguma cristaleira, agora bem distante da condição de item obrigatório nos lares de antigamente.

E ele é cuidado com carinho, pois faz parte da história da vida de todos os que chegaram aqui nos tempos da fundação e colonização da Capital da Amizade. Podia parecer um brinquedo, mas sua utilidade foi importante no dia a dia de uma legião de pioneiros. (ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO)

Ítalo Fábio Casciola

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