Brasil

Policial Civil da região de Umuarama integra força-tarefa no Rio Grande do Sul

O Governo do Paraná já enviou mais de 100 agentes de segurança pública para atuar no Rio Grande do Sul, entre bombeiros, policiais militares e civis e peritos da Polícia Científica. Entre os agentes que integram a força-tarefa está Giselle Cristiane Mateus Guimarães, lotada na Delegacia de Polícia Civil de Xambrê, que faz parte da área da 7ª Subdivisão (SDP) de Umuarama.

Giselle é formada em Direito, atua na Polícia Civil do Paraná (PCPR) desde o ano 2000 e ocupa o cargo de Agente de Polícia Judiciária. No ano de 2014 atuou como Coordenadora Estadual dos Conselhos de Segurança do Paraná. A policial também já participou de outras missões e eventos importantes, como as Paraolimpíadas 2016.

OBemdito conversou nesta semana com Giselle, que falou sobre a rotina da equipe da PCPR junto aos gaúchos e como é a preparação para participar de situações como esta que o Rio Grande do Sul vive atualmente. O grupo que ela integra deve retornar ao Paraná no próximo fim de semana. Confira a entrevista abaixo:

OBemdito – Gostaríamos de saber como foi a convocação para a força-tarefa no Rio Grande do Sul?

Giselle – ⁠Desde que vi nos noticiários tudo o que estava acontecendo no Rio Grande do Sul, senti imensa vontade de ajudar, de estar junto e oferecer o meu melhor para eles. Em 2018, através da Força Nacional, trabalhei em Porto Alegre, investigando homicídios, permaneci 9 meses. No mês de maio o Departamento da Polícia Civil abriu inscrição para voluntários para a força-tarefa no Rio Grande do Sul. Imediatamente me inscrevi e fui selecionada para a missão.

OBemdito – Em que cidade [ou cidades] você está atuando? Quantos integrantes tem sua equipe e qual o trabalho que vocês estão desempenhando no RS?

Giselle – Faço parte da segunda turma, sendo composta por 30 policiais. Estamos desempenhando nosso trabalho, juntamente com a equipe da Polícia Civil local, em Porto Alegre com visitas e apoio nos abrigos (pessoas e pets). Executamos patrulhamentos noturnos e madrugada nas áreas de risco com prevenção e repressão de crimes. Nos pontos de coletas de doações prestamos apoio visando garantir a segurança dos integrantes, bem como estamos distribuindo doações nos lugares pouco acessíveis.

Giselle recebe o carinho de uma criança durante a força-tarefa no Rio Grande do Sul

OBemdito – Como você analisa que está a situação dos gaúchos neste momento?
Mesmo com toda sua experiência, é complicado atuar neste tipo de missão especial em meio ao caos que essa tragédia causou no Rio Grande do Sul?

Giselle – ⁠Irei expor a minha visão, a qual não é técnica. Entendo que a situação é extremamente delicada, como se pudéssemos dividir em duas partes: uma parte de Porto Alegre já está retomando a vida rotineira, não diria normal, mas com estabelecimentos funcionando, pessoas trabalhando e outra parte, a exemplo zona norte, com água, pessoas ainda em abrigos, muita destruição, entulhos e mais entulhos por diversas ruas.

Presenciamos nos bairros Sarandi e Humaitá, muita destruição, mas me surpreendeu ainda mais a situação das ilhas (Das Flores, Pavão e da Pintada) e nos municípios de Canoas e Eldorado do Sul. Pessoas que perderam tudo. Muita destruição e nos lugares que a água baixou, muitos entulhos, carros empilhados, animais mortos e restos de construções.

⁠Eu acredito que por toda experiência que possamos ter tanto no campo profissional quanto no pessoal, não há palavras pra descrever o sentimento de ver outro ser humano sofrendo, te pedindo comida, te pedindo ajuda pra limpar a residência que foi quase toda destruída e outros que se emocionam e agradecem quando você chega com doações. São registros que jamais esquecerei.

OBemdito – Giselle, você já participou de outras missões e operações especiais em várias localidades do Brasil. Pode relembrar algumas delas para nossos leitores?

Giselle – ⁠Em 2013 fiz a formação da força nacional que se chama INC (Instrução de Nivelamento de Conhecimento), com prova de conhecimento teórico, físico e prova de tiro. Atuei em Brasília, trabalhando na base da Força Nacional no Ministério da Justiça, nas Paraolimpíadas 2016 e missões em Porto Alegre/RS, Aracaju/SE, Belém/Para, Paulista/PE e Recife/PE.

Uma das equipes da PCPR que já foram enviadas ao Rio Grande do Sul – Foto: PCPR

OBemdito – Para participar desse tipo de missão e operação você teve uma preparação especial ao longo da sua carreira na PCPR? Pode nos explicar como funciona esse tipo de preparação? 

Giselle – A atual gestão da Polícia Civil disponibiliza vários cursos de aperfeiçoamento através da Escola Superior de Polícia, bem como através de convênios com outras instituições, a exemplo fiz curso na USP, UEPG e outros.

OBemdito – Como você avalia o trabalho que a PCPR tem prestado e a importância desse tipo de ajuda humanitária?

Giselle – É um trabalho de grande importância, pois o momento é de somar esforços, de ajudar, de reconstruir e de oferecer o nosso melhor aos irmãos gaúchos.

A mensagem que fica para minha vida: Eu nunca havia presenciado uma destruição como a que eu vi aqui. Nunca havia falado com tantas pessoas que perderam familiares e todos os seus bens. Eu também nunca havia presenciado tanta solidariedade e resiliência.

Fotografia feita por Giselle na tarde desta quinta-feira no bairro Rio Branco, município de Canoas, mostra a destruição que os alagamentos causaram
Jaqueline Mocellin

Olá, eu sou Jaqueline Mocellin e trabalho no site OBemdito desde dezembro de 2016. Atuo como jornalista e editora. Sou formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), pós-graduada em Comunicação, Educação e Artes pela Unipar/Cascavel e atualmente curso Direito na UniAlfa Faculdade. Estou sempre em busca da emoção que o jornalismo pode proporcionar. Sou apaixonada pela minha profissão, levo muito a sério a ética de trabalho e a correta apuração dos fatos.

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