Foto: Colaboração/Assumu
A Associação de Assistência aos Surdos de Umuarama (Assumu) celebrou nesta sexta-feira (24) suas bodas de ouro. Criada em 1974, a entidade, mantenedora da Escola Bilíngue Anne Sullivan, está completando 50 anos. Atualmente com 25 alunos, a escola oferece classes regulares, além de atividades complementares e o EJA (Educação de Jovens e Adultos).
Ao longo deste tempo de atuação, foram inúmeras conquistas. Entre as mais recentes, destaca-se a viabilização de verbas na casa dos R$ 300 mil, que deverão ser usadas para realizar melhorias na estrutura da escola. Conforme a diretora da escola, professora Lígia Oliveira Neves, o maior desafio é ter condições de atender bem a comunidade.
“Sem dinheiro, não conseguimos fazer nada. Temos ido atrás de emendas parlamentares e, graças a Deus, temos conseguido. Neste mês, chega uma emenda parlamentar dos vereadores do município com a qual vamos fazer a troca do telhado. O senador Flávio Arns também nos mandou uma emenda para fazermos toda a parte elétrica. Temos também uma emenda do deputado Frangão que será usada para a compra de equipamentos”, afirmou.
E continuou: “Temos também um edital do ano passado do CNDCA (Conselho Estadual da Criança e do Adolescente), que lançou um edital para que fizéssemos pequenos reparos. A partir desta semana, eles estão fazendo a distribuição. Faremos a parte estética, será pintada a escola, trocadas janelas, forro, tomadas. Isso é melhoria de qualidade de vida para as crianças aqui da escola”, destacou.
Apesar destes recursos que serão usados para melhorar algumas estruturas, a escola ainda demanda outros reparos e mudanças. Por isso, a direção está buscando viabilizar outros recursos, através de um edital do Banco Itaú que pode chegar a R$ 500 mil.
Segundo o edital, a previsão é de que o dinheiro seja repassado ao Conselho Municipal até o dia 31 de dezembro deste ano e deverá ser destinado à instituição beneficiada no ano que vem. “O Conselho Municipal irá escolher uma entidade, de todas que tem na cidade, que ganhará ao protocolar o projeto. Nós estamos correndo atrás para deixar tudo pronto para que sejamos escolhidos”.
Se escolhida, a instituição poderá usar o dinheiro para a instalação de uma brinquedoteca, no valor de R$ 150 mil; para a compra de carro próprio, já que atualmente o veículo usado pela instituição é cedido pela prefeitura, além da instalação de placas solares para zerar o consumo de energia e vender o excedente, e para a realização de um curso de formação para professores através da Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos).
O principal desafio da escola enfrentado hoje, na sociedade, está ligado à conscientização das famílias que têm crianças surdas. Segundo a diretora, que tem uma filha de 12 anos surda, o surdo é um sujeito que tem a própria língua, a própria cultura e a própria identidade.
“Um dos obstáculo hoje é a conscientização de que os surdos precisam da língua deles, que é a Libras. O nosso português, que é dominante, fica em segundo plano para os surdos. Então, é isso que as pessoas não entendem e essa falta de informação gera preconceito”, destacou.
A professora ainda explica que, além disso, o que se nota é que os surdos têm dificuldades para acessar essa formação bilíngue e muitas vezes acabam parando no meio do caminho. “Empurra-se o problema para a frente e quando ele chega no ensino médio, não quer fazer a faculdade, porque é difícil e ele vai sofrer. Então, é complicado para o surdo conseguir se formar”, afirma.
No entanto, ela destaca um belo exemplo de persistência dado pelo atual presidente da instituição, Eduardo Alberto Megda, que tem três formações superiores, sete pós-graduações e agora está fazendo mestrado.
“Ele é uma prova de que a família deu base para que ele fosse e seguisse, e não só isso, mas apoio também. O Eduardo é fantástico, ele viaja, faz tudo sozinho e tem a vida dele. Isso é o que gostaríamos que todo surdo tivesse: autonomia para que ele consiga seguir a vida dele”, pontuou.
Apesar de estar na cidade há 50 anos, muitas famílias de alunos e da comunidade ainda não conhecem o trabalho desenvolvido pela entidade. Além de ajudar participando das ações da escola, as famílias e a comunidade também podem acompanhar o trabalho que é feito com os alunos, jovens e adultos que são assistidos.
Conforme Lígia, às vezes os pais ou as pessoas têm preconceito porque não conhecem o trabalho da escola, e por isso não procuram ajuda para auxiliar no desenvolvimento de crianças ou pessoas que são surdas.
“Nós temos um pai aqui, que é de outra cidade e não queria deixar a filha aqui, porque queria que a criança desenvolvesse a fala. A menina, com 12 anos, estudava na Apae [Educação Especial] e estava lá no lugar onde não era o lugar dela, porque ela não tinha uma língua de acesso ao conhecimento. O que nós fizemos? Levei minha melhor professora surda para conversar com ele. Nós acolhemos essa família e agora a menina está estudando aqui”, revelou.
Recentemente, OBemdito publicou uma reportagem especial produzida pela jornalista Graça Milanez que mostra um pouco da história e das atividades diárias desenvolvidas pela Escola Bilíngue Anne Sullivan. (leia aqui).
Para marcar o aniversário de 50 anos, a Assumu realizou na noite da última quarta-feira (22) um evento em comemoração ao Jubileu de Ouro. Além de apresentações culturais encenadas pelos alunos e professores que contaram a história da instituição, foram apresentados vídeos com depoimentos de figuras importantes na criação da escola. Professores e ex-diretores também foram homenageados.
“Foi um momento muito especial. Pudemos comemorar várias conquistas que os surdos tiveram nos últimos anos, inclusive a Maria Aparecida Françolin mandou um vídeo para nós em que contou como foi o início da escola”, disse.
“Por causa da irmã, a família, junto com os americanos João e Charles, deram esse primeiro passo e depois vieram os desafios e as lutas que foram surgindo, porque aqui, nesta sede estamos desde 1982, mas a associação existe desde 1974, então foi um momento para relembrar a história, foi muito importante”, completou.
A solenidade de comemoração do aniversário contou com a presença de autoridades do município, de pais de alunos e da comunidade em geral, e foi realizada no Centro Cultural Vera Schubert.
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