Saúde

Moradora de Iporã é surpreendida por picada de escorpião preto que estava em tapete de sua casa

Uma moradora de Iporã, Ana Carolina Galeano Maldonado, 23 anos, entrou em contato nesta segunda-feira (13) com OBemdito para relatar ter sido picada por um escorpião preto no domingo (12) enquanto colocava um tapete para lavar.

Ana relatou que retirou o tapete de um dos cômodos da casa para levá-lo até a lavanderia e não percebeu a presença do aracnídeo. Ela foi picada quando manuseava o tapete para colocá-lo na máquina de lavar. Foi apenas neste momento que a muher viu o escorpião.

A iporãense reside em um sítio com seu marido e dois filhos, de 2 e 7 anos, e manifestou sentir dores de cabeça intensas, náuseas, tontura e visão ligeiramente embaçada. Ainda não buscou assistência médica devido ao receio de ficar internada e não poder cuidar dos filhos.

A Divisão de Vigilância Sanitária e Epidemiologia foi procurada, porém, as tentativas de contato não foram atendidas. Também foi buscado contato com o Secretário de Assistência à Saúde Hailton Joaquim, mas não houve retorno.

Local onde Ana foi picada

Orientações da Sesa

O acidente escorpiônico, ou escorpionismo, ocorre quando um escorpião injeta veneno através do ferrão (télson). Os escorpiões, representantes da classe dos aracnídeos, predominam em zonas tropicais e subtropicais, com maior incidência nos meses de aumento de temperatura e umidade.

No Brasil, as espécies de escorpiões de importância em saúde pública são do gênero Tityus:

Escorpião-amarelo (T. serrulatus): ampla distribuição em todas as macrorregiões do país, sendo a espécie mais preocupante devido ao maior potencial de gravidade do envenenamento e à expansão geográfica facilitada por sua reprodução partenogenética e adaptação ao meio urbano.

Escorpião-marrom (T. bahiensis): encontrado na Bahia e nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Escorpião-amarelo-do-nordeste (T. stigmurus): espécie mais comum no Nordeste, com alguns registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Os grupos mais vulneráveis incluem trabalhadores da construção civil, crianças e pessoas que passam mais tempo em casa ou nos arredores, como quintais (intra ou peridomicílio). Trabalhadores de madeireiras, transportadoras e distribuidoras de hortifrutigranjeiros nas áreas urbanas também estão sujeitos devido ao manuseio de objetos e alimentos onde os escorpiões podem estar alojados.

Sintomas de acidentes

A maioria dos acidentes é leve, com início rápido e duração limitada. Adultos apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido, piloereção (pelos em pé) e sudorese localizadas, cujo tratamento é sintomático. Alguns acidentes por Escorpião-preto-da-Amazônia podem causar movimentos súbitos e involuntários de um músculo ou grupamentos musculares (mioclonias) e contração muscular pequena e local (fasciculações). Crianças abaixo de 7 anos têm maior risco de alterações sistêmicas nas picadas por escorpião-amarelo, podendo levar a casos graves que requerem soroterapia específica em tempo adequado.

Como prevenir acidentes

Manter jardins e quintais limpos; Evitar acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção nas proximidades das casas; Evitar folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbustos, bananeiras etc.) junto a paredes e muros das casas; Manter a grama aparada; Limpar periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos numa faixa de um a dois metros junto às casas; Sacudir roupas e sapatos antes de usá-los para evitar picadas de aranhas e escorpiões; Não colocar as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres. Escorpiões são comumente encontrados sob dormentes da linha férrea; Usar calçados e luvas de raspas de couro.

Como muitos desses animais são noturnos, a entrada nas casas pode ser evitada vedando soleiras de portas e janelas ao anoitecer. O uso de telas em ralos do chão, pias ou tanques também é recomendado. Combater a proliferação de insetos é essencial para evitar a presença de escorpiões que deles se alimentam. Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos e vãos entre o forro e as paredes, consertar rodapés despregados, colocar saquinhos de areia nas portas e telas nas janelas são medidas preventivas. Afastar camas e berços das paredes, evitar que roupas de cama e mosquiteiros encostem no chão e não pendurar roupas nas paredes são práticas que ajudam a prevenir acidentes. Preservar os inimigos naturais dos escorpiões e aranhas, como aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos e sapos, também é recomendado.

O que fazer em caso de acidente

Limpar o local com água e sabão; Aplicar compressa morna no local; Procurar orientação imediata e próxima do local do acidente (UBS, posto de saúde, hospital de referência); Atualizar-se regularmente junto à secretaria estadual de saúde para saber os pontos de tratamento com o soro específico na região; Se possível, capturar o animal e levá-lo ao serviço de saúde.

O que não fazer em caso de acidente

Não amarrar ou fazer torniquete; Não aplicar qualquer substância sobre o local da picada (fezes, álcool, querosene, fumo, ervas, urina) nem fazer curativos que fechem o local, pois isso pode favorecer infecções; Não cortar, perfurar ou queimar o local da picada; Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado ou outros líquidos como álcool, gasolina ou querosene, pois não têm efeito contra o veneno e podem agravar o quadro.

Alerta para o verão

Os acidentes com animais peçonhentos são mais comuns nos meses de verão, devido ao calor, umidade e período de reprodução. A manutenção da higiene e limpeza é fundamental, uma vez que lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos desses animais, além de atrair a sua alimentação. Moradores de áreas rurais e trabalhadores da agricultura devem usar luvas e botas ao entrar em matas ou plantações.

Redação

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