Umuarama

Para obter renda extra, casal investe no plantio e industrialização de palmito

Na feira de hortifruti de domingo, uma das barracas que têm mais clientes fidelizados, sem dúvida, é a da Família Garcia. O motivo? Lá tem palmito, o nobre e delicioso alimento extraído de um tipo de palmeira.

O diferencial da marca: é produzido pela própria família, numa chácara próxima à cidade de Umuarama; ou seja, o cliente compra um produto fresco ou em conserva, direto do produtor. Um luxo!

OBemdito foi conhecer a plantação e a pequena fábrica que ficam na Chácara Alvorada, de cinco mil metros quadrados. Os proprietários, Cleusa, 55 anos, e Laércio Garcia, 55 anos, foram bastante atenciosos durante nossa visita.

Dizem que têm orgulho do trabalho que desenvolvem, com o objetivo de complementar a renda. “Nossos clientes elogiam muito, isso nos motiva a continuar… porque, olha, é uma luta diária”, exclama Cleusa, que é esteticista; é ela que gerencia a agroindústria.  

Cleusa, que gerencia a agroindústria: vários cursos e treinamentos para produzir alimentos de alta qualidade

Laércio, que é motorista de aplicativo, cuida do manejo da lavoura. Ele informa que começou a produção de palmito pupunha em 2015. Plantou mil pés, mas hoje tem cerca de cinco mil [por causa do perfilhamento]; e cada pé dá três cortes por ano. 

Tudo o que produz, vende; ou in natura ou, para agregar valor, em conserva. “Na culinária, palmito vai bem com tudo e de todo jeito… é muito gostoso!”, exalta a empresária, que prepara para venda essa delícia em diferentes cortes.

Com a marca ‘Garcia’ no rótulo, saem semanalmente da propriedade cerca de cem quilos de palmito. Em toletes [para assar], em rodelas, laminado [para fazer lasanha], em tirinhas finas [para fazer macarrão] ou picadinho, tem cliente para todas as formas.

Propriedade, que abriga a lavoura, tem cinco mil metros quadrados

Já, já tem novidade!

Desde que começaram o empreendimento, o casal recebe assistência técnica do IDR – Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná e da UEM – Universidade Estadual de Maringá/Câmpus Umuarama. Mas Cleusa, disposta a inovar, foi além.

“Fiz vários cursos para me capacitar, porque não é um trabalho simples; pelo contrário, é criterioso, exige conhecimento, técnicas, cuidados com higiene… E como nossa intenção era produzir alimentos de alta qualidade, tive que investir em treinamentos”, assegura.

No rol de cursos, ela diz que o mais completo foi o que fez pela Universidade Federal de Viçosa, que é uma instituição referência em prestação de serviços de orientação ao agricultor: “Estudei conteúdos informativos do plantio à comercialização, passando pela gestão de empresa rural”, acentua Cleusa.

Desse interesse todo por inovação, vem uma grande novidade logo, logo: “Estamos reestruturando a propriedade para obter certificação de produtos orgânicos; o processo, conduzido pela UEM e IDR, já está bem adiantado e será uma grande conquista!”, comemora.

Conservas da marca ‘Garcia’: agregar valor é o objetivo do trabalho da família

E pimenta, tem?

A história dos alimentos ‘Garcia’ começa com ela, a amável e feroz pimenta. Laercio diz que plantou por três anos, tempo em que fizeram muita conserva para vender na feira.

“Foi minha paixão por pimenta que motivou a fábrica”, orgulha-se Cleusa. “Há uns anos atrás, a gente não encontrava na feira; eu não me conformava com isso!”

O inconformismo, então, levou o casal a plantar e preparar conservas para consumo próprio, até que um dia resolveu fazer para vender. “E por que não, pensamos? Deu certo: nós nos tornamos pioneiros nesse gênero”, afirma Laércio.

Porém, o casal parou de cultivar pimenta [uma doença o obrigou a erradicar a lavoura]; agora, para suprir a demanda da fábrica, compra em Minas Gerais, in natura, faz os molhos e leva para vender na feira.

Otimizando os recursos da fábrica e aproveitando outros alimentos produzidos na chácara, junto com o palmito e os molhos de pimenta vão para feira de domingo também geleias de frutas [e de pimenta, claro].

E mais: colorau em pó e na banha, polpa de fruta [amora e acerola], jurubeba em conserva e ovos. Ao todo, são cerca de 20 itens.

“Não é fácil dar conta de tudo isso, não é fácil conquistar mercado, mas vamos lutando”, arremata a empresária.

Pimenta em molho ou em conserva também faz parte do portifólio da marca ‘Garcia’
Tanto o palmito, quanto a pimenta tem cliente fidelizado
Palmito em tirinhas para quem aprecia macarrão vegano
Palmito picadinho: prontinho para refogar
Em rodelas também tem boa saída
Em tolete, para assar
Em lâminas, para lasanha vegana
Chácara em breve terá o selo de ‘produção orgânica’

Graça Milanez

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