Umuarama

Professor de violão impulsiona carreira ao se dedicar à arte de recuperar e construir instrumentos

Parece um contrassenso: no aclamado mundo da música há muitos personagens supervalorizados no palco e poucos notados nos bastidores; mas isso não significa que não são notáveis. Entre eles estão os ‘luthiers’, os artesãos que fabricam ou consertam instrumentos musicais.

O termo é francês; em português podemos chamá-los assim: violeiros, guitarreiros ou simplesmente luteiros. Em Umuarama, um dos mais ativos instalou uma oficina na garagem da casa. É o Thiago Rodrigo Alves, 39 anos, que está no ramo desde 2018.

Ele passa o dia rodeado de violões em sua Oficina de Cordas, ajustando, consertando, polindo, pintando, colando, ou seja, recuperando instrumentos musicais danificados pelo uso. Tem clientes de cidades de toda a região de Umuarama e de outras, como Campo Mourão e sul do Mato Grosso do Sul.

“É muito serviço”, clama, mas em tom de alívio. Afinal, dedica-se quase que exclusivamente a essa arte e vive dela. Antes, era professor de violão em período integral; de oito, reduziu para duas horas/aula por dia. “Assim, tenho mais tempo para me dedicar à luteria”, justifica.

Não desistiu de ser professor porque, segundo ele, um bom luteiro tem que saber tocar: “Ensinando, a gente aprende também; além de que, quando temos esse compromisso de ensinar, nos motivamos a buscar mais aprendizado para repassar ao aluno, e nesse intuito vou ampliando minhas habilidades”.

Trabalho de luteiro exige boas habilidades manuais

Diz que ama as duas funções, mas a segunda permite uma formação maior para o caminho que trilha na realização do sonho de construir equipamentos musicais. “Já construí um, mas quero mais”, avisa, ressaltando que marcenaria é outra paixão.

Thiago tem no currículo vários cursos que englobam conhecimentos de manutenção, construção, pintura, entre outras técnicas, que, somadas ao seu refinamento em cuidados, resultam num trabalho exemplar. E já montou sua marcenaria, num ‘puxado’ que fez na lateral da casa.

Nos seus 80m2, o espaço é surpreendente: conta com todas as principais máquinas de uma marcenaria e muita ‘madeira’ empilhada. Ou seja, está pronta para os primeiros passos do segundo ato. “Gosto de tocar, gosto de marcenaria, juntei os dois”, reafirma.

Violão do avô

Do se aproximar do violão e daí não largar mais, a história que o Thiago conta é interessante. “Tinha um violão em casa, do meu falecido avô, abandonado em cima do guarda-roupa… Eu olhava para ele, todos os dias, até que um dia resolvi pegar e disse pra mim mesmo: ‘Vou aprender’… E aprendi”, orgulha-se.

Ele começou a dedilhar o violão aos 15 anos, mas só aos 16 conseguiu vaga no Centro Cultural Vera Schubert para começar a estudar violão. “À época, era difícil conseguir vaga; dei sorte”, lembra.

Tornou-se professor aos 19 anos. “Tive uns 500 alunos, de crianças a pessoas de até 70 anos”, enfatiza, dizendo que dava aulas em residências, em igrejas e na casa dele.

Thiago tem clientes de toda a região e até do estado vizinho de
Mato Grosso do Sul

Contato do Thiago Rodrigo Alves: (44) 99933 9697.

Graça Milanez

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