Paraná

Professora faz gesto que remete ao nazismo em sala de aula no Paraná; entidades pedem punição

Uma professora foi flagrada quando fazia um gesto que remete ao nazismo numa sala de aula do Colégio Sagrada Família, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, no Paraná. A cena, gravada por um aluno na última sexta (7), viralizou nas redes.

A Confederação Israelita do Paraná (Feip) e a Confederação Israelita do Brasil (Conib) pediram rigorosa apuração e punição exemplar para a professora. O Museu do Holocausto, em Curitiba, informou nas redes sociais que já encaminhou as imagens e pedido de providências ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR).

No vídeo, é possível ver o momento em que um aluno se afasta da mesa da educadora e, logo em seguida, ela leva a mão à testa e depois estende o braço, num gesto adotado pelos nazistas para saudar Adolf Hitler. Internautas comentaram a cena, a maioria deles condenando o gesto da professora de redação. O assunto ficou entre os cinco mais comentados no Twitter durante a segunda (10).

No fim da manhã de hoje, a diretora do Colégio Sagrado Coração irmã Edites, em entrevista ao jornal O Globo, classificou o episódio como “um erro” a atitude da professora e disse que o colégio não compactua com o gesto. Ela citou que “ânimos exaltados” no atual cenário político podem estar por trás do ato da educadora, mas afirmou que a postura da unidade de ensino é de neutralidade.

A diretora afirmou ao jornal O Globo que medidas seriam tomadas de acordo com o regimento interno do colégio. Por volta das 16h30, no entanto, o colégio confirmou a decisão de demitir a profissional.

A professora foi identificada como Josete Biral. Em entrevista à Folha de São Paulo, o advogado da professora, Alexandre Jorge, negou que a saudação seja nazista: “O posicionamento dela é que não existiu qualquer gesto típico de saudação nazista. Foi no momento de descontração, no encerramento da aula, que se for se considerar gesto típico de alguma natureza seria saudação à bandeira e à pátria”.

Reação

A Confederação Israelita do Paraná (Feip) e a Confederação Israelita do Brasil (Conib) se manifestaram em nota sobre o episódio. “Esperamos rigorosa apuração dos fatos e punição exemplar à referida profissional. O nazismo é um movimento que promove o ódio e a morte e executou o extermínio de 6 milhões de judeus e outras minorias, como ciganos e LGBTQIAP+, durante a a Segunda Guerra Mundial. ele deve ser combativo de forma efetiva, conforme legislação vigente”, diz a nota.

O Museu do Holocausto, em Curitiba, postou no Twitter que encaminhou as imagens para o Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) e para o Ministério Público Federal (MPF-PR). “Para esses casos, não existe qualquer possibilidade de neutralidade. Apologia ao nazismo se compactua ou se repudia”, diz postagem no perfil do Twitter do Museu.

Em nota encaminhada à redação do Bem Paraná, o Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), afirmou que “as representações sobre o caso serão avaliadas para que sejam verificadas as providências cabíveis”.

O Ministério Público do Paraná informou que já recebeu pedidos de providências a respeito deste incidente por parte da população e que o caso foi remetido à 15ª Promotoria de Justiça (da Educação) e à 8ª Promotoria de Justiça (Criminal), ambas de Ponta Grossa, que vão analisar a questão.

Crime

Apologia ao nazismo é crime previsto no art. 20 da Lei n. 7.716/89 do Código Penal, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. Se a apologia é realizada por meio de fabricação, comercialização, distribuição ou veiculação de símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que usem a suástica ou gamada, a pena é maior (§1º do mesmo art.20).

(Reportagem: Bem Paraná)

Redação

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