Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito em carta divulgada nos EUA, contesta o resultado eleitoral e promete liderar a oposição do exterior - Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou “presidente eleito” do Brasil em uma carta divulgada por aliados nesta quarta-feira (28). Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25), ele afirmou que pretende comandar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
O documento foi distribuído por aliados da família Bolsonaro que estão nos Estados Unidos, entre eles o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula. Na manifestação, Flávio voltou a questionar o resultado eleitoral e acusou instituições brasileiras de perseguirem adversários políticos, mas não apresentou provas das alegações.
A primeira versão da carta circulou com um brasão antigo do Brasil, utilizado entre 1889 e 1968. Posteriormente, os aliados divulgaram uma nova versão com o símbolo oficial correto. O episódio ocorreu depois que o senador chegou a Miami, após deixar o território brasileiro pela fronteira com a Argentina.
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Na carta, Flávio afirmou que pretende manter sua atuação política mesmo fora do país. Ele também convocou parlamentares e governadores aliados a participarem da articulação, com menção especial ao senador Rogério Marinho (PL-RN), apontado por ele como candidato à presidência do Senado.
O senador declarou que fará manifestações regulares e pretende apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição. Segundo ele, a iniciativa buscará reunir apoiadores por meios que classificou como pacíficos e legítimos. Entretanto, não detalhou as ações previstas nem informou quando pretende voltar ao Brasil.
A decisão de permanecer nos Estados Unidos contrasta com declarações anteriores do parlamentar. Na véspera, ele havia sinalizado que desistiria de contestar a eleição e que não deixaria o país. Integrantes da campanha também tentaram convencê-lo a recuar de declarações anteriores sobre a derrota eleitoral.
Ao justificar a viagem, Flávio negou que tenha fugido do Brasil e atribuiu sua saída ao que considera perseguição política. “não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirmou. Ele também declarou que levou a família aos Estados Unidos por considerar que o país oferece maior segurança jurídica.
A carta retoma acusações contra o processo eleitoral e concentra críticas em decisões judiciais relacionadas ao segundo turno. Flávio contestou a ampliação do horário de votação e alegou que a medida favoreceu Lula. No entanto, o aumento da votação de um candidato entre os turnos não constitui, por si só, evidência de fraude.
O senador também acusou a campanha petista de abuso de poder político e econômico e de uso da máquina pública. Na avaliação dele, essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. A manifestação, porém, não apresentou provas que sustentassem as acusações.
Flávio ainda criticou o Supremo Tribunal Federal e afirmou que o Judiciário tenta limitar a atuação da oposição. Ele relacionou as medidas judiciais impostas contra si a uma suposta perseguição política. Também declarou temer que as restrições avancem para outras medidas, como tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar ou condenação.
O senador chegou a Miami nesta quarta-feira, depois de sair do Brasil pela fronteira argentina e embarcar em um avião particular. A aeronave fez uma escala no Equador antes de seguir para os Estados Unidos. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes de Flávio.
A decisão faz parte de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. A medida judicial não equivale a uma ordem de prisão. Flávio nega irregularidades no caso.
Na carta, o parlamentar agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao governo norte-americano pela acolhida de sua família. Ele também agradeceu ao presidente argentino, Javier Milei, pela passagem pelo país. Trump havia afirmado na terça-feira (27) que aprovaria a entrada do senador nos Estados Unidos, embora dissesse desconhecer seu paradeiro.
Flávio não informou se pretende solicitar asilo político nem apresentou uma previsão para retornar ao Brasil. Ao encerrar a manifestação, afirmou que continuará atuando politicamente a partir do exterior e que considera sua disputa ainda em andamento.
Leia abaixo a carta na íntegra:
Com informações: Folha de São Paulo
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