Renan Nogueira Farah, advogado de defesa dos quatro homens indiciados pelo quádruplo homicídio em Icaraíma, assina nota à imprensa (Foto Reprodução/Rede Social)
A defesa dos quatro homens indiciados pelo quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, divulgou uma nota após a Polícia Civil concluir o inquérito que apurou as mortes de Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira.
Os advogados afirmam que aguardavam havia muito tempo o encerramento da investigação e questionam a duração do procedimento, enquanto os clientes permanecem presos preventivamente.
Na nota à imprensa, nesta terça (27), a defesa sustenta que a demora configurou constrangimento ilegal. Os advogados argumentam que a complexidade do caso não elimina a obrigação de respeitar a duração razoável da investigação, especialmente quando há pessoas privadas de liberdade.
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“Na avaliação da defesa, a demora excessiva para encerrar a investigação, com os investigados presos preventivamente, configurou constrangimento ilegal”, diz o documento assinado pelos advogados Renan Nogueira Farah e Jéter Lailton Ferreira Tovani.
A defesa afirma que aguardará a manifestação do Ministério Público e eventual oferecimento de denúncia. Também informa que se pronunciará sobre as acusações no momento oportuno e ressalta que o indiciamento não significa reconhecimento de culpa, com a presunção de inocência mantida.
A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito sobre o crime ocorrido em 5 de agosto de 2025, na zona rural de Icaraíma. Foram indiciados Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo. Os quatro seguem presos preventivamente.
O delegado Thiago Andrade, da Polícia Civil de Icaraíma, afirmou que a apuração exigiu centenas de diligências e trabalho integrado de diferentes forças de segurança.
“Ao longo de mais de um ano de investigação, foram realizadas centenas de diligências que permitiram reconstruir toda a conduta criminosa”, declarou o delegado.
Segundo a investigação, as quatro vítimas foram atraídas a uma propriedade rural sob o pretexto de resolver uma disputa financeira ligada ao encerramento de um negócio imobiliário. A dívida era representada por dez notas promissórias, que totalizavam R$ 255 mil.
Conforme a Polícia Civil, as vítimas foram surpreendidas por uma emboscada e mortas a tiros. Depois, os corpos e o veículo usado por elas foram escondidos em compartimentos subterrâneos clandestinos. A apuração também identificou ações destinadas a ocultar o crime e dificultar o trabalho dos investigadores.
Os quatro homens foram indiciados por homicídio qualificado, por quatro vezes, ocultação de cadáver, também por quatro vezes, associação criminosa e fraude processual.
Com a conclusão da investigação, os autos foram encaminhados ao Ministério Público, que deverá analisar as provas e avaliar as providências cabíveis. A Polícia Civil informou que os trabalhos continuam para apurar a possível participação de outras pessoas no crime, inclusive em atividades relacionadas à execução, ao apoio logístico e à ocultação de vestígios.
O indiciamento encerra a etapa de investigação policial em relação aos quatro suspeitos, mas não representa condenação criminal. Caberá ao Ministério Público avaliar se apresenta denúncia à Justiça.
(Com informações da Polícia Civil do Paraná)
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