Anvisa proíbe tiras de glicemia falsificadas e interdita medicamento usado em quimioterapia
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta quinta-feira (22) medidas contra produtos falsificados e determinou a interdição de um lote de medicamento por suspeita de problemas de qualidade. As decisões envolvem tiras para medição de glicemia da marca Accu-Chek Active, um suplemento alimentar NAC, da Lauton, e o medicamento injetável Fauldleuco.
No caso das tiras de glicemia e do suplemento alimentar, as medidas foram tomadas após as empresas responsáveis identificarem produtos falsificados comercializados em plataformas de vendas pela internet.
Já o medicamento Fauldleuco, fabricado pela Libbs Farmacêutica, teve um lote interditado preventivamente após a identificação de suspeita de partículas estranhas em unidades do produto.
Anvisa proíbe tiras de glicemia falsificadas vendidas na Amazon
A Anvisa proibiu a comercialização, distribuição, importação e utilização de tiras reagentes Accu-Chek Active falsificadas, identificadas em anúncios na plataforma Amazon.
Segundo a agência, a Roche Diabetes Care Brasil Ltda., responsável pelo produto original, encontrou tiras com características diferentes das versões legítimas.
Entre as irregularidades identificadas estão a ausência da embalagem externa original e a presença da inscrição em inglês “ONLY FOR GOVERNMENT TENDER”, que significa “destinado exclusivamente a licitações governamentais”.
A proibição atinge os produtos falsificados identificados nos seguintes anúncios:
- Tiras Accu-Chek Active C/50: https://www.amazon.com.br/dp/B07MM6FK8H
- Kit Tiras Medidor Glicemia Accu-Check Active 100 Unidades: https://www.amazon.com.br/dp/B0FKZGV4H9
A medida se refere aos produtos falsificados identificados pela fabricante, e não a todas as tiras Accu-Chek Active disponíveis no mercado.
Suplemento NAC também tem lote falsificado
Outra medida anunciada pela Anvisa envolve o suplemento alimentar NAC (N-Acetil L-Cisteína), da marca Lauton, comercializado na plataforma Shopee.
A agência determinou a interdição cautelar do lote 11-2025, com validade até novembro de 2026, após a fabricante informar que os produtos identificados pertenciam a um lote falsificado.
Com a decisão, ficam proibidos a venda, a distribuição e o uso dos produtos desse lote.
A restrição é específica para o lote identificado, não abrangendo automaticamente todos os suplementos NAC ou os demais produtos da marca Lauton.
Medicamento utilizado em quimioterapia tem lote interditado
A Anvisa também determinou a interdição cautelar do lote 25D0808 do medicamento Fauldleuco (folinato de cálcio), na apresentação de 10 mg/mL, solução injetável, fabricado pela Libbs Farmacêutica Ltda.
A medida foi tomada após suspeita de desvio de qualidade relacionado à presença de material particulado em unidades do lote.
O Fauldleuco é utilizado no tratamento de anemia megaloblástica e como parte do suporte à quimioterapia para câncer colorretal.
A interdição cautelar é uma medida preventiva e temporária, adotada enquanto são realizados testes, análises e outras verificações para esclarecer possíveis problemas de qualidade.
Durante esse período, o lote interditado não deve ser comercializado nem utilizado até que sua segurança seja comprovada e a restrição seja revista pela autoridade sanitária.
A Anvisa não informou, nos comunicados apresentados, se houve pacientes prejudicados pelo uso dos produtos.
As determinações constam nas resoluções RE 4.143/2026, RE 4.147/2026 e RE 4.150/2026, publicadas no Diário Oficial da União.
Resposta da Libbs
A Libbs procurou OBemdito na tarde desta quinta-feira (22) e, às 14h42 disponibilizou uma nota sobre o caso. Leia abaixo na íntegra:
“A Libbs informa que tomou conhecimento da interdição cautelar do lote 25D0808 de Fauldleuco® 10 mg/mL solução injetável, frasco de 30 mL, e está adotando todas as medidas necessárias em atendimento à determinação da Anvisa. A medida é preventiva e restrita exclusivamente ao lote mencionado.
A Libbs esclarece que o material particulado observado no Fauldleuco® corresponde, conforme a investigação técnica da empresa, à formação de cristais do próprio princípio ativo do medicamento, o folinato de cálcio. Esse fenômeno pode ser favorecido por fatores como variações de temperatura durante o armazenamento.
Reforçamos que, caso o profissional da saúde identifique a formação de cristais, o medicamento não deve ser administrado ao paciente, conforme descrito em bula.
A Libbs reforça seu compromisso com a qualidade, a segurança e a eficácia de seus medicamentos e seguirá acompanhando o tema junto à Anvisa e às demais autoridades competentes.”
(Com informações da Anvisa)
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