Quase 400 presos fazem vestibular da UEL em unidades penais do Paraná
A educação tem sido uma das ferramentas utilizadas pelo sistema penitenciário paranaense para ampliar as oportunidades de reintegração social. Nos dias 18 e 19 de outubro, 390 pessoas privadas de liberdade participaram das provas do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aplicadas em unidades penais de Londrina.
O processo seletivo ocorreu nas penitenciárias estaduais de Londrina I, II e III, no Centro de Ressocialização de Londrina (Creslon), na Cadeia Pública de Londrina e no Complexo Social. Os candidatos concorrem a vagas em cursos de diferentes áreas, como Direito, Jornalismo, Pedagogia, Enfermagem, Administração, História, Agronomia, Engenharia Civil e Serviço Social.
Para Lisiane Haag Antonelli, chefe da Seção de Educação e Capacitação da Polícia Penal do Paraná (PPPR), o número de participantes demonstra a consolidação das políticas educacionais no sistema penitenciário.
Segundo ela, o acesso ao ensino superior pode ampliar as perspectivas de futuro e contribuir para a redução da reincidência criminal. A preparação também reforça o papel das parcerias entre o sistema penitenciário e as instituições de ensino.
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Preparação ocorre durante todo o ano
O acompanhamento dos candidatos é coordenado pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professor Manoel Machado, com participação dos pedagogos e professores das unidades penais.
Ao longo do ano, os estudantes recebem orientação em sala de aula e materiais preparatórios. As apostilas oficiais da UEL são reproduzidas e distribuídas aos inscritos, que contam com apoio pedagógico para organizar os estudos.
A diretora-geral do Ceebja, Ivoneide Parra, explica que a preparação também contempla as obras literárias exigidas no vestibular. A instituição viabilizou a aquisição dos livros, trabalhados pelos professores em atividades como resenhas, rodas de conversa e debates.
O processo inclui ainda uma rede de colaboração entre os próprios custodiados. Pessoas que já concluíram o ensino superior ou participaram de vestibulares anteriores atuam como monitores nos estudos realizados nas celas. Professores voluntários de um cursinho pré-vestibular da UEL também contribuem com palestras e orientações temáticas.
Estudo pode abrir caminhos após a pena
A iniciativa busca ampliar o acesso à educação e criar condições para que os participantes construam novas trajetórias depois do cumprimento da pena. Além do aprendizado, o estudo pode contribuir para a remição da pena, conforme as regras aplicáveis a cada modalidade.
Ivoneide relata que estudantes destacam a importância das atividades educacionais para o desenvolvimento pessoal e para a aprendizagem. Ela também cita casos de pessoas que concluíram cursos superiores, deixaram o crime e ingressaram no mercado de trabalho em profissões como enfermagem, administração e advocacia.
Para a PPPR, a parceria com instituições de ensino fortalece as ações de ressocialização e amplia as possibilidades de retorno à sociedade. A proposta é garantir condições para que pessoas privadas de liberdade tenham acesso ao conhecimento e possam construir alternativas para o futuro.
(Com informações da Agência Estadual de Notícias)
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