Umuarama

Produtores rurais cobram a Copel em Umuarama e Sindicato ameaça ir à Justiça por falta de energia

A falta de energia elétrica em propriedades rurais do Noroeste do Paraná levou produtores a cobrar providências da Copel em uma reunião realizada nesta sexta-feira (16), em Umuarama. Pecuaristas e avicultores relataram prejuízos na produção, gastos extras com combustível e equipamentos danificados, além da dificuldade para obter respostas sobre as interrupções no fornecimento.

O encontro reuniu produtores, representantes do Sindicato Rural de Umuarama e integrantes da companhia. A conversa ocorreu após uma sequência de temporais que provocou danos à rede elétrica e deixou propriedades sem abastecimento por vários dias.

Para o presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Sidney Lujan, a situação exige uma resposta rápida. Ele afirmou que a entidade pretende acompanhar as reclamações dos produtores e buscar soluções junto à Copel. Caso as reivindicações não sejam atendidas, o sindicato poderá recorrer à Justiça.

“Estamos em contato direto com a Copel, por meio dos superintendentes que estão aqui, e vamos resolver o problema através da Justiça caso não sejamos atendidos”, declarou Lujan.

Segundo ele, a falta de energia compromete atividades essenciais nas propriedades, com reflexos no abastecimento de água e na alimentação dos animais. O sindicato também pretende registrar as reclamações e buscar apoio do Procon, se necessário.

LEIA TAMBÉM: Copel sob pressão: há dias sem energia, consumidores questionam serviço após privatização

Copel cria canal direto para atender produtores

Durante a reunião, o gerente executivo do Departamento de Operações de Campo da Regional Noroeste da Copel, Ricardo Carvalho, afirmou que a companhia enfrenta a quarta semana consecutiva de eventos climáticos, com pouco intervalo entre uma ocorrência e outra.

Segundo ele, a sequência de temporais dificulta a recuperação completa da rede antes de novos danos. Carvalho garantiu, porém, que as equipes continuarão trabalhando até que todos os consumidores afetados tenham o fornecimento restabelecido.

“Não vamos parar nossas equipes até que 100% do pessoal esteja religado”, afirmou. O representante também informou que a empresa abriu um canal de comunicação direto com os produtores que participaram do encontro. A proposta é reunir os casos pendentes, envolver técnicos e gestores e oferecer atendimento individualizado.

Carvalho reconheceu que o aumento no volume de solicitações dificulta a prestação do atendimento habitual. Ele defendeu, no entanto, que os consumidores continuem registrando protocolos pelos canais oficiais da companhia.

O presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Sidney Lujan, afirmou que a entidade acompanhará as reclamações e poderá recorrer à Justiça caso os problemas não sejam resolvidos

Produtora relata sete dias sem energia

Entre os relatos apresentados está o de Cassiane Izafanelli de Pierre Mendes, que afirmou estar há sete dias sem energia na Fazenda Nova Carimã, na região de Mata Grande, a cerca de sete quilômetros de Roberto Silveira.

A propriedade trabalha com pecuária e depende de uma bomba elétrica para levar água de um poço artesiano até o reservatório. Sem eletricidade, o sistema deixou de funcionar e o reservatório ficou vazio, segundo a produtora.

Ela também relatou a perda de alimentos armazenados para os funcionários e disse que já havia registrado dois protocolos de reclamação, sem obter uma solução até o momento da reunião.

O caso ilustra como a interrupção do fornecimento afeta mais do que a rotina doméstica. Nas propriedades rurais, a energia é necessária para manter sistemas de abastecimento, equipamentos e diferentes etapas da produção.

Avicultora acumula gastos com diesel e manutenção

A produtora Maria Zilda Pego Navaz, de 53 anos, que trabalha com avicultura, relatou outro problema. Segundo ela, as oscilações frequentes no fornecimento obrigam a manter um gerador em funcionamento para preservar as condições necessárias nos aviários.

A avicultora estima ter gasto cerca de R$ 7 mil com diesel neste ano, sem contar os custos de manutenção do equipamento. Ela afirmou que o sistema automático do gerador apresentou defeito e que agora precisa acioná-lo manualmente.

A produtora também relatou que as oscilações prejudicam equipamentos dos barracões, como os exaustores, essenciais para a atividade. Em uma das ocorrências, segundo ela, foi necessário baixar a cortina do aviário após uma falha no gerador, situação que comprometeu o lote de frangos.

Além dos custos adicionais, Maria Zilda criticou a dificuldade para obter respostas depois de registrar reclamações. “Você está no prejuízo e ninguém te atende. E a conta para pagar nós temos”, afirmou.

Produtores rurais cobram medidas para normalizar o fornecimento de energia elétrica no campo e reduzir os prejuízos causados pelas interrupções prolongadas na região de Umuarama

Cadastro pode priorizar consumidores que dependem de aparelhos médicos

Durante a reunião, Ricardo Carvalho também reforçou a importância de manter atualizados os cadastros de consumidores que dependem de aparelhos elétricos essenciais à sobrevivência, como equipamentos de suporte à vida.

Segundo ele, essa informação permite identificar esses clientes e priorizar o atendimento em situações de interrupção. A companhia também orienta que consumidores com geradores ou sistemas de energia solar mantenham seus dados atualizados.

Carvalho afirmou que hospitais, unidades básicas de saúde e clientes que utilizam aparelhos de suporte à vida integram a ordem de prioridade das equipes.

Quem ainda estiver sem energia deve registrar um protocolo pelos canais oficiais da Copel. Caso encontre dificuldades no atendimento, poderá procurar a gerência local da companhia, segundo a orientação apresentada durante o encontro.

Representantes da Copel ouviram as reclamações dos produtores rurais e anunciaram a criação de um canal direto de comunicação para acompanhar os casos e buscar soluções para os problemas relatados

Sindicato promete acompanhar as reclamações

Sidney Lujan afirmou que o Sindicato Rural está aberto para receber os produtores afetados e centralizar as reivindicações. A intenção é estabelecer uma interlocução permanente com a Copel para cobrar respostas e acompanhar cada situação.

O presidente também destacou que os prejuízos podem atingir diretamente a produção e o bem-estar dos animais, tornando urgente a recuperação do fornecimento.

A reunião terminou com o compromisso de manter o diálogo entre produtores e representantes da companhia. A efetividade do canal criado e a solução dos casos pendentes deverão indicar se as medidas anunciadas serão suficientes para reduzir os problemas relatados na região.


Para registrar reclamações, comunicar interrupções no fornecimento ou solicitar ressarcimento por danos em equipamentos, a Copel disponibiliza múltiplos canais de atendimento gratuitos ao consumidor paranaense. A população pode entrar em contato de forma rápida pelo telefone 0800 51 00 116, enviar uma mensagem de WhatsApp para o número (41) 3013-8973 ou utilizar o aplicativo Copel Mobile (disponível para Android e iOS) para relatar a falta de energia em tempo real.


(Com informações e imagens de Danilo Martins/OBemdito)

Rudson de Souza

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