Amazonas registra 540 focos de incêndio causados por ação humana em apenas dois dias
O Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio entre sábado (10) e domingo (11), um número que equivale a mais de 60% de todas as ocorrências detectadas durante outubro de 2025. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e mostram um avanço das queimadas no estado, que já enfrenta problemas com a qualidade do ar e mantém 36 municípios em situação de emergência.
Somente no sábado (10), foram identificados 494 focos de incêndio, o maior número diário registrado desde o início deste mês. Para comparação, em 10 de outubro de 2025, o Inpe não havia detectado novos focos no território amazonense.
Ao longo de todo o mês de outubro do ano passado, foram contabilizados 874 focos em 31 dias. Isso significa que os registros dos últimos dois dias representam aproximadamente 61,8% daquele total.
Ministros sobrevoam áreas atingidas pelas queimadas
No domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas atingidas pelos incêndios no Amazonas.
Durante o monitoramento, foram identificados focos de fogo em regiões florestais de difícil acesso, o que dificulta o trabalho das equipes de combate.
Capobianco afirmou que os incêndios podem estar relacionados a ações humanas intencionais. Segundo o ministro, como o fogo não surge espontaneamente nas condições naturais do bioma amazônico, há suspeitas de que as queimadas estejam sendo provocadas para degradar a vegetação e preparar áreas para futuros desmatamentos.
“É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, declarou o ministro.
Fumaça provoca alerta de saúde em Manaus
Além da destruição ambiental, os incêndios têm provocado consequências para a população devido à fumaça que se espalha pela região.
Na sexta-feira (9), a Defesa Civil de Manaus emitiu um alerta de risco à saúde em razão dos níveis elevados de poluição atmosférica.
A situação também levou ao reconhecimento emergencial da situação de emergência em 36 municípios amazonenses, permitindo a mobilização de recursos e equipes para atender as localidades afetadas.
A fumaça das queimadas representa um risco especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Força-tarefa mobiliza aeronaves e brigadistas
Uma força-tarefa formada pelos governos federal, estadual e municipais atua no combate aos incêndios e no atendimento à população.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) enviou seis aeronaves para a região, sendo quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, e dois helicópteros. A operação também conta com 290 brigadistas.
Segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, os equipamentos são preparados especificamente para o combate a incêndios florestais.
“São aeronaves muito específicas e apropriadas para o combate ao incêndio florestal. Cada aeronave dessas lança cerca de 3 mil litros de água”, explicou.
No domingo (11), dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) também chegaram ao Amazonas para reforçar a operação, a pedido da Defesa Civil.
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atua nos municípios que declararam situação de emergência, oferecendo apoio à assistência médica da população afetada.
O ministro Waldez Góes destacou que o trabalho envolve tanto o combate direto às chamas quanto o atendimento humanitário.
“Uma coisa é empregarmos, enquanto governos federal, estadual e municipal, todas as forças que pudermos para apagar o fogo. A outra é assistir às pessoas que estão precisando de ajuda humanitária e assistência médica por causa dos incêndios”, afirmou.
Os dados sobre os focos de incêndio podem ser consultados no painel de queimadas do Inpe.
(OBemdito e Agência Brasil)
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