Aquarela transforma talento de artista em negócio com clientes em todo o Brasil
A aquarela entrou na vida de Giselly Auzier quando ela precisou desacelerar e encontrar uma nova forma de ocupar as noites de insônia. Os desenhos feitos durante a recuperação de um burnout acabaram revelando uma habilidade que mudaria sua trajetória profissional.
Formada em Administração e com experiência na área, Giselly, 35 anos de idade, passou a se dedicar à pintura e hoje utiliza a aquarela na criação de convites e outros trabalhos para clientes de diferentes cidades do Brasil.
Os casamentos representam cerca de 90% dos pedidos, mas sua produção também inclui aniversários, batizados, eventos corporativos e, mais recentemente, convites para chá de despedida de solteira.
A partir do perfil dos noivos e do local escolhido para a cerimônia, ela desenvolve uma identidade que pode aparecer no convite e também em diferentes elementos da celebração, como lembrancinha e menu.
“Comecei a desenhar e fazer lettering com o objetivo de aliviar a pressão, como um respiro, um alívio mental mesmo. Aos poucos, aquilo foi ganhando espaço na minha rotina”, conta.
“Hoje, olhando para trás, acho curioso pensar que algo que começou como uma válvula de escape acabou abrindo um caminho profissional que eu não imaginava seguir. Estou realizada!”

Aquarela conta a história dos noivos
O trabalho começa muito antes do pincel tocar o papel. Giselly procura entender as expectativas do casal, o local da cerimônia e os elementos que fazem sentido para aquela celebração.
Se o casamento será na praia, por exemplo, a paisagem e os elementos do litoral podem aparecer na composição.
Para um casal do Pará, a proposta ganhou ainda mais significado. Giselly pintou duas construções icônicas: o Palácio São Brás, onde será realizada a festa, e a Igreja Santo Alexandre, escolhida para a cerimônia. As duas aquarelas passaram a orientar a identidade visual das peças produzidas para o evento.

“Quando eu desenho ou pinto uma obra renomada, existe um significado muito especial nisso. Não é apenas reproduzir um monumento ilustre, mas entrar em contato com uma memória, com um tempo e com tudo o que aquele lugar representa”, explica.
Segundo ela, esse processo exige um esforço a mais: pesquisar, buscar referências. “Isso faz com que o resultado alcance ainda mais valor para mim, porque deixa de ser só uma imagem e passa a ser também uma chance de contemplar, interpretar e preservar a história.”

Do papel às paredes
A identidade criada por Giselly pode acompanhar diferentes momentos da preparação e da celebração. O desenho feito para o convite pode aparecer novamente em outras peças, permitindo uma unidade visual para o evento.
A criatividade dos clientes também amplia as possibilidades. “Até uma mala eu pintei”, exclama, quando lembra ter feito a identidade visual para um chá de despedida de solteira.
O resultado de cada encomenda depende da proposta. A mesma técnica usada no papel pode ganhar dimensões maiores e ocupar paredes.
Giselly também trabalha com pinturas murais, levando para grandes superfícies o mesmo cuidado com a composição e atenção aos detalhes presentes nas aquarelas.

Da administração para a arte
A mudança de profissão não aconteceu de uma hora para outra. Giselly atuava na área de sua formação quando decidiu parar para fazer mestrado em Gestão Pública. Foi durante esse período, há dez anos, que enfrentou a síndrome de burnout.
Na recuperação, nos momentos em que precisava encontrar uma maneira de ocupar a cabeça, começou a desenhar. Primeiro vieram os elogios de parentes e amigos. Depois, os primeiros sinais de que a aquarela seria uma boa oportunidade de empreender.
“Comecei a trabalhar muito cedo, aos 15 anos, então quando iniciei o mestrado, em 2016, eu já tinha cerca de 10 anos de experiência profissional. E foi justamente durante os estudos e a dissertação que eu redescobri a arte.”

Estudar é preciso
Depois de concluído o mestrado, Giselly ainda tentou voltar ao mercado de trabalho. Conseguiu um novo emprego, mas permaneceu pouco tempo. Enquanto trabalhava, os pedidos de arte continuavam aumentando.
Até que as contas começaram a mostrar uma possibilidade que ela ainda não havia considerado: a atividade artística poderia ser sua principal fonte de renda. Foi então que tomou a decisão de empreender.
“A graduação na Universidade Federal do Pará me ensinou a olhar minha arte de forma mais estratégica e centrada, a encarar como um negócio que precisa ser organizado e sustentável”, afirma.
Na visão da artista, buscar o saber acadêmico é fundamental. “Nem sempre você vai trabalhar exatamente na área ou no cargo que imaginava, mas o conhecimento nos ajuda a progredir”, argumenta a pintora que revela uma paixão especial por aquarela botânica.

Arte e empreendedorismo
A experiência como administradora passou, obviamente, a fazer parte da nova carreira, desenvolvida em um ateliê montado em seu apartamento. Giselly não ficou apenas com a criação artística.
Ela precisou aprender a converter o talento em serviço, organizar pedidos, conversar com clientes, definir prazos, calcular custos, enfim, gerenciar um negócio.
Por isso, diz que a Administração está muito mais presente no seu dia a dia do que parece. “Não estou como colaboradora de uma empresa, mas como empresária formal, mesmo me dedicando à arte.”

Um jeito particular de expressar
Praticada com prazer e técnica aprimorada em cursos e oficinas, a aquarela passou a conciliar duas expectativas de Giselly: renda e satisfação pessoal. Hoje, ela diz que gosta do que faz e se sente realizada com a escolha.
“A arte me proporciona algo que vai muito além da renda, sabe? Ela me dá sentido. É uma forma de colocar no mundo aquilo que eu observo, sinto e enxergo de um jeito muito particular.”
E tem mais um adjetivo que destaca: a beleza de produzir memória. “Um aspecto muito bonito no meu trabalho é perceber que o que eu crio passa a fazer parte da história de outras pessoas. Uma pintura que saiu das minhas mãos pode representar um casamento, uma família, uma lembrança, um lugar importante.”

De Belém para Umuarama
Natural de Belém do Pará, Giselly chegou a Umuarama em 2022. Mas a mudança não limitou o alcance do trabalho. Boa parte dos clientes ainda está no Norte, enquanto novos pedidos chegam de outras regiões brasileiras por meio das redes sociais.
A internet acabou funcionando como uma vitrine para uma produção que não depende da proximidade geográfica. Um casal pode estar a milhares de quilômetros de Umuarama e, ainda assim, contratar Giselly para produzir toda a identidade visual do casamento.
Por aqui, a lista de clientes também cresce. “Umuarama me acolheu muito bem desde que cheguei. Acredito que eu fui me permitindo conhecer as pessoas, participar e construir meu espaço. Fui me envolvendo e me desenvolvendo até me sentir mais pertencente à cidade.”
A adaptação aconteceu também pela identificação com o ritmo de vida. Depois de viver em uma grande capital, Giselly encontrou em Umuarama uma rotina mais tranquila e uma qualidade de vida que, segundo ela, contribuiu para que se sentisse em casa. “É uma cidade muito boa para viver!”.
A experiência na área empresarial ganhou ainda outro espaço em Umuarama. Giselly preside o Conjove – Conselho do Jovem Empresário, órgão ligado à Associação Comercial de Umuarama. “Onde posso colaborar, procuro estar presente.”

“Caramba, fui eu que fiz isso?”
No papel, Giselly pinta lugares e momentos marcantes para outras pessoas. Na prática, construiu uma profissão a partir de uma habilidade que descobriu quando precisou olhar para outro lado.
A aquarela, que apareceu primeiro para preencher noites difíceis, acabou abrindo uma nova frente profissional. E hoje viaja de Umuarama para diferentes cidades do país, em papel, paredes, convites e, principalmente, nas histórias de quem está começando uma nova vida a dois.
“Acho interessante quando a arte me permite o encontro entre sensibilidade e conhecimento. Enquanto eu pinto, sempre lembro que não estou olhando só para formas e cores, mas para significados, símbolos e para tudo o que aquela obra carrega ao longo do tempo.”
O prazer de criar, muitas vezes, acaba surpreendendo até ela própria. “Olho para o papel e me pergunto: ‘Caramba, fui eu que fiz isso?’ (risos) Mesmo depois de tantos anos, ainda me encanto!”.
== Para encomendar – whatsapp 44 9 9954-7664.





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