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Delegado revela detalhes de grupo que vendia cocaína por delivery em Umuarama

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Publicado em 7 de outubro de 2026 às 11h38 - Modificado em 7 de outubro de 2026 às 11h38

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) revelou nesta quarta-feira (7) detalhes da investigação que levou à Operação Beverly Hills, em Umuarama. O delegado Rodrigo Costa Azevedo Couto explicou o funcionamento do grupo durante uma coletiva de imprensa.

Responsável pelo Setor de Narcóticos, Couto afirmou que a organização investigada movimentava entre 2 e 4 quilos de cocaína por mês. Segundo ele, o volume poderia representar uma movimentação de até R$ 200 mil mensais.

A operação investiga os crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Sete pessoas foram presas durante a ação realizada em diferentes bairros de Umuarama.

Segundo o delegado, a Polícia Civil cumpriu seis mandados de prisão preventiva e nove mandados de busca e apreensão. Uma sétima prisão ocorreu em flagrante durante o cumprimento das ordens judiciais.

Leia também: Influenciadora digital é apontada como líder de organização suspeita de traficar cocaína em Umuarama

Delegado explica estrutura da organização

Durante a coletiva, Couto afirmou que a investigação identificou uma estrutura organizada dentro do grupo. Cada integrante exercia uma função específica no esquema de distribuição da cocaína.

“Existia uma pessoa, algumas pessoas ali que ficavam em regime de plantão operando o telemóvel, no qual eles recebiam os pedidos dos clientes”, explicou o delegado.

Segundo ele, outro núcleo ficava responsável pela guarda, pelo fracionamento e pela entrega das drogas. A investigação também identificou integrantes responsáveis pela movimentação financeira.

“Conseguimos capturar também ali o núcleo responsável pelo recebimento dos pedidos de cocaína”, afirmou Couto. Ele explicou que o grupo mantinha pessoas de plantão para atender os pedidos.

A organização estabelecia prazo de 25 a 30 minutos para as entregas. O delegado classificou a estrutura como organizada e afirmou que o grupo adotava cuidados para dificultar a ação policial.

Cocaína era distribuída por delivery

Couto explicou que o grupo não mantinha um ponto fixo para comercializar a droga. Toda a distribuição ocorria por meio de um sistema de delivery.

“Eles não entregavam diretamente ao consumidor final: eles costumavam deixar essa droga em pontos”, afirmou o delegado.

Segundo ele, os integrantes deixavam as porções em locais previamente definidos. Depois, enviavam fotografias aos compradores para indicar onde a droga estava escondida.

Os pontos poderiam ser árvores ou outros esconderijos nas ruas. A estratégia reduzia o contato direto entre os integrantes da organização e os consumidores.

O grupo também evitava transportar grandes quantidades de cocaína. Os entregadores levavam somente a porção solicitada pelo comprador.

Grupo atendia toda a cidade

Durante a coletiva, o delegado afirmou que a investigação não identificou um bairro específico como área de atuação. Segundo ele, a distribuição alcançava diferentes regiões de Umuarama.

“Eles entregavam para toda a cidade e para pessoas de todas as classes sociais”, disse Couto.

O delegado afirmou que a investigação identificou compradores de diferentes perfis. Segundo ele, entre os clientes havia pessoas consideradas de alto poder aquisitivo.

“Não, não. Eles não têm um bairro, digamos assim, de atuação”, explicou. Ele reforçou que o modelo de delivery permitia atender diferentes regiões da cidade.

Influenciadora é apontada como líder

A Polícia Civil aponta uma influenciadora digital como possível líder da organização. Segundo o delegado, ela utilizava as redes sociais para comercializar produtos importados do Paraguai.

Couto afirmou que essa atividade funcionava como uma espécie de fachada. Ele ressaltou, porém, que a própria comercialização dos produtos apresentava indícios de irregularidade.

“Ela efetivamente vendia mesmo: vendia perfumes, vendia mota elétrica, produtos importados ali do Paraguai”, explicou.

Segundo o delegado, o mesmo telefone usado para administrar a atividade comercial também era utilizado na organização do tráfico. A investigação aponta que as duas atividades poderiam se misturar.

“A gente acredita que essas atividades se misturavam”, afirmou Couto. Ele disse que a suspeita utilizava o telefone e as redes sociais para as duas atividades.

Marido teria retomado atividade após prisão

O marido da investigada também é apontado como integrante da liderança. Segundo Couto, ele deixou a prisão há cerca de três meses.

O delegado afirmou que o homem cumpria pena por tráfico de drogas. A investigação também encontrou mensagens relacionadas à possível retomada das atividades criminosas após sua saída.

“Quando ele saísse, ele ficaria responsável por essa atividade”, afirmou Couto. Segundo ele, a mulher permaneceria ligada à venda de cosméticos e produtos importados.

O delegado explicou que o casal teria dividido as funções dentro do esquema. A investigação aponta a mulher como responsável pela liderança e pela atividade de fachada.

Investigação não encontrou grandes estoques

Apesar da operação, a Polícia Civil não realizou grandes apreensões de cocaína nesta quarta-feira. Segundo o delegado, isso ocorreu porque a líder não mantinha a droga diretamente sob sua posse.

“A líder não pegava nas drogas. Ela tinha pessoas que forneciam para ela”, explicou Couto.

Segundo ele, os fornecedores entregavam a droga diretamente aos responsáveis pelo armazenamento. Essas pessoas cuidavam do acondicionamento, fracionamento e comercialização.

A investigação também não conseguiu realizar grandes apreensões em ações anteriores relacionadas ao grupo. Couto afirmou que a organização adotava uma estrutura que dificultava a localização dos estoques.

Celulares ajudaram a investigação

O delegado explicou que a Polícia Civil utilizou ferramentas de investigação para reunir elementos contra os suspeitos. Entre as principais fontes estavam celulares apreendidos em prisões realizadas nos últimos meses.

“A materialidade vem através de ferramentas de investigação que nós temos, de análise de aparelhos telemóveis”, afirmou.

Segundo Couto, a análise das mensagens permitiu identificar integrantes e estabelecer as funções exercidas por cada um. Os dados também ajudaram a relacionar os investigados ao tráfico de drogas.

“Conseguimos delinear bem ali a função de cada um neste contexto”, disse o delegado.

Justiça bloqueou até R$ 1,8 milhão

Além das prisões, a Polícia Civil solicitou medidas para atingir o patrimônio dos investigados. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 1,8 milhão em contas bancárias.

Os investigadores também apreenderam um veículo ligado aos líderes da organização. A Justiça determinou ainda o bloqueio de um imóvel relacionado à investigada.

Segundo Couto, outros veículos e imóveis vinculados aos investigados também foram incluídos nas medidas. A ação busca alcançar recursos que possam ter relação com o tráfico.

Operação apreendeu produtos do Paraguai

A Polícia Civil também apreendeu mercadorias que eram comercializadas pela influenciadora. Segundo Couto, os produtos seriam provenientes do Paraguai e não tinham documentação fiscal.

“O material foi apreendido, mas como é um crime de competência da Polícia Federal, esse material será encaminhado para a Receita”, explicou.

O delegado informou que o procedimento relacionado ao descaminho será encaminhado à Polícia Federal. A investigação sobre o tráfico continuará sob responsabilidade da Polícia Civil.

Grupo movimentava até R$ 200 mil

Segundo o delegado, a organização comercializava exclusivamente cocaína. A estimativa é de movimentação entre 2 e 4 quilos da droga por mês.

“Somente cocaína, como dito, de 2 a 4 kg de cocaína ali por mês”, afirmou Couto.

Considerando o volume máximo estimado, o delegado calcula uma movimentação potencial de aproximadamente R$ 200 mil mensais. O valor representa a dimensão financeira atribuída ao esquema investigado.

A operação resultou na prisão das principais lideranças apontadas pela investigação. Segundo Couto, a ação também atingiu os núcleos responsáveis pelas vendas, logística e movimentação financeira.

Influenciadora perdeu seguidores após operação

Durante a coletiva, o delegado também comentou a presença da investigada nas redes sociais. Segundo ele, ela tinha aproximadamente 10 mil seguidores antes da operação.

“Até ontem nós tínhamos consultado, ela tinha ali em torno de 10.000 seguidores”, afirmou.

Couto disse que a conta perdeu entre 3 mil e 4 mil seguidores após a deflagração da operação. A investigação continua para esclarecer a participação individual dos envolvidos.

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