Política

Veja quem são os 30 deputados federais eleitos para representar o Paraná, em Brasília

O Paraná definiu neste domingo (4) os 30 deputados federais que representarão o Estado na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027. O resultado produziu uma bancada politicamente diversificada, mas com forte presença de partidos de direita e centro-direita, ao mesmo tempo em que o PT ampliou sua representação e colocou cinco nomes entre os eleitos.

Com 100% das urnas apuradas, Jeffrey Chiquini (Novo) protagonizou o principal resultado individual. O advogado recebeu 425.399 votos, a maior votação para deputado federal da história do Paraná. Guilherme Kilter (Novo), com 269.832, e Sargento Fahur (PL), com 242.643, completaram as três maiores votações. 

A composição partidária ajuda a entender o recado das urnas. PL e PT elegeram cinco deputados cada; Novo, PSD e PP ficaram com quatro cadeiras cada; União Brasil, Republicanos e Podemos conquistaram duas vagas cada; PV e MDB elegeram um representante. Considerando as federações, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, ficou com seis cadeiras, assim como a Federação União Progressista, de PP e União Brasil. 

Novo tem os dois campeões de votos

O Novo foi um dos grandes destaques da eleição paranaense. Além de Chiquini e Kilter nas duas primeiras posições, elegeu Henrique Mecabô, com 65.706 votos, e Paulo Martins, com 44.029. Juntos, os quatro dão ao partido uma bancada com perfil predominantemente liberal na economia e conservador em questões políticas e de costumes. 

Chiquini construiu a campanha com forte discurso crítico ao Supremo Tribunal Federal e ao funcionamento do sistema de Justiça. Kilter, vereador de Curitiba, também se identifica com o campo conservador e evangélico, com atuação especialmente voltada à educação, segurança e questões sociais. Durante a campanha, defendeu ainda uma renovação da atuação política da bancada evangélica. 

Paulo Martins retorna à Câmara, onde já exerceu mandato, com uma trajetória ligada à direita conservadora. Henrique Mecabô completa o grupo de quatro eleitos pelo Novo e chega à Câmara pela primeira vez.

PL elege cinco e mantém força da direita

O PL também terá cinco deputados paranaenses. Sargento Fahur liderou a votação do partido, com 242.643 votos, seguido por Rosangela Moro, com 146.417. Foram eleitos ainda Vermelho, com 72.166; Delegado Francischini, com 53.207; e Ricardo Arruda, com 51.663. 

O grupo apresenta forte identidade com pautas conservadoras. Segurança pública é um dos principais eixos de Fahur e Delegado Francischini. Ricardo Arruda tem trajetória associada ao conservadorismo nos costumes, enquanto Rosangela Moro construiu atuação também ligada a políticas sociais e direitos das pessoas com deficiência.

A bancada do PL deverá integrar um campo de oposição à esquerda no Congresso e terá interlocução direta com o grupo político bolsonarista. Nacionalmente, o partido saiu das urnas como a maior bancada da Câmara, com 121 dos 513 deputados. 

PT também chega a cinco cadeiras

No outro polo político, o PT elegeu Ana Júlia, Zeca Dirceu, Renato Freitas, Carol Dartora e Arilson Chiorato. Aliel Machado, do PV, completa a representação da Federação Brasil da Esperança, elevando o grupo para seis parlamentares paranaenses. 

Ana Júlia foi o principal nome petista nas urnas, com 184.691 votos. Aos 26 anos, chega à Câmara depois de exercer mandato na Assembleia Legislativa. Sua trajetória está associada à educação pública, juventude, direitos das mulheres e dos trabalhadores e saúde mental. 

Zeca Dirceu foi reeleito com 160.650 votos e mantém uma trajetória de forte presença no interior do Estado, com atuação municipalista e articulação de recursos federais. Renato Freitas, eleito com 115.227 votos, leva para Brasília uma atuação política ligada às pautas sociais, direitos humanos e questões raciais.

Carol Dartora, com 101.823 votos, foi reeleita. Professora e historiadora, tem entre suas principais áreas de atuação educação, igualdade racial, direitos das mulheres, direitos LGBTQIA+, cultura e direitos humanos. Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT paranaense, completa a bancada petista. 

Aliel Machado, do PV, recebeu 118.691 votos e conquistou novo mandato. Sua atuação parlamentar transita por educação, desenvolvimento regional, cultura, ciência e tecnologia e políticas sociais. Em 2026, por exemplo, apresentou proposta relacionada a programas de prevenção da violência e cultura de paz. 

PSD mantém quatro representantes

O PSD elegeu Beto Preto, Paranhos, Leandre e Luizão Goulart. É uma bancada de perfil mais municipalista e administrativo, ligada politicamente ao grupo do governador Ratinho Junior.

Beto Preto foi o mais votado do partido, com 177.032 votos. Ex-secretário estadual da Saúde e ex-prefeito de Apucarana, mantém a saúde pública como uma de suas principais áreas de atuação e integra a Comissão de Saúde da Câmara. 

Paranhos, ex-prefeito de Cascavel, chega à Câmara levando uma trajetória ligada à administração municipal e ao Oeste do Paraná. Leandre, reeleita com 90.185 votos, tem atuação histórica em políticas sociais, saúde e proteção de crianças, mulheres e idosos. Luizão Goulart, professor e ex-prefeito de Pinhais, retorna à Câmara. 

PP e União formam outro bloco numeroso

PP e União Brasil, que integram a Federação União Progressista, somaram seis cadeiras. Pelo PP foram eleitos Ricardo Barros, Toninho Wandscheer, Tião Medeiros e Marcelo Belinati. Pelo União Brasil, Delegado Matheus Laiola e Paulo Litro. 

O grupo tem perfil bastante ligado ao municipalismo, infraestrutura, saúde e setor produtivo. Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde e ex-prefeito de Maringá, permanece como um dos políticos mais experientes da bancada. Marcelo Belinati, médico e ex-prefeito de Londrina, chega com uma trajetória diretamente relacionada à gestão municipal e à saúde.

Tião Medeiros tem atuação associada ao agronegócio, infraestrutura e desenvolvimento regional, enquanto Toninho Wandscheer possui longa experiência parlamentar e municipalista. Paulo Litro mantém forte base política no Sudoeste do Paraná.

Matheus Laiola apresenta um perfil mais específico: a proteção animal tornou-se sua principal identidade política. Na atual legislatura, destinou recursos e apresentou iniciativas relacionadas à defesa, bem-estar e direitos dos animais. 

Agronegócio também mantém representação

O Republicanos conquistou duas vagas com Pedro Lupion e Newton Bonin. Lupion, reeleito com 109.874 votos, é um dos principais representantes do agronegócio paranaense no Congresso e integra a Comissão de Agricultura da Câmara. Agropecuarista e empresário, tem trajetória diretamente vinculada ao setor produtivo rural. 

Newton Bonin, empresário ligado a Umuarama e fundador da Beautycolor, foi eleito com 54.935 votos. Depois de ficar na suplência em 2022 e chegar a exercer temporariamente o mandato, assumirá agora como titular. Sua eleição amplia a representação política do Noroeste paranaense. 

O MDB terá apenas Sergio Souza, eleito com 69.791 votos. O parlamentar possui forte ligação com o agronegócio e o cooperativismo. Já presidiu a Comissão de Agricultura e a Frente Parlamentar da Agropecuária e é vice-presidente da Frente Parlamentar do Cooperativismo. 

O Podemos completa a bancada com Felipe Francischini, reeleito com 106.907 votos, e Da Costa do Perdeu Piá, vereador de Curitiba que chega à Câmara após receber 86.070 votos. Francischini tem experiência em temas jurídicos, constitucionais e de segurança pública; Da Costa construiu sua projeção principalmente na política municipal e nas redes sociais. 

Direita forte, mas bancada permanece plural

A fotografia final das urnas mostra que o Paraná continuará enviando a Brasília uma bancada majoritariamente situada entre o centro e a direita, mas com um núcleo de esquerda numericamente relevante. Novo e PL, somados, terão nove deputados. PT e PV terão seis. PSD, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e MDB ocupam as demais 15 cadeiras. 

Há também uma renovação parcial. Dos 30 deputados eleitos, 16 foram reeleitos e apenas quatro são mulheres. Ao mesmo tempo, nomes como Jeffrey Chiquini, Guilherme Kilter, Ana Júlia, Renato Freitas, Paranhos, Marcelo Belinati e Newton Bonin alteram a composição da representação paranaense em Brasília. 

A votação recorde de Chiquini e o desempenho de Kilter e Fahur mostram a força do eleitorado conservador. Por outro lado, a eleição de cinco deputados do PT — incluindo Ana Júlia e Renato Freitas — demonstra que a esquerda preservou uma base eleitoral significativa no Estado.

O resultado produz uma bancada com polos ideológicos bastante definidos, mas também com um amplo grupo de parlamentares de perfil municipalista e setorial. Segurança pública, agronegócio, saúde, educação, direitos sociais, proteção animal, conservadorismo nos costumes e críticas ao Judiciário aparecem entre as principais agendas que os 30 paranaenses deverão levar à Câmara a partir de 2027.

Os 30 deputados federais eleitos pelo Paraná

Jeffrey Chiquini (Novo) – 425.399 votos
Guilherme Kilter (Novo) – 269.832 votos
Sargento Fahur (PL) – 242.643 votos
Ana Júlia (PT) – 184.691 votos
Beto Preto (PSD) – 177.032 votos
Zeca Dirceu (PT) – 160.650 votos
Rosangela Moro (PL) – 146.417 votos
Aliel Machado (PV) – 118.691 votos
Renato Freitas (PT) – 115.227 votos
Delegado Matheus Laiola (União Brasil) – 113.690 votos
Pedro Lupion (Republicanos) – 109.874 votos
Felipe Francischini (Podemos) – 106.907 votos
Carol Dartora (PT) – 101.823 votos
Paranhos (PSD) – 99.070 votos
Ricardo Barros (PP) – 94.050 votos
Leandre (PSD) – 90.185 votos
Paulo Litro (União Brasil) – 88.601 votos
Toninho Wandscheer (PP) – 88.157 votos
Da Costa do Perdeu Piá (Podemos) – 86.070 votos
Tião Medeiros (PP) – 85.951 votos
Marcelo Belinati (PP) – 83.906 votos
Arilson Chiorato (PT) – 77.671 votos
Vermelho (PL) – 72.166 votos
Sergio Souza (MDB) – 69.791 votos
Henrique Mecabô (Novo) – 65.706 votos
Luizão Goulart (PSD) – 63.480 votos
Newton Bonin (Republicanos) – 54.935 votos
Delegado Francischini (PL) – 53.207 votos
Ricardo Arruda (PL) – 51.663 votos
Paulo Martins (Novo) – 44.029 votos.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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