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Nem Requião pai nem Beto Richa: ex-governadores fracassam na tentativa de voltar a Brasília

Nem Requião pai nem Beto Richa: ex-governadores fracassam na tentativa de voltar a Brasília
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Publicado em 5 de outubro de 2026 às 13h20 - Modificado em 5 de outubro de 2026 às 13h20

Dois ex-governadores do Paraná que tentavam cadeiras no Congresso, em Brasília, saíram frustrados nas eleições deste domingo (4). Roberto Requião (PDT) e Beto Richa (PSDB), que na soma comandaram o Estado por cinco mandatos, não conseguiram uma das 30 cadeiras reservadas ao Paraná na Câmara dos Deputados.

O resultado chama atenção pelo peso político dos dois nomes. Requião e Richa protagonizaram diferentes períodos da política paranaense e acumularam passagens por outros cargos importantes. Desta vez, porém, a votação individual de ambos não foi suficiente para garantir presença na próxima legislatura.

Roberto Requião recebeu 79.921 votos, correspondentes a 1,29% dos votos válidos para deputado federal. Mesmo com votação superior à de alguns candidatos eleitos, ficou fora da composição da nova bancada paranaense por causa das regras do sistema proporcional e do desempenho de seu partido.

Nas eleições para deputado federal, não basta estar entre os 30 candidatos individualmente mais votados. A distribuição das cadeiras considera inicialmente os votos obtidos pelos partidos e federações e, posteriormente, a votação dos candidatos, conforme as regras dos quocientes eleitoral e partidário e da distribuição das sobras.

Aos 85 anos, Requião possui uma das trajetórias mais longevas da política paranaense. Governou o Paraná em três oportunidades, foi senador e prefeito de Curitiba. Em 2026, tentou retornar à Câmara dos Deputados, Casa em que já havia exercido mandato no início de sua carreira política.

Beto Richa também não conseguiu renovar o mandato. Candidato pelo PSDB, o ex-governador recebeu 58.946 votos, equivalentes a 0,95% dos votos válidos. O desempenho da Federação PSDB-Cidadania acabou sendo determinante para que ele ficasse sem uma das cadeiras destinadas ao Paraná.

Richa exerce atualmente o mandato de deputado federal e, com o resultado deste domingo, deixará a Câmara ao término da atual legislatura, no início de 2027. Ele governou o Paraná entre 2011 e 2018 e também foi prefeito de Curitiba, deputado estadual e vice-prefeito da capital.

Outro nome histórico da política estadual, Álvaro Dias (MDB), não chegou a disputar as eleições de 2026. O ex-governador chegou a se movimentar para concorrer a uma das duas vagas do Paraná ao Senado e apareceu na liderança de pesquisas realizadas durante a fase de pré-campanha.

Em 3 de agosto, entretanto, Álvaro anunciou que não seria candidato. Na ocasião, afirmou não haver condições políticas para viabilizar sua candidatura dentro da composição que estava sendo construída. Ex-governador e ex-senador, ele construiu uma das carreiras eleitorais mais extensas da política paranaense.

O resultado das eleições produz, assim, uma situação simbólica no cenário estadual. Roberto Requião, Beto Richa e Álvaro Dias, três ex-governadores que estiveram no centro das disputas políticas do Paraná durante décadas, estarão sem mandato eletivo a partir de 2027.

A nova configuração representa também uma mudança geracional na representação política paranaense. Álvaro governou o Estado entre 1987 e 1991, Requião ocupou o Palácio Iguaçu em três mandatos e Beto Richa comandou o Paraná por dois períodos consecutivos, entre 2011 e 2018.

A eleição de 2026, portanto, não definiu apenas os 30 representantes do Paraná na Câmara dos Deputados. O resultado também marca a ausência de três personagens que ocuparam o Palácio Iguaçu e tiveram participação central na política estadual e nacional ao longo das últimas décadas.

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Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.