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Argentina fecha 31,3 mil empresas sob Milei e perde 245,6 mil empregos formais

Argentina fecha 31,3 mil empresas sob Milei e perde 245,6 mil empregos formais
Argentina fechou 31.342 empresas e perdeu 245,6 mil empregos formais durante o governo Javier Milei, segundo levantamentos da Fundar e do Cepa - Foto: reprodução/redes sociais
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Publicado em 6 de outubro de 2026 às 12h49 - Modificado em 6 de outubro de 2026 às 12h49

A Argentina fechou 31.342 empresas durante o governo de Javier Milei, segundo levantamento do centro de pesquisas Fundar. O número representa uma redução de 6,1% das companhias registradas no país.

No mesmo período, a economia argentina perdeu 245,6 mil postos de trabalho privados formais. A redução corresponde a 3,9% das vagas existentes antes do início do levantamento.

Os dados analisados pela Fundar abrangem o período entre novembro de 2023 e junho de 2026. Novembro corresponde ao mês anterior à posse de Milei na Presidência.

Número de empresas cai a níveis da pandemia

O estudo aponta que a redução no número de empresas alcançou patamares semelhantes aos registrados durante a pandemia. A retração atingiu 14 dos 18 setores analisados pela pesquisa.

“Se observarmos os dados do governo Milei, vemos que, durante essa gestão, a quantidade de empresas caiu tanto quanto na pandemia”, afirma o informe Monitor Mensal de Empresas, da Fundar.

A redução das empresas também teve reflexos sobre o mercado de trabalho. O levantamento aponta queda no número de empregos formais do setor privado durante o período analisado.

Trabalho autônomo ganha espaço

Segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), a perda de empregos formais foi parcialmente compensada pelo crescimento do trabalho autônomo.

O número de trabalhadores por conta própria aumentou em 169 mil pessoas no período. O crescimento chegou a 8,3% nessa modalidade de trabalho.

“Os empregos perdidos são parcialmente substituídos por atividades desprotegidas”, afirma o relatório do Cepa. A entidade relaciona o avanço do trabalho autônomo à redução das vagas formais.

A taxa de desemprego também aumentou na Argentina. Segundo cálculo baseado em dados do Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec), o indicador subiu 0,3 ponto percentual no primeiro semestre de 2026.

Inflação cai, mas atividade econômica perde força

A redução das empresas e dos empregos ocorreu enquanto a Argentina registrou forte queda na inflação anual. O índice caiu de 289% em abril de 2024 para 33,5% em agosto deste ano.

Economistas citados no levantamento avaliam que a estabilidade dos preços apresenta fragilidades. Entre os fatores apontados estão o corte de gastos, os empréstimos do Fundo Monetário Internacional e a valorização do peso.

O economista Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas, afirma que a política cambial tem efeitos sobre a indústria argentina.

“A moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial”, afirmou Gala. Segundo ele, o país enfrenta contração industrial e perda de empregos.

“Estamos vendo agora a contração industrial, perda de empregos industriais, desemprego com quase 8% e o crescimento perdendo muito fôlego”, acrescentou.

A dívida externa argentina também aparece entre os fatores de preocupação apontados nas análises. O estoque citado no levantamento chega a US$ 350 bilhões, cerca de R$ 1,80 trilhão.

The Economist critica cenário econômico

As políticas econômicas de Milei também receberam críticas de publicações internacionais. Entre elas está a revista britânica The Economist, conhecida por defender reformas econômicas liberais.

Em editorial recente, a publicação afirmou que os salários reais continuam abaixo do nível registrado no início do governo Milei. O texto também apontou redução das vagas formais.

Segundo a revista, a administração argentina demonstra resistência em reconhecer efeitos negativos das medidas anti-inflacionárias sobre o crescimento econômico.

“Os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”, afirmou o editorial.

“Milei se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento”, acrescentou a publicação.

Milei rebate críticas e defende corte de subsídios

Milei contesta as avaliações negativas sobre sua política econômica. O presidente argentino destaca indicadores de exportações, consumo privado e controle da inflação.

O governo também aponta o crescimento de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) argentino em 2025. Para Milei, os números indicam resultados positivos de sua política econômica.

O presidente também questionou os dados relacionados ao fechamento de empresas e ao mercado de trabalho. Segundo ele, uma retração generalizada das empresas provocaria aumento expressivo do desemprego.

Milei defende ainda a redução dos subsídios e critica empresários dependentes de recursos públicos. Em uma de suas manifestações, afirmou que os “capitalistas de compadrio precisam falir”.

O cenário econômico argentino reúne, portanto, indicadores distintos. A inflação recuou de forma expressiva, enquanto levantamentos apontam redução de empresas e empregos formais.

Com informações: Banda B

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