Valdir Miranda de Souza Publisher do OBemdito

Eleições e ilusões: E Umuarama que já elegeu três deputados estaduais na mesma legislatura…

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Valdir Miranda de Souza - OBemdito
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 12h06 - Modificado em 28 de setembro de 2026 às 12h06

Levanto os olhos para a “folhinha” (1) fixada na parede e percebo que falta uma semana para o País selar o seu futuro, pois no domingo que vem (4/10) é dia de eleições.  Como sou caseiro, vou procurar me ater ao que interessa mais de perto para nós, eleitores de Umuarama. Calejado por tantas campanhas e eleições, me pego, já na véspera da votação, sem ter um candidato definido, e isso é profundamente lamentável. 

Caminho pelas ruas da cidade e vejo tanta propaganda eleitoral, com um sem número de candidatos com seu “apêlo” ao eleitor, qual bandeiras agitadas num estranho festival (recorro a Orestes Barbosa nos seus versos da inesquecível canção Chão de Estrelas) e não me identifico com nenhum deles. Sei que as “promessas” desses candidatos virarão trapos coloridos (ainda lembrando a música referida) iguais suas bandeiras que, ao sabor do vento, atrapalham até mesmo o caminhar do pobre e desesperançado eleitor.

E Umuarama que já chegou a eleger três deputados estaduais para uma mesma legislatura (Dr. Nelson Vasconcellos, Romero Filho e Dr. Tuguio Setogutte, aos quais ainda se juntava Nilton Barbosa, da vizinha Alto Piquiri), pode, mais uma vez, ficar sem representante “nato” na Assembleia Legislativa. Até temos um ou dois candidatos que, em outras circunstâncias, teriam chance e seriam capazes de bem representar o município. No cenário que se apresenta atualmente, é quase uma missão impossível algum nome conseguir aglutinar apoios e votos necessários para ser eleito.

Num verdadeiro milagre da multiplicação, brotaram candidaturas locais que nenhum eleitor por menos atento que seja seria capaz de imaginar. Esse é o pior resultado do que podemos chamar de vazio de lideranças políticas que acomete Umuarama nos últimos anos. O último deputado estadual genuinamente umuaramense (2) foi Fernando Scanavaca. Isso faz dez anos.

Como polo regional, com o expressivo e cobiçado colégio eleitoral, Umuarama não merece esse quadro que nos apresenta nos momentos eleitorais. Perdemos a liderança regional e disso se aperceberam as velhas raposas da política do Estado.

Hoje temos deputados estaduais com reduto eleitoral fora até mesmo da nossa região que se acha no direito de dizer que “sou deputado de Umuarama porque fiz isso ou aquilo”. Isso não é nem pobreza de espírito, é miséria mesmo. Culpa desse deserto de lideranças locais que se instalou em nosso município.

Estou errado? Vejam quantos candidatos à deputado federal dos quais nunca nem ouvimos uma mísera menção, fazer a fatídica “dobradinha” com um “candidato” a deputado estadual por Umuarama, do qual pouco ou nada se sabe também.

E é de chorar ao perceber que todos os candidatos, indistintamente, não apresentam nada de novo, nem mesmo na propaganda, como bem observou o amigo radialista e colunista Aragão Filho. Percebe-se, claramente, que se eles não apresentam nada de novo é por que não sabem o que faz um deputado (esse negócio de enviar ambulância, viatura policial, ônibus escolar, verbas para esporte e hospitais é balela pura).

Repito, existem exceções (uma ou duas, quando muito). Mas,  no meio desse turbilhão de candidaturas locais e de candidatos paraquedistas usando os famosos “líderes” de bairro e outros que tais a distribuir santinho pela cidade, nomes com potencial ou capacidade intelectual que poderiam representar o município na Assembleia Legislativa veem suas chances reduzidas.

Umuarama, eleitoralmente, está pagando um preço alto pelo desinteresse em discutir política, de formar novas lideranças – coisa que não se faz do dia para a noite. Enquanto isso vemos outros centros regionais avançarem mais e melhor do que  nós. Tantos rostos novos e desconhecidos (uns nem tão desconhecidos assim) expostos nessas propagandas que se vê por aí, lamentavelmente não representa renovação política para Umuarama. A absoluta maioria é de outras regiões. Triste.

E assim, como tantos outros eleitores, caminho com meu título de eleitor entre as bandeirolas desfraldadas em busca de um futuro para nossa cidade, mas esse horizonte mostra-se agora tão distante. O voto não passa de ilusão de mais uma eleição.

(1) A “folhinha” é um antigo calendário mensal ou anual distribuído antigamente pelas empresas comerciais, principalmente, e que ajudavam as famílias a acompanharem os dias do mês.

(2) Candidato nato ou genuíno a que me refiro, é aquele que iniciou a vida política aqui. Nada contra políticos de fora que fixaram residência em Umuarama e estão em campanha dizendo ser daqui. Acho apenas que o foco da campanha deles devia ser outros, não ficar batendo na tecla “eu sou de Umuarama” – o que por si só pode até não mostrar o real potencial dessa candidatura.

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