Pietro exibe sua medalha de ouro, que trouxe do Brasileiro de Judô: sonho realizado - Fotos: Graça Milanez/OBemdito
A medalha de ouro conquistada no Campeonato Brasileiro de Judô, em agosto, tem um significado especial para o judoca Pietro Lucas Silva Monteiro, 30 anos. Além de representar o resultado de uma preparação intensa, o título coloca o nome de Umuarama no lugar mais alto do pódio nacional pela primeira vez na modalidade.
Paulistano, o atleta chegou à cidade em 2023 e, depois de um período afastado das competições, voltou a fazer do judô parte importante da rotina. “Quando eu cheguei aqui, voltei a fazer o que amo”, conta.
Pietro e a esposa Jéssica deixaram São Paulo em busca de novos ares e de uma vida mais tranquila. “Lá é muita loucura”, conta. Em Umuarama, diz que encontrou o que procurava: uma cidade receptiva, com boa qualidade de vida e, além disso, espaço para retomar os treinos.
Judoca desde os 9 anos, uma das primeiras providências ao chegar foi procurar um lugar para voltar a praticar o esporte. “Encontrei e fui muito bem recebido”, exclama, referindo-se à academia ProSport, do sensei Marco Suguimati.
E o compromisso com o esporte continuou, com treinos cada vez mais acirrados. Até que no dia 15 de agosto de 2026 conquistou o Ouro, em Vila Velha-ES. “Assim que coloquei a medalha pensei: ‘hoje eu posso dizer que sou campeão brasileiro’. Foi um sonho realizado. Foi uma emoção indescritível.”
A relação com o judô começou em 2005, ainda na infância, por uma razão de saúde. Pietro tinha asma e recebeu do pediatra a indicação para praticar uma atividade física. Em seguida, foi parar em um projeto social ligado ao judoca Aurélio Miguel, medalhista olímpico e campeão mundial.
O que começou como uma atividade para melhorar seu bem-estar e ocupar o tempo livre logo ganhou outro sentido. Dois anos depois, Pietro já participava de competições, entre elas o Torneio Periquito, promovido pelo Palmeiras.
Leia também: Do tatame à arbitragem: Marco Suguimati conquista graduação nacional B no judô.
Os pais, que inicialmente viam o judô como uma atividade de promoção de saúde e lazer, perceberam o potencial do filho. Por isso, decidiram investir na preparação esportiva. “Nos treinos, eu era o primeiro a chegar e o último a sair. E assim segui.”
A dedicação começou a produzir resultados. Em 2012, Pietro se classificou para o Campeonato Paulista. Não conquistou o título, mas chamou a atenção pelo desempenho. No ano seguinte, recebeu uma bolsa para ingressar no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, onde passou a integrar a equipe de base.
No Pinheiros, clube poliesportivo de referência no esporte brasileiro, o judoca viveu uma fase de preparação mais estruturada. Além dos treinos, passou a contar com acompanhamento psicológico e fisioterapêutico. A rotina incluía duas sessões de treinamento por dia e participação constante em competições.
Em 2014, conquistou o Campeonato Paulista. Vieram outros resultados importantes e, naquele período, Pietro chegou ao que considera o ápice da primeira fase de sua trajetória esportiva. Mas a carreira no judô acabou sendo interrompida.
Ele ingressou no Exército, onde permaneceu por oito anos. Foi cabo e, durante esse período, também estudou, formando-se em curso técnico de Desenho e Projeto Mecânico. Posteriormente, trabalhou e acumulou experiência profissional até decidir deixar a carreira militar.
Em 2023, deu baixa no Exército e mudou-se com a esposa para Umuarama. Atualmente, trabalha em uma fábrica de equipamentos para academias de musculação, a Romano Equipamentos, onde é gerente de produção. Paralelamente, retomou os treinos e as competições.
A volta ao judô competitivo começou a render resultados já em 2023, quando Pietro conquistou a medalha de bronze no Paraná Combate. Em 2024, veio a prata na mesma competição. No ano seguinte, o atleta ganhou o Campeonato Paranaense Sênior.
Em 2026, voltou ao pódio do Paraná Combate, desta vez com a medalha de bronze. Mas o resultado que mudou o patamar da trajetória veio poucas semanas depois.
No fim de agosto, Pietro conquistou a medalha de ouro no Campeonato Brasileiro de Judô. A competição reuniu atletas de todo o país, e a delegação do Paraná contou com apenas 15 judocas. Com o título, ele se tornou o primeiro atleta de Umuarama a conquistar um campeonato brasileiro na modalidade.
A medalha, que exibe com orgulho, também representa uma espécie de confirmação da decisão de voltar a competir. Hoje, Pietro ocupa a quarta colocação no ranking nacional de sua categoria. Dessa forma, já projeta o próximo passo: disputar o Campeonato Sul-Americano no ano que vem.
A faixa-preta também faz parte dessa nova etapa. Pietro conquistou a graduação em 2025, justamente no ano em que decidiu aumentar o ritmo de preparação. Fez cursos, intensificou os treinamentos e participou de competições por diferentes cidades do Paraná. “Rodei o Estado inteiro”, conta.
A rotina atual exige disciplina. Ele faz musculação cinco vezes por semana e treina judô outras quatro. Para manter o desempenho, conta com o apoio da esposa, do chefe Edvagner Ferreira, dos treinadores Sérgio Suguimati (Stay Fit) e Marco Segumati (Prosport) e do médico especialista em performance esportiva, Tales Lopes.
“Sei que, sem essas pessoas ao meu lado, eu não estaria onde estou hoje. Cada uma, à sua maneira, me ajuda a seguir, a treinar e a buscar sempre um pouco mais”, diz em tom de agradecimento.
A experiência acumulada desde os primeiros anos de competição, somada ao período em que ficou afastado dos tatames, também ajudou a mudar a maneira como encara o esporte. “Hoje tenho outra cabeça para competir. A maturidade também faz diferença dentro do tatame.”
A carreira competitiva ainda está em andamento, mas Pietro já pensa no que pretende fazer depois dela. No futuro próximo, quer trabalhar profissionalmente com judô. Além disso, pretende criar um projeto social para crianças.
A ideia tem relação direta com a própria história. Ele entrou no esporte por meio de um projeto social, quando ainda era criança, e reconhece o impacto que o judô teve em sua formação. “Quero fazer o que o esporte fez por mim.”
Atualmente, já dá aulas e tem 15 alunos. A eles, quer transmitir valores que considera fundamentais. “Quero inspirar, preparar as crianças para a vida. Isso vai muito além de uma medalha.”
A frase ajuda a explicar por que a medalha de ouro conquistada no Brasileiro representa mais do que um resultado esportivo. Para o judoca que deixou São Paulo em busca de uma vida mais tranquila, retomou a carreira depois de oito anos no Exército e voltou a competir por Umuarama, o pódio nacional é também parte de um caminho que ainda está sendo construído.
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