Capacitação do Cmas reuniu mais de 70 profissionais e conselheiros em Umuarama para discutir direitos humanos, humanização e atendimento no SUAS - Prefeitura de Umuarama
Mais de 70 profissionais e conselheiros da assistência social participaram de uma capacitação realizada em Umuarama. Os encontros ocorreram nos dias 11 e 18 de setembro, no campus III da Universidade Paranaense (Unipar).
A iniciativa foi promovida pelo Conselho Municipal de Assistência Social (Cmas), em parceria com a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Umuarama. A comissão de comunicação, articulação, mobilização e capacitação do conselho preparou a programação.
Participaram conselheiros, trabalhadores de serviços governamentais e representantes de Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Todos integram a rede de atendimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
A capacitação criou um espaço para formação, reflexão e troca de experiências. Os participantes discutiram situações presentes na rotina de trabalho e formas de fortalecer a atuação conjunta da rede.
A proposta também buscou ampliar a garantia de direitos e qualificar o atendimento oferecido à população. Os encontros abordaram questões relacionadas à atuação profissional e às relações estabelecidas nos serviços.
No primeiro encontro, a professora Fernanda Garcia Velasquez conduziu a discussão sobre “Direitos Humanos e seu contexto na prática”. A atividade relacionou conceitos aos desafios enfrentados pelos profissionais.
Entre os assuntos abordados estavam a responsabilidade do servidor público, a Lei Geral de Proteção de Dados (Lgpd) e o sigilo profissional. A garantia de direitos também integrou a programação.
A proposta foi aproximar os conteúdos da realidade encontrada pelos trabalhadores da assistência social. Dessa forma, os participantes puderam refletir sobre responsabilidades presentes no atendimento diário.
No segundo encontro, realizado nesta sexta-feira (18), a professora Débora Mendes Baggio conduziu a palestra “Humanização no atendimento”. Mestre em Psicologia, ela abordou diferentes aspectos das relações profissionais.
A discussão envolveu escuta qualificada, acolhimento, empatia, ética e comunicação. Relações interpessoais e respeito à diversidade também fizeram parte da atividade.
Para Débora, a humanização precisa ultrapassar a ideia de uma qualidade individual dos profissionais. Segundo ela, o conceito deve orientar decisões e práticas dentro das políticas públicas.
“A ‘humanização’ precisa deixar de ser uma virtude moral individual nas políticas públicas e virar posição ética, política e institucional”, explicou.
A professora também relacionou a qualidade do atendimento às formas como profissionais e instituições compreendem pobreza, família, direitos e usuários.
“A desumanização do atendimento nem sempre acontece por desconhecimento das normas, mas porque antigas formas de compreender pobreza, família, direitos e usuários continuam operando dentro das práticas novas”, afirmou.
Durante a capacitação, Débora apresentou marcadores sociais para demonstrar desigualdades existentes no país. Os dados foram utilizados para contextualizar os desafios enfrentados pela política de assistência social.
Segundo os dados apresentados, pessoas pretas e pardas representam 56,5% da população brasileira. Elas correspondem a mais de 70% das pessoas pobres e extremamente pobres, conforme dados do Ibge de 2024.
A professora também apresentou diferenças relacionadas ao gênero e à renda. Segundo os dados citados durante a palestra, a pobreza atinge 28,4% das mulheres e 26,3% dos homens.
Outro dado apresentado aponta diferença na renda média entre trabalhadores. A população ocupada de cor ou raça branca recebia, em média, 69,9% mais que a população preta ou parda.
“Quanto ao gênero, a pobreza atinge mais mulheres (28,4%) do que homens (26,3%). A população ocupada de cor/raça branca ganhava, em média, 69,9% mais do que a de cor/raça preta ou parda”, completou.
Para Débora, compreender esses indicadores ajuda os profissionais a interpretar a realidade atendida pela rede de assistência social. O conhecimento também pode orientar a atuação diante das diferentes situações de vulnerabilidade.
A professora também destacou que humanizar o atendimento não significa apenas modificar a postura individual diante do usuário. Para ela, a mudança precisa alcançar as condições de trabalho e os processos de gestão.
“O oposto de uma prática humanizada é uma prática de objetificação. A humanização precisa alcançar as condições de trabalho e a gestão”, defendeu.
A capacitação reuniu diferentes profissionais que atuam diretamente na rede do SUAS em Umuarama. A diversidade de participantes também favoreceu a troca de experiências entre serviços e instituições.
Ao reunir formação técnica, reflexão e debate, o Cmas buscou fortalecer a articulação entre os integrantes da rede. A iniciativa também tratou da qualificação do atendimento prestado à população.
Com informações: Prefeitura de Umuarama
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