Política

Victor Augusto defende descriminalização da maconha e fala sobre Alzheimer

O cantor, compositor e influenciador digital Victor Augusto foi o nono entrevistado pelo OBemdito na série com candidatos a deputado estadual e federal de Umuarama e região. A entrevista foi realizada nesta quarta-feira e abordou temas como Alzheimer, saúde mental, cuidado familiar, cannabis, idosos, pessoas com deficiência e política.

Aos 35 anos, Victor Augusto é natural de Umuarama e construiu sua trajetória profissional ligada à música e às redes sociais. Casado, ele também atua como cuidador familiar da mãe, Mirian, diagnosticada com Alzheimer precoce em 2019, aos 54 anos.

Atualmente, Victor soma mais de 350 mil seguidores nas principais redes sociais. Segundo ele, a experiência como cuidador ampliou sua atuação na internet e trouxe discussões sobre saúde mental, empatia e as dificuldades enfrentadas por famílias que precisam cuidar de parentes.

Durante a entrevista, o candidato afirmou que é uma pessoa tímida e que participar do processo eleitoral representa um desafio pessoal. Ele contou que nasceu e cresceu em Umuarama e acompanha a mãe diariamente.

“Victor é uma pessoa tímida, acima de tudo. Sou tímido, estar aqui é um desafio”, afirmou.

Segundo Victor, o diagnóstico de Alzheimer da mãe provocou mudanças em sua rotina e fez com que ele conhecesse dificuldades enfrentadas por cuidadores. Entre elas, citou a falta de acessibilidade para quem utiliza cadeira de rodas.

“Foi assim que eu conheci a dificuldade de empurrar uma cadeira de rodas na rua sem sofrer um acidente”, relatou.

Música, cuidado familiar e projeção nas redes sociais

A música acompanha Victor desde a juventude. Ele contou que começou a cantar profissionalmente ainda jovem e passou a realizar apresentações em eventos, casamentos e outras celebrações. Segundo o candidato, foram mais de 500 casamentos, incluindo um da apresentadora que conduziu a entrevista.

A projeção nacional, porém, ganhou força com a internet. Victor relatou que, em 2021, recebeu uma ligação do irmão pedindo ajuda para cuidar da mãe. Naquele período, os dois enfrentavam dificuldades emocionais durante a pandemia.

“Victor, eu não dou conta mais de cuidar da mãe sozinho, eu preciso de ajuda”, contou sobre o pedido feito pelo irmão.

O candidato afirmou que procurou ajuda profissional e passou a dividir o cuidado da mãe com o irmão. Ele começou a fazer viagens entre Umuarama e Maringá para auxiliar a família.

Nesse período, também começou a aprender teclado. A ideia surgiu para tocar músicas que a mãe gostava e utilizar a música como forma de interação durante os cuidados.

Segundo Victor, a doença avançou e a mãe passou a apresentar maior dependência. Ele relatou dificuldades relacionadas à incontinência urinária e à perda progressiva da fala.

O cuidado também levou Victor a conhecer outras famílias e profissionais envolvidos com Alzheimer. A experiência ampliou sua presença nas redes sociais e aproximou o influenciador de outros cuidadores.

Ele afirmou que cerca de 90% do público de suas redes sociais é formado por mulheres com mais de 35 anos. Muitas delas, segundo Victor, são cuidadoras.

Com o avanço da doença, ele também reduziu a exposição da mãe nas redes sociais. O candidato afirmou que passou a priorizar a privacidade e o conforto dela.

“Preservar um pouco dessa imagem dela, dessa privacidade, dar mais conforto pra ela, pra mim é mais prioridade do que gravar vídeos”, disse.

Victor também comparou sua rotina atual à de um profissional que aprendeu, na prática, procedimentos relacionados ao cuidado.

“É quase como se eu fosse um técnico em enfermagem sem curso, só aprendendo com o tempo. Hoje eu troco uma fralda em menos de dois minutos”, afirmou.

Cuidadores, saúde mental e uso medicinal da cannabis

Durante a entrevista, Victor também falou sobre a sobrecarga enfrentada por cuidadores familiares. Ele destacou que muitas pessoas precisam escolher entre trabalhar e acompanhar parentes dependentes.

O candidato afirmou que as mulheres costumam assumir grande parte dessas responsabilidades dentro das famílias. Ele também relatou a experiência de sua própria família no cuidado da avó com Alzheimer.

Segundo Victor, a tia começou a cuidar da avó sozinha. Depois, pediu ajuda aos irmãos e os sete passaram a participar dos cuidados.

Na avaliação dele, essa divisão não acontece em todas as famílias. Por isso, o candidato defendeu maior atenção à saúde mental dos cuidadores e às condições enfrentadas por quem assume essa responsabilidade.

Victor também apresentou sua posição sobre a cannabis. Ele defendeu que o tema seja tratado sob perspectivas de saúde pública, informação e uso medicinal.

“O que eu aprendi nesse processo de cuidar da mãe foi que a maconha não é uma droga, ela é um remédio e ela é pra ser tratada como remédio”, afirmou.

O candidato também defendeu a discussão sobre dependência de álcool e tabaco como uma questão de saúde pública. Ao falar sobre cannabis, afirmou que o debate deve incluir informações sobre possíveis aplicações medicinais.

Victor disse ainda ser favorável à discussão sobre legalização ou descriminalização da maconha. Ao mesmo tempo, afirmou que jovens devem receber orientação sobre os riscos e consequências do uso.

Segundo ele, o debate também precisa abordar pesquisas e tratamentos envolvendo derivados da cannabis. Victor citou o uso de óleo de cannabis em determinadas situações médicas.

Participação em conselho despertou para política

A entrada de Victor na política também passou pela participação em um conselho municipal. Ele contou que participou do Conselho Municipal do Idoso ao lado da esposa, por meio do Lions.

Na função, Victor integrou uma comissão responsável pela fiscalização de Instituições de Longa Permanência para Idosos, conhecidas como ILPIs.

Ele afirmou ter encontrado situações que considera graves durante as fiscalizações. Segundo o candidato, alguns relatos resultaram em processos acompanhados pelo Ministério Público.

Victor também relatou que atuou como relator de um processo que terminou com o fechamento de uma instituição para idosos.

Durante a entrevista, ele citou situações que, segundo seu relato, envolviam preparação de alimentos e produtos próximos do vencimento para aparentar regularidade durante fiscalizações.

Ao abordar o assunto, Victor fez uma ressalva sobre a quantidade de instituições que apresentariam problemas. Ele afirmou não possuir dados para sustentar uma estimativa geral.

O candidato também destacou que encontrou instituições onde funcionários demonstravam dedicação e cuidado com os idosos.

“Eu não tenho esse dado, então não é preciso e não acho também que é tanta casa de repouso assim”, afirmou.

Entrada na política

Victor afirmou que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados após compreender que pessoas com diferentes experiências também podem participar da política.

Segundo ele, sua visão mudou ao perceber que a atuação política pode alcançar temas relacionados ao cotidiano das famílias.

“Primeiramente foi entender que pessoas boas precisam entrar na política”, declarou.

O candidato afirmou que passou a enxergar a atuação de uma pessoa pública também como uma forma de participação política. Para ele, decisões individuais podem produzir efeitos sobre outras pessoas.

Além da experiência no Conselho Municipal do Idoso, Victor citou o debate sobre cannabis e a possibilidade de exploração econômica do cânhamo como uma de suas motivações.

Ele afirmou que pretende discutir possibilidades relacionadas à produção de fibras e materiais para construção. Também defendeu que o tema seja debatido sem preconceitos.

Campanha aposta nas redes sociais e em baixo custo

Durante a entrevista, Victor falou sobre sua estratégia de campanha. Ele afirmou que pretende utilizar principalmente as redes sociais e o contato direto com eleitores.

O candidato disse que recebe apoio espontâneo de pessoas que já acompanhavam seu trabalho como cantor e influenciador. Segundo ele, parte desse público passou a divulgar sua candidatura.

Victor afirmou que não está aceitando doações nem apoio político para sua campanha. Ele também disse que pretende medir a força de sua candidatura a partir do apoio espontâneo dos eleitores.

“Eu não quero entrar devendo favor pra ninguém”, declarou.

Segundo o candidato, o Podemos enviou material de campanha, mas ele pretende evitar gastos elevados com panfletagem. A estratégia, conforme explicou, prioriza as redes sociais e o contato direto.

Victor também afirmou que sua campanha busca defender idosos, pessoas autistas e pessoas com deficiência.

Candidato cita formação do Partido do Autista

Durante a entrevista, Victor também falou sobre sua participação na formação do Partido do Autista. Segundo ele, o grupo já ultrapassou 400 mil assinaturas e busca alcançar o número necessário para a criação da legenda.

Ele afirmou que a previsão apresentada pelo movimento é tentar lançar o partido até 2028. Enquanto isso, o grupo busca alianças com outras siglas.

Victor disse que atualmente concorre pelo Podemos e que pretende continuar defendendo pautas relacionadas às famílias atípicas.

Segundo o candidato, uma eventual mudança de partido durante o mandato dependeria da criação e homologação da nova legenda.

Ele afirmou ainda que o Podemos permitiu que os candidatos tenham liberdade para estabelecer apoios políticos. Victor citou nominalmente Sandro Alex, Requião e Moro durante a entrevista.

O candidato disse que encontrou no movimento pela criação do Partido do Autista uma forma de aproximar pessoas que vivem situações semelhantes.

Para Victor, famílias de pessoas com Alzheimer, autismo ou deficiência enfrentam dificuldades semelhantes em áreas como acessibilidade, terapias e disponibilidade de cuidadores.

Entrevistas seguem até 23 de setembro

A entrevista com Victor Augusto faz parte da série do OBemdito com candidatos a deputado estadual e federal de Umuarama e região. Ao todo, 12 candidatos participam da rodada de entrevistas.

A programação começou no dia 9 de setembro e terá duas entrevistas por dia. As transmissões ocorrem às 12h10 e às 18h30 pelas redes sociais do OBemdito.

As entrevistas seguem até o dia 23 de setembro e podem ser acompanhadas pelo Facebook, Instagram e YouTube do portal.

No encerramento da entrevista, Victor Augusto deixou uma mensagem aos eleitores e pediu apoio à sua candidatura.

“Se você que está nos assistindo é cuidador, tem um familiar com Alzheimer, autismo, alguma deficiência, ou simplesmente acredita que a política precisa de renovação de verdade, sem rabo preso e com empatia real pelas dores das famílias, eu peço a sua confiança e o seu voto”, afirmou.

Veja as entrevistas anteriores da série:

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Alex Nascimento

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