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Do tatame à arbitragem: Marco Suguimati conquista graduação nacional B no judô

Aos 45 anos, Marco Suguimati tem no judô uma trajetória que reúne mais de 100 troféus e medalhas, a faixa preta conquistada há 26 anos, uma escola que mantém há duas décadas e experiências em diferentes lados do tatame.

Neste ano, acrescentou mais uma conquista ao currículo: tornou-se árbitro nacional B, no Campeonato Brasileiro de Judô Sub 13, realizado em Macapá, no Amapá, no início de agosto, com a participação de 500 atletas. A indicação para participar da competição veio da Comissão de Arbitragem do Paraná.

Marco foi o único árbitro do Estado indicado para o campeonato, experiência que considera um dos momentos marcantes de sua trajetória no judô. “Fiquei muito feliz quando recebi a notícia. É o reconhecimento de um trabalho que venho desenvolvendo há muitos anos”, conta.

A promoção representa mais um degrau em uma carreira iniciada na arbitragem em 2002, em competições de nível regional. Dois anos depois, Marco já atuava no circuito estadual como árbitro A. Em 2011, alcançou a graduação de árbitro nacional C e, agora, comemora a chegada ao nível B.

Mega tatame: Marco Suguimati no Campeonato Brasileiro de Judô, na capital do Amapá – Foto: Arquivo pessoal

De aluno aplicado no judô a professor

A evolução na arbitragem acompanha uma história que começou muito antes. Marco entrou no judô aos 10 anos e, desde então, o esporte passou a ocupar diferentes espaços em sua vida. Em 2000, tornou-se o primeiro faixa preta de Umuarama, marco que antecedeu outras funções assumidas dentro da modalidade.

Em 2006, fundou a escola de judô Prosport, onde passou a conciliar a atividade esportiva com o trabalho como professor e empreendedor. É dali que vem sua principal fonte de renda, numa relação pouco comum entre profissão e paixão.

“Eu amo o judô. Ele é meu hobby, minha vida e também minha profissão. É um privilégio poder trabalhar com aquilo que eu gosto”, resume o sensei, que também é professor universitário, com mestrado em Exercício Físico na Saúde.

Em sua escola Marco recebe 250 alunos, sendo 20 deles bolsistas, todos em estado de vulnerabilidade social: não pagam matrícula, nem mensalidade e nem os gastos com competições (inscrição, transporte, hospedagem e alimentação são custeados pela Prosport).

Muito além da competição

Embora a trajetória de Marco seja marcada por títulos, medalhas, competições e graduações, ele faz questão de destacar que não enxerga a arte marcial de Jigoro Kano apenas pelo aspecto competitivo.

Para ele, um dos maiores méritos da modalidade está na formação proporcionada aos praticantes, especialmente às crianças e aos jovens.

Disciplina, respeito, responsabilidade, autocontrole, perseverança e convivência com o outro são alguns dos valores trabalhados diariamente dentro do tatame.

“Todo mundo vê o lado competitivo do judô, mas, para mim, o mais importante é a formação de caráter que ele proporciona”, afirma.

Técnico da Seleção Paranaense de Judô

A visão também ajuda a explicar a longevidade de sua relação com o esporte. Ao longo dos anos, Marco esteve em diferentes posições: foi competidor, professor, técnico e árbitro.

Em 2012, chegou a comandar a Seleção Paranaense de Judô, quando treinou e coordenou 16 atletas que participaram de disputas nacionais.

As mais de 100 medalhas e troféus conquistados em torneios realizados no Paraná são parte desse percurso, mas não representam, para ele, o principal legado deixado pelo esporte que tanto ama.

“Mais importante do que vencer um torneio é o que o judô deixa para a vida. A competição faz parte, mas os valores que a pessoa aprende no tatame ela leva para a vida toda.”

Um sonho por vez

A conquista da graduação de árbitro nacional B abre uma nova possibilidade na carreira. Marco admite que gostaria de chegar ao nível nacional A e, quem sabe, futuramente, alcançar a arbitragem internacional.

A perspectiva, porém, é tratada com a mesma serenidade que ele procura manter em sua atuação dentro e fora do tatame. Não há pressa nem grandes discursos sobre ambição. Há, sobretudo, disposição para continuar aprendendo e trabalhando.

“Claro que quero progredir. Quero chegar ao árbitro nacional A e, quem sabe um dia, à arbitragem internacional. Mas é um sonho por vez”.

Chegada a Macapá

Foi com essa postura que Marco chegou a Macapá para participar do Campeonato Brasileiro. Mais do que uma oportunidade de avançar na carreira, a competição representou a chance de vivenciar uma experiência em um dos principais palcos do judô nacional.

“Foi muito importante. Vivi momentos inesquecíveis e acredito que consegui colaborar e cumprir minhas atribuições com a seriedade e a competência que a função exigia”, avalia.

A nova graduação, portanto, não encerra um ciclo. É mais um passo em uma trajetória iniciada ainda na infância e que, aos 45 anos, continua sendo construída dentro do mesmo esporte que Marco escolheu há 35 anos.

No tatame, como atleta e professor; na mesa de arbitragem, como árbitro; e à frente da Prosport, como empreendedor, ele encontrou diferentes maneiras de permanecer ligado ao judô.

E parece não ter pressa para chegar ao próximo degrau. Afinal, para quem aprendeu desde os dez anos que o judô é feito de disciplina, respeito e evolução contínua, cada conquista tem seu próprio tempo.

== Acompanhe o professor Marco no Instagram /marco_suguimati/

Graça Milanez

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