Umuarama

Moradores protestam na Copel após mais de 50 propriedades ficarem sem luz na zona rural de Umuarama

Moradores da zona rural de Umuarama iniciaram uma manifestação em frente à unidade da Copel na tarde desta quarta-feira (2), cobrando o restabelecimento da energia elétrica. O protesto começou por volta das 13h30 e reuniu famílias das estradas São Tomé, Paraíso e Primavera, que ficam na região entre a Garapeira Primavera e o Haras Two Brothers.

Segundo os moradores, mais de 50 propriedades das três localidades estão sem energia elétrica desde segunda-feira (31). Além dos transtornos dentro das residências, a interrupção já afeta a produção rural, o abastecimento de água e provoca a perda de alimentos.

Roberta Daiane Lupi Carrenho, moradora da Estrada Primavera, contou ao OBemdito que está sem energia desde aproximadamente 14h de segunda-feira. Ela afirma que os moradores fizeram diversos contatos com a Copel, mas ainda aguardavam uma previsão para a normalização do serviço.

“A gente faz, a gente liga, eles abrem o chamado. Aí outra pessoa liga, eles falam que não tem chamado. Em outro momento, a pessoa liga e falam que já deram baixa porque resolveu”, relatou.

Segundo Roberta, alimentos armazenados em geladeiras e freezers já foram perdidos. A situação também preocupa propriedades que mantêm criação de animais e outras atividades que dependem diretamente de eletricidade.

“Carne do freezer já estragou tudo. E aí a gente fica a Deus dará”, afirmou.

Produtora ordenha 16 vacas à mão

Na Estrada Paraíso, a falta de energia alterou completamente a rotina da produtora rural Fernanda Pavani Barbosa, de 36 anos. A família possui 16 vacas leiteiras e, sem eletricidade, está realizando a ordenha manualmente.

O leiteiro, que normalmente recolhe a produção a cada dois dias, passou a ir diariamente à propriedade para evitar que o leite estrague.

“Ontem ele veio fazer um socorro para a gente às três horas da tarde. Eu quase perdi a minha produção. Hoje, às 6h40, ele estava lá para pegar a produção de hoje”, contou.

Fernanda afirma que a ordenha manual também tem provocado desgaste físico. “A minha sorte ainda é que é uma vez só, porque, se fossem duas, a gente não aguenta. Os braços formigam tudo”, relatou.

A produtora disse ter tentado contato com a Copel mais de 15 vezes desde o início do problema. Segundo ela, até o momento da entrevista, não havia recebido previsão para o restabelecimento.

“Já perdi as contas, mais de 15 vezes. Não temos resposta de previsão de volta”, afirmou.

Falta de energia também deixa moradores sem água

Outro problema relatado pelos moradores é a falta de água. Conforme Fernanda, parte das propriedades é abastecida por um poço comunitário que depende de energia elétrica para funcionar.

“A gente tem um poço comunitário e já estamos sem água. O pessoal já está sem água. Criação sem água, a gente sem poder tomar banho”, disse.

Ela relatou ainda que algumas famílias precisaram se deslocar até a cidade para que as crianças pudessem tomar banho. Também há queixas sobre alimentos deteriorados e medicamentos que necessitam de refrigeração.

“Tem gente lá que tem cinco crianças e teve que vir para a cidade para poder tomar banho. A comida está estragando, a carne está estragando, tudo está estragando”, afirmou.

Moradores cobram resposta da Copel

Cerca de dez famílias, além de representantes de propriedades e empresas da região, participavam da mobilização nesta quarta-feira. O grupo se organizou por meio de uma conversa entre moradores e foi até a unidade da Copel em busca de uma resposta.

No momento das entrevistas, os manifestantes aguardavam atendimento de um responsável da companhia. Segundo eles, um chamado de urgência havia sido aberto, mas ainda não havia garantia de quando o fornecimento seria restabelecido.

“A gente está aguardando uma solução, uma resposta, porque ninguém dá resposta para a gente”, afirmou Roberta.

Os moradores dizem que episódios de falta de energia são recorrentes na região e que, em outras ocasiões, também enfrentaram demora de dois ou três dias para a normalização.

Resposta da Copel

Após a entrevista, Roberta recebeu uma mensagem da Central de Atendimento da Copel Agro informando que a ocorrência foi registrada e que equipes técnicas trabalham para restabelecer o fornecimento.

A companhia atribuiu a interrupção às condições climáticas severas registradas nos últimos dias e afirmou inicialmente não ser possível indicar um horário exato para a normalização. Na mesma mensagem, porém, informou previsão inicial de restabelecimento para as 20h26 desta quarta-feira (2).

Os moradores, porém, afirmam que já haviam recebido uma previsão de retorno da energia para as 14h de terça-feira (1º), o que não se concretizou.

(Com fotos de Jaqueline Mocellin/OBemdito)

Luiz Fernando

Luiz Fernando é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e trabalha há cinco anos no portal OBemdito auxiliando na cobertura de notícias em Umuarama e região.

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