Foto: Danilo Martins/OBemdito
Aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo convivem com algum tipo de doença alérgica, e a estimativa da Academia Europeia de Alergia e Imunologia é de que esse número chegue a 4 bilhões até 2050. No Brasil, cerca de 30% da população sofre com algum quadro alérgico, sendo a rinite o mais comum.
Esses dados alarmantes foram o tema central de um recente episódio do podcast OBemdito Saúde, apresentado por Graça Milanez, que recebeu a médica especialista em alergia e imunologia Dra. Paula Ogeda.
O bate papo destrinchou desde o crescimento das alergias no país até os mitos sobre o fortalecimento da imunidade.
Embora existam diferentes graus de gravidade, as doenças alérgicas causam um impacto profundo na qualidade de vida dos pacientes, afetando o sono, o desempenho escolar e profissional, além de provocarem internações em casos mais severos.
• Rinite Alérgica: O problema mais comum, caracterizado por congestão, coceira no nariz e espirros.
• Asma: O país possui uma das maiores prevalências mundiais, afetando quase 9% da população. A médica alerta que a bombinha de tratamento (geralmente um corticoide inalado) não vicia e é fundamental para evitar a remodelação pulmonar e crises graves.
• Alergia Alimentar e Dermatite Atópica: Esta última atinge cerca de uma a cada cinco crianças, causando lesões cutâneas típicas em dobras.
• Urticária Aguda: Atinge cerca de uma a cada cinco pessoas ao longo da vida.
O crescimento das alergias é multifatorial. A base de qualquer quadro alérgico é a predisposição genética, mas fatores ambientais e do estilo de vida moderno têm potencializado essa predisposição:
1. Poluição e Tabagismo: A alta exposição a alérgenos (como ácaros, fungos e baratas), poluição e tabagismo incluindo estudos que apontam que o hábito de fumar da avó pode aumentar o risco de asma e alergia alimentar no neto.
2. Alimentos Ultraprocessados: O consumo frequente prejudica a barreira intestinal e aumenta a inflamação corporal.
3. Uso de Antibióticos e a Microbiota: A alteração do microbioma intestinal (bactérias benéficas que treinam o sistema imunológico) reduz a tolerância do organismo.
4. Teoria da Higiene: Crianças que crescem com menor exposição inicial a micro-organismos (como ter irmãos ou contato frequente com a natureza) podem apresentar menor regulação imunológica.
Durante o bate-papo, a especialista diferenciou as alergias dos erros inatos da imunidade (antigas imunodeficiências primárias), que são defeitos genéticos raros que causam infecções graves de repetição.
Sobre soluções milagrosas, a médica foi taxativa: “soro da imunidade” e o consumo exagerado de vitaminas sem indicação médica são grandes mitos. Não há evidências científicas de que vitaminas isoladas aumentem a imunidade de pessoas saudáveis. O soro de reposição de anticorpos existe, mas é indicado exclusivamente para pacientes diagnosticados com falhas severas na produção de imunidade.
O diagnóstico clínico feito por um especialista é indispensável. Para isso, são utilizados exames específicos como o Patch Test (para dermatites de contato) e o Prick Test (para alergias respiratórias e alimentares).
Além disso, avanços como a inclusão da triagem neonatal para imunodeficiências pelo teste do pezinho em alguns estados brasileiros já permitem identificar bebês com falhas graves na imunidade antes mesmo dos primeiros sintomas, salvando vidas com tratamentos rápidos, como o transplante de medula.
Veja também:
Uma adolescente de 15 anos apresentou sinais de vida durante o próprio velório, no sábado…
A Polícia Civil identificou os autores do homicídio que resultou na morte de Paulo Gonçalves…
Rajada de 67,7 km/h foi registrada pelo Simepar na noite de segunda-feira (12); outras cidades…
O cantor Netinho morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. A…
Uma menina de 3 anos morreu após uma trave de futebol cair sobre ela durante…
Medida também permitirá identificar empresas que fazem chamadas e prevê bloqueio de números usados para…
Este site utiliza cookies
Saiba mais