Amor medido em gotas: leite materno une histórias de mães em Umuarama
O leite materno pode chegar em pequenas quantidades, mas assumir um significado enorme para uma mãe. Foi assim para Carolina de Paula Faria, de 38 anos, quando a filha nasceu prematura, há cinco anos e meio.
Com apenas 34 semanas de gestação, a menina precisou permanecer 15 dias na UTI. O nascimento também veio acompanhado do diagnóstico da síndrome de Down, o que mudaria a rotina da família.
Naquele período, Carolina ainda não conseguia amamentar a filha diretamente. A menina recebia leite por sonda. Mesmo assim, a mãe encontrou uma maneira de participar daquele cuidado.
“Era pouquinho o leite, mas aquele 1, 2 ml já era uma alegria muito grande. De poder mandar meu leite pra ela naquele momentão difícil”, contou.

Um pouco de leite, uma grande esperança
Enquanto a filha permanecia internada, Carolina começou a estimular a produção de leite com o auxílio da equipe do Banco de Leite Humano da Norospar. O processo era feito com a retirada do leite, que depois era encaminhado à UTI para a filha.
A quantidade produzida inicialmente era pequena. Para Carolina, porém, cada gota representava a possibilidade de contribuir diretamente para a recuperação da menina. Ela atribui ao leite materno parte importante daquele período de recuperação.
“Fez com que ela ficasse somente no oxigênio, e logo a gente conseguiu ir se recuperando”, relatou. A experiência também revelou para Carolina a importância da doação de leite humano. Durante os primeiros dias na UTI, sua filha recebeu leite doado por outras mães. “Sou muito grata às mães que doaram”, disse.

Cinco anos depois, uma história de gratidão
O tempo passou e aquela bebê que dependia de cuidados intensivos cresceu. Hoje, aos cinco anos, a filha de Carolina é descrita pela mãe com palavras que contrastam com a tensão vivida durante a internação. “Hoje ela tá aí com 5 anos, brincando, pulando, radiante”, contou.
Para Carolina, a lembrança daquele período permanece ligada à atuação do Banco de Leite Humano da Norospar, que a ajudou a estimular a própria produção e a oferecer o leite à filha. “Sou muito grata ao Banco de Leite Materno Humano da Norospar por tudo que eles fizeram com a minha filha.”

Mamaço reúne mães em Umuarama
A história de Carolina se conecta ao propósito da 6ª edição do Mamaço Norospar, realizada neste sábado (22), no pátio do Centro Cultural Vera Schubert, em Umuarama.
O evento integra a programação do Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo, à proteção e à valorização do aleitamento materno.
Promovido pela Maternidade e pelo Banco de Leite Humano da Norospar, o encontro reuniu mães, gestantes, familiares e profissionais da saúde em uma programação voltada ao acolhimento e à conscientização.
Mais do que falar sobre amamentação, a iniciativa busca mostrar que esse processo também depende de informação e de uma rede de apoio capaz de acolher as mulheres diante das dificuldades.

Uma rede que começa antes e continua depois
A programação do Agosto Dourado da Norospar também inclui palestras, capacitações, eventos técnicos e ações educativas para profissionais e para a comunidade.
Segundo a coordenadora da Maternidade e do Banco de Leite Humano da Norospar, enfermeira Amanda Vasques, a programação reúne profissionais de diferentes áreas da saúde de Umuarama e dos municípios que fazem parte da 12ª Regional de Saúde.
“Estamos preparando palestras, capacitações, eventos técnicos, ações educativas e atividades de conscientização”, afirmou.
A programação envolve médicos, enfermeiros, técnicos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais ligados à assistência materno-infantil.

Informação para fortalecer a amamentação
A campanha também busca atualizar os profissionais, aproximar os integrantes da rede materno-infantil e ampliar o conhecimento da população sobre o aleitamento materno desde os primeiros dias de vida.
Nesse cenário, histórias como a de Carolina ajudam a traduzir em experiência aquilo que a campanha pretende reforçar.
Na UTI, foram apenas 1 ou 2 ml por vez. Para uma mãe que via a filha enfrentar os primeiros dias de vida, aquilo significava muito mais do que uma pequena quantidade de leite. Era uma forma de cuidar.
E, cinco anos depois, Carolina olha para a filha brincando e pulando e guarda a lembrança de que, mesmo diante de um momento difícil, cada gota também podia ser uma forma de esperança.

(Com imagens de Danilo Martins/OBemdito)
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