Alex Nascimento Publisher do OBemdito

Imbituva se abraça diante da dor após acidente na BR-373 que matou 22 moradores

Acidente na BR-373 matou 22 moradores de Imbituva e uma vítima de Castro. Cidade enfrenta o luto com solidariedade e abraços entre moradores - Foto: Douglas Pimentel/Banda B
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Alex Nascimento - OBemdito
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 19h27 - Modificado em 20 de agosto de 2026 às 19h28

Imbituva, nos Campos Gerais do Paraná, amanheceu diferente após o acidente na BR-373 que matou 22 moradores. A tragédia também matou uma pessoa de Castro.

A ausência passou a ocupar ruas, comércios, famílias e conversas entre vizinhos. Em uma cidade onde muitos se conhecem, o acidente atingiu uma comunidade inteira.

O luto ultrapassou as famílias das vítimas. Amigos, colegas, comerciantes e vizinhos também passaram a conviver com a perda.

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Tragédia aproximou ainda mais os moradores

Em Imbituva, o silêncio não representa apenas falta de barulho. Ele revela a dificuldade de encontrar palavras diante de uma perda tão grande.

Alguns moradores conheciam diretamente as vítimas. Outros trabalharam com elas ou moravam perto de suas casas. Há também quem conheça familiares e amigos dos mortos.

Por isso, uma pergunta passou a acompanhar muitos moradores: e se fosse alguém da minha família? Para algumas pessoas, essa possibilidade esteve perto demais.

Gabrielly Leinecker conhece a rotina das viagens para tratamento de saúde. A própria mãe havia feito uma dessas viagens na segunda-feira (17).

Depois da tragédia, a rotina ganhou outro significado. “A gente fica bem pensativo. Foi um alívio, porque ela vai para lá seguido para tratamento. Está um clima bem pesado”, relatou.

Gabrielly também conhecia pessoas ligadas à tragédia. “Os sogros do Erick, que era o motorista, são meus vizinhos. Vi o filho dele brincando no jardim, aquilo me partiu o coração.”

Ela também conhecia uma das passageiras. “Acaba sempre tendo um conhecido da gente”, afirmou. A frase resume parte do sentimento vivido pela população.

Viagens fazem parte da rotina

Em frente à Secretaria de Saúde, o comerciante Gersom Venske acompanha há décadas o movimento de moradores em busca de atendimento fora da cidade.

Morador de Imbituva há mais de 40 anos, ele mantém uma lanchonete no local há mais de 22 anos. Do estabelecimento, acompanhou milhares de partidas e retornos.

“A gente vê todo dia os procedimentos feitos por aqui, porque nós estamos muito dependentes dos recursos fora de Imbituva”, disse Gersom.

Segundo ele, a rotina envolve marcação de exames, autorizações para veículos e deslocamentos para outras cidades. “A gente vê o sofrimento, vê às vezes a alegria de uma cura que eles trazem de lá.”

Dessa vez, porém, 22 moradores não retornaram para casa. Gersom conhecia algumas vítimas, incluindo duas irmãs que frequentavam sua lanchonete.

“Como a gente tem os clientes, as freguesias, tem o caso de duas irmãs que moravam aqui no interior. Elas vinham praticamente mensalmente”, lembrou.

A memória dessas pessoas agora aparece em detalhes cotidianos. Está nos clientes que entravam pela porta e nas conversas que não vão mais acontecer.

“Cidade pequena todo mundo se sente como família”

Clarice Pedroso, dona de um restaurante, não perdeu parentes próximos no acidente. Ainda assim, sentiu a tragédia como uma perda coletiva.

“A gente ficou totalmente desolado. Mesmo que não foram parentes da gente, pessoas muito próximas, a gente se consternou com os familiares”, afirmou.

Para ela, a dimensão da tragédia ultrapassa os limites das famílias diretamente atingidas. “É uma perda gigantesca, toda a comunidade está abalada.”

Clarice resume a força dos vínculos existentes no município. “Cidade pequena todo mundo se sente como família. A família é o aconchego e é isso que a gente sente.”

Segundo ela, a perda deixou de pertencer apenas aos parentes das vítimas. “A perda não é nossa, mas é de toda uma comunidade”, afirmou.

Sobreviventes trouxeram alívio em meio ao luto

Rosilda Rosa recebeu a notícia do acidente enquanto trabalhava. O irmão, Antônio Rosa, estava entre os passageiros do ônibus e sobreviveu.

Ela sequer sabia que ele havia viajado. “Na hora levei um susto. Não acreditei. Graças a Deus não aconteceu nada com ele e está tudo bem.”

A confirmação de que Antônio estava bem trouxe alívio à família. “Quando soubemos que ele estava bem, foi um alívio, um milagre”, contou.

Mesmo sem conhecer a maioria das vítimas, Rosilda sentiu o impacto da tragédia. “Eu não conhecia ninguém, só umas duas pessoas de vista. Mas o impacto é muito grande, o trauma.”

Ela resumiu o sentimento da cidade: “Todo mundo muito sentido.”

Moradores lamentam dependência de outras cidades

Jean Carlos também conhecia pessoas envolvidas no acidente. Ele trabalhou com dois dos passageiros, sendo um deles sobrevivente.

Para ele, a tragédia expôs uma dificuldade enfrentada por moradores que precisam buscar atendimento médico fora de Imbituva.

“É triste ver que as pessoas saem para se tratar fora da cidade, porque podia ter um hospital aqui, né?”, afirmou.

Jean também destacou o impacto das mortes entre as famílias. “Acabam saindo e perdendo a vida, deixando filhos. Com certeza é uma perda muito grande.”

Assim como outros moradores, ele repetiu uma frase que se tornou recorrente desde a tragédia: “Todo mundo se conhece.”

Em Imbituva, portanto, as vítimas não representam apenas números. São pessoas ligadas a famílias, empregos, comércios, vizinhanças e histórias compartilhadas.

Acidente deve deixar marca por muitos anos

Gersom acredita que o acidente na BR-373 permanecerá na memória de Imbituva por muito tempo. Para ele, a dimensão da tragédia criou uma marca coletiva.

“A gente vê a própria comunidade comentando, é bem desgastante e a gente fica bastante entristecido com esse acontecimento”, afirmou.

Segundo o comerciante, a tragédia está entre as maiores já registradas na região. “Pra Imbituva vai ser uma marca que vai ficar por muitos anos.”

Apesar da dor, ele acredita que a comunidade encontrará condições para seguir. “Que Deus conforte a vida de cada um desses enlutados e dos parentes que estão aí, hoje, sepultando os seus queridos.”

A rotina da cidade continuará aos poucos. O comércio voltará a funcionar e os moradores retomarão seus compromissos.

No entanto, algumas ausências passarão a fazer parte da vida cotidiana. Serão conversas interrompidas, lugares vazios e pessoas que não retornarão.

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Município busca apoio para enfrentar o luto

O vice-prefeito de Imbituva, Dirceu José de Camargo, também perdeu alguém próximo. Uma das vítimas era seu vizinho.

“É um momento muito difícil, a gente convivia com muitos deles, perdi vizinho com essa tragédia”, afirmou.

Segundo ele, o município inteiro vive um período de luto. “É um momento de muita tristeza, muita dor. Difícil até falar num momento desses.”

Dirceu afirmou que o poder público precisa oferecer apoio às famílias. “A gente tem que enfrentar e dar suporte a essas pessoas fazendo o que podemos.”

Além disso, municípios vizinhos e instituições da área da saúde ajudaram Imbituva durante os primeiros momentos após a tragédia.

“Os municípios vizinhos, o consórcio da Saúde, o pessoal de Irati, as outras cidades, todo mundo dando apoio, dando suporte”, disse o vice-prefeito.

Abraços viraram símbolo de solidariedade

O apoio não elimina a dor provocada pela perda de 22 moradores. Ainda assim, ajuda uma comunidade a atravessar um dos períodos mais difíceis de sua história.

O repórter Douglas Pimentel do portal Banda B, parceiro do OBemdito, acompanhou a repercussão da tragédia em Imbituva. Segundo seu relato, a cidade estava abatida diante do tamanho da perda.

Entre tantas cenas de sofrimento, uma atitude chamou sua atenção. Os moradores se abraçavam, ofereciam apoio e permaneciam próximos.

Os gestos simples ganharam significado diante da falta de palavras. Em uma cidade tão conectada, a dor de uma família rapidamente alcança outras.

A cobertura da tragédia também deixou marcas em quem acompanhou os acontecimentos. Foram muitas mortes, despedidas e histórias interrompidas.

Humanamente, porém, outra imagem permaneceu: uma cidade ferida tentando sustentar a si mesma. Os abraços passaram a representar essa tentativa coletiva de enfrentar o luto.

Quando 22 moradores de uma mesma cidade morrem em uma única tragédia, não existe consolo imediato. Também não há frase capaz de preencher tantas ausências.

Imbituva precisará retomar a rotina enquanto carrega essas perdas. Nos dias em que faltaram palavras, porém, os moradores encontraram nos braços uns dos outros uma forma de enfrentar a dor.

Com informações: Banda B

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