Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Médica é denunciada por mortes de seis crianças em UTI pediátrica no Paraná

Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, onde funcionava a UTI pediátrica em que seis crianças morreram entre maio e julho de 2024 (Foto Divulgação/Hospital Angelina Caron)
OBemdito
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 10h23 - Modificado em 20 de agosto de 2026 às 10h23

Seis crianças morreram entre maio e julho de 2024 depois de desenvolverem choque séptico e falência múltipla de órgãos durante internações na UTI pediátrica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

Mais de dois anos depois dos óbitos, o caso chegou à Justiça. O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou uma médica que ocupava a direção técnica da unidade. A acusação é de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

A denúncia foi apresentada na sexta-feira (14) e aceita pela Justiça na segunda-feira (17). O processo tramita em sigilo.

Para o Ministério Público, as mortes ocorreram em meio a um cenário de contaminação hospitalar por bactérias multirresistentes. A acusação sustenta que a médica deixou de fiscalizar e exigir procedimentos considerados básicos para evitar a disseminação de microrganismos dentro da unidade.

O que o Ministério Público aponta

A investigação descrita na denúncia reúne uma série de práticas que, segundo o MPPR, teriam contribuído para a contaminação cruzada entre pacientes.

Entre os exemplos citados estão a reutilização de luvas durante procedimentos em crianças diferentes, problemas na rotina de banho e falhas no manejo de intubações, acessos venosos e fraldas.

O promotor de Justiça Éder Teodorovicz classificou a conduta atribuída à médica como uma “grave negligência”.

“Ela permitiu que surgisse um ambiente de contaminação cruzada por meio de práticas inaceitáveis”, afirmou.

As seis mortes, segundo a acusação, estão relacionadas ao quadro de contaminação que atingiu a unidade. Entre as vítimas havia recém-nascidos.

O que acontece agora

Com o recebimento da denúncia, a médica passa à condição de ré no processo. A responsabilização criminal ainda será analisada pela Justiça, em uma ação que tramita sob sigilo.

O MPPR também solicitou que seja estabelecido um valor mínimo de R$ 50 mil para cada uma das seis famílias como reparação pelos danos provocados pelas mortes.

Hospital ainda não teve acesso ao processo

O Hospital Angelina Caron informou que não recebeu oficialmente a citação referente ao processo e que também não teve acesso ao conteúdo dos autos.

Por esse motivo, a instituição afirma que não tem condições de comentar especificamente as acusações feitas contra a médica neste momento.

O hospital declarou que deverá apresentar os esclarecimentos e documentos solicitados assim que for formalmente comunicado pela Justiça.

Em manifestação enviada à reportagem, a instituição reafirmou o compromisso com a segurança dos pacientes, com o cumprimento das normas técnicas, sanitárias e assistenciais e com a colaboração com as autoridades.

Estrutura do hospital

O Angelina Caron está em atividade há quatro décadas e, conforme informações divulgadas pela própria instituição, possui mais de 2.000 funcionários e cerca de 350 médicos.

O hospital reúne 30 especialidades e informa realizar aproximadamente 1 milhão de procedimentos por ano. Em 2025, a instituição afirma ter atendido mais de 128 mil pacientes.

(Com informações do Ministério Público do Estado do Paraná)

Participe do nosso grupo no WhatsApp e receba as notícias do OBemdito em primeira mão.