Rudson de Souza Publisher do OBemdito

Delegado que investiga chacina de Icaraíma deixará função no município rumo ao litoral

Delegado que investiga chacina de Icaraíma deixará função no município rumo ao litoral
Rudson de Souza - OBemdito
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 16h54 - Modificado em 13 de agosto de 2026 às 16h54

O delegado Thiago Andrade Inácio, titular da Delegacia de Polícia de Icaraíma, deverá deixar o município nos próximos meses. Ele teve o pedido de remoção aprovado em um processo interno da Polícia Civil do Paraná (PCPR), aberto com a previsão de chegada de uma nova turma de delegados à corporação.

Em conversa com o OBemdito nesta quarta-feira (12), Thiago confirmou a mudança, mas explicou que ainda permanecerá em Icaraíma durante o período de transição. “Havia pedido remoção e fui contemplado. Mas ainda vou ficar aqui por um tempo, esperando os trâmites.” O delegado irá para o Departamento de Polícia de Matinhos, no litoral.

A transferência está relacionada à formação de novos delegados pela Escola Superior de Polícia Civil do Paraná. Com a previsão de ingresso dos profissionais, a instituição abriu o processo para que delegados que já atuam no Estado pudessem solicitar mudança de unidade. Thiago participou da seleção e teve o pedido aprovado.

Mudança será gradual

Apesar da remoção já definida, a saída não será imediata. Os novos delegados são esperados na região entre o fim de setembro e o início de outubro.

Depois da apresentação dos profissionais, haverá um período de adaptação e transferência de informações, estimado em cerca de 30 dias.

Com esse cronograma, a previsão é que Thiago permaneça à frente da Delegacia de Icaraíma até o início de novembro.

Até a mudança, ele continuará exercendo normalmente as funções na unidade, incluindo o acompanhamento de ocorrências, investigações e procedimentos policiais em andamento.

O nome do profissional que assumirá a delegacia ainda não foi definido. A distribuição dos novos delegados será organizada pela Polícia Civil dentro do planejamento da instituição.

Um ano marcado pela chacina

A saída de Thiago ocorre depois de um período em que seu nome ficou diretamente ligado a um dos casos de maior repercussão policial do Noroeste do Paraná.

Foi na Delegacia de Icaraíma que ele estava lotado quando ocorreu a chacina que deixou quatro homens mortos, em agosto de 2025. O delegado havia chegado à cidade cerca de dois meses antes, depois de concluir a formação na Academia de Polícia Civil, em Curitiba.

O caso rapidamente ganhou proporções estaduais e exigiu a mobilização de diferentes setores da segurança pública.

Em entrevista ao OBemdito por ocasião de um ano da chacina, Thiago relembrou o impacto de ter se deparado com um crime de tamanha complexidade logo no início da carreira como delegado.

“Icaraíma foi a minha primeira lotação. Dois meses depois de eu sair da academia em Curitiba, aconteceu esse crime bárbaro, de alta complexidade, aqui na cidade.”

Investigação mobilizou forças especializadas

A apuração revelou, segundo o delegado, uma dinâmica que exigiu uma investigação mais aprofundada. O caso contou com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), da inteligência da Polícia Civil e do Núcleo de Investigação Qualificada.

“Conforme as horas foram passando, nós percebemos que se tratava de um grupo altamente organizado e detalhista. A investigação precisou se aprofundar em um nível mais avançado.”

Desde os primeiros momentos, Thiago esteve à frente da investigação na unidade de Icaraíma, acompanhando diligências e a coleta de elementos para esclarecer o crime.

Ao falar sobre o caso, o delegado afirmou que a Polícia Civil manteve a apuração como prioridade e continuou trabalhando para identificar e responsabilizar os envolvidos.

“Desde o início, nós demos total prioridade para a investigação. Em nenhum momento a Polícia Civil deixou de procurar provas, informações para captura, prisão e condenação dos envolvidos na morte das quatro vítimas.”

Caso marcou trajetória profissional

A investigação da chacina acabou se tornando uma das experiências mais marcantes da trajetória de Thiago Andrade Inácio justamente por ter ocorrido poucos meses depois de sua primeira lotação como delegado.

Em agosto deste ano, ao completar um ano do crime, ele ainda destacou que a Polícia Civil continuava trabalhando para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

“As famílias podem ficar tranquilas que a Polícia Civil está trabalhando incessantemente para dar uma resolução para esse caso.”

Agora, com a remoção aprovada, Thiago se prepara para deixar Icaraíma depois de um período em que sua atuação à frente da delegacia ficou marcada pela investigação da chacina e por outros trabalhos policiais desenvolvidos no município.

A transição deverá ocorrer somente após a chegada dos novos profissionais e a organização da passagem das informações e dos procedimentos em andamento.

Relembre a chacina de Icaraíma

A chacina ocorreu na madrugada de 5 de agosto de 2025. As vítimas foram Alencar Gonçalves de Souza, Carlos Henrique de Souza, Cleiton de Souza e Marcos Vinícius de Souza.

Os quatro desapareceram depois de saírem juntos em Icaraíma. As investigações apontaram que eles foram executados e tiveram os corpos ocultados em uma área de mata da região.

A apuração mobilizou equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Tigre, setores de inteligência e Polícia Científica.

Ao longo da investigação, foram realizadas buscas, perícias e tomadas de depoimentos. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontaram para a atuação de um grupo criminoso organizado e para uma ação planejada para dificultar a identificação dos responsáveis e a obtenção de provas.

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