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Morre Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes do cinema brasileiro, aos 98 anos

O cineasta Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Morre Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes do cinema brasileiro, aos 98 anos
Luiz Fernando - OBemdito
Publicado em 22 de julho de 2026 às 15h31 - Modificado em 22 de julho de 2026 às 15h31

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) um de seus maiores protagonistas. Morreu, aos 98 anos, o cineasta, fotógrafo, jornalista e produtor Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, responsável por uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual do país.

Barreto estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, no Rio de Janeiro, para tratamento de uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. O velório será realizado nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e a cremação ocorrerá no Memorial do Caju.

Com uma carreira que atravessou mais de seis décadas, Barretão participou diretamente da construção do Cinema Novo e ajudou a consolidar a indústria cinematográfica brasileira, assinando mais de uma centena de produções que marcaram diferentes gerações.

Casal transformou o cinema nacional

Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, com quem era casado desde 1954, formou um dos casais mais influentes da história do cinema brasileiro.

Juntos, fundaram a LC Barreto, produtora que completa 63 anos de atuação e se tornou referência nacional e internacional. Pela empresa passaram obras que se transformaram em clássicos, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil, Memórias do Cárcere, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?.

Os dois últimos chegaram a ser indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional, ajudando a projetar o cinema brasileiro no exterior.

A influência da família Barreto no audiovisual também se estendeu aos filhos Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, que seguiram carreira no cinema e assumiram papéis importantes dentro da produtora.

Fotógrafo de obras-primas do Cinema Novo

Antes de se tornar um dos maiores produtores do país, Luiz Carlos Barreto construiu uma sólida carreira como fotojornalista na revista O Cruzeiro, atuando como repórter fotográfico e correspondente na Europa.

Durante esse período, registrou personalidades históricas como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe.

Sua relação com o cinema começou ainda na infância, ao acompanhar a passagem de Orson Welles pelo Ceará durante as filmagens de um documentário sobre os jangadeiros. Mais tarde, um encontro com Glauber Rocha, durante as gravações de Barravento, mudaria definitivamente sua trajetória.

Como diretor de fotografia, Barretão ajudou a construir a identidade visual de duas obras fundamentais do cinema brasileiro: Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha.

Legado reconhecido pelo setor cultural

A morte do produtor gerou grande comoção entre cineastas, produtores e representantes do setor audiovisual.

O diretor Cavi Borges destacou que Barretão foi uma inspiração para diversas gerações de realizadores.

“O Barretão era uma grande inspiração. Não era apenas o produtor que conseguia viabilizar financeiramente os filmes; ele também pensava o cinema. É uma perda enorme para o Brasil.”

A presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual do Rio de Janeiro, Glaucia Camargos, afirmou que o produtor foi um dos maiores defensores da cultura brasileira.

“O cinema perde seu Apóstolo-Mor.”

Já o produtor Nilson Rodrigues definiu a morte de Barreto como a perda de um amigo e mestre.

“Sem Luiz Carlos Barreto, o cinema brasileiro seria apenas metade do que é hoje.”

A cineasta Carla Camurati também ressaltou o papel do produtor na defesa política e cultural do audiovisual nacional, classificando-o como um dos grandes guerreiros do cinema brasileiro.

Em nota oficial, o Ministério da Cultura definiu Luiz Carlos Barreto como “um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro”, destacando sua contribuição como fotógrafo, jornalista, produtor e um dos protagonistas do Cinema Novo.

A morte de Barretão encerra uma das mais relevantes trajetórias da cultura brasileira. Seu legado, no entanto, permanece vivo em dezenas de filmes, na formação de gerações de cineastas e na consolidação de uma indústria audiovisual reconhecida internacionalmente.

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