Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN
No outono e no inverno, o céu costuma ficar com colorações diferentes, como laranja, por exemplo. A mudança de cor pode indicar concentração de poluentes causada pela inversão térmica. Ao observar grandes cidades a distância no outono e no inverno, em dias de tempo seco, muitas vezes fica perceptível uma camada acinzentada próxima à superfície.
De acordo com o Simepar são poluentes concentrados e materiais particulados acumulados, devido à atuação da inversão térmica. Essa concentração também é a responsável pela nossa percepção de céu laranja, costumeiramente visto no pôr do sol em dias frios.
Samuel Braun, meteorologista do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), explica o fenômeno. Ele informa que, em uma atmosfera padrão, há uma camada de ar mais aquecida e mais leve próxima à superfície.
Sobre ela, há uma camada de ar mais fria e mais pesada. Com isso, cria-se uma circulação na vertical que favorece a dispersão dos poluentes das grandes cidades para a atmosfera.
“Já numa situação de inversão térmica, nós temos uma camada de ar fria próximo à superfície. Como o ar frio é mais pesado, não ocorre essa circulação na vertical. Por isso, os poluentes ficam concentrados numa camada bem próxima à superfície, basicamente onde nós vivemos e respiramos, e com isso, principalmente quem sofre de doenças respiratórias, acaba tendo problemas mais significativos quando há essa condição”, afirma.
Essas situações são mais comuns no outono e inverno, quando há maior predomínio de massas de ar frio. Normalmente, esse fenômeno ocorre durante a madrugada e início da manhã. “Em situações onde o sol predomina, gradualmente com o aquecimento do ar, o fenômeno perde força. Dessa maneira, entre o final da manhã e a tarde, os poluentes conseguem se dispersar para a atmosfera”, explica Samuel.
Em situações onde uma massa de ar mais seco e frio perdura por vários dias, a concentração de poluentes fica bastante evidente por um período maior, especialmente nas grandes cidades.
Quando isso ocorre, além de poluentes, também acumulam-se materiais particulados, oriundos até mesmo dos incêndios florestais. Essa concentração de poluentes pode inclusive reduzir a visibilidade, trazendo uma condição de névoa seca – diferente da neblina, que é formada por gotículas de água.
A concentração de poluentes causada pela inversão térmica também é a responsável pela nossa percepção de céu laranja, costumeiramente visto no pôr do sol em dias frios.
As cores que a população enxerga no céu estão dentro do espectro do visível, do qual as ondas mais curtas, como o ultravioleta e o azul, se dispersam melhor entre o meio da manhã e o meio da tarde. Por isso percebe-se melhor o azul do céu nos momentos em que o sol está na vertical.
No entanto, no início da manhã e à tarde, o caminho percorrido pela luz do sol na atmosfera é bem mais longo. A luz azul e violeta é toda espalhada e desviada para longe da nossa linha de visão.
Já a luz vermelha, laranja e amarela (comprimento de onda mais longo) consegue atravessar e chegar aos nossos olhos. A poluição e a poeira concentrados pela inversão térmica podem intensificar os tons vermelhos e laranjas ao amanhecer e ao entardecer.
(Informações: AEN)
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