Uber amplia transparência e passa a mostrar ganhos de motoristas em recibos
A plataforma de transporte Uber passou a exibir com mais detalhes a composição dos valores pagos em cada corrida no Brasil. A mudança ocorre após pedido da Defensoria Pública do Estado do Paraná.
Agora, os recibos enviados logo após as viagens mostram quanto o motorista recebeu, qual foi a taxa de serviço da empresa e o valor retido pela plataforma. A medida aumenta a transparência na relação entre passageiros e motoristas.
A alteração atende a uma solicitação do Núcleo de Defesa do Consumidor, o Nudecon, e segue diretrizes recentes do governo federal sobre plataformas digitais.
Transparência maior em cada corrida
Antes da mudança, a Uber apresentava apenas termos genéricos como taxa de intermediação e custo fixo. As informações não detalhavam de forma clara a divisão do valor pago pelo passageiro.
Com a atualização, o usuário passa a ter acesso direto ao detalhamento financeiro da corrida. A mudança busca ampliar o entendimento sobre como o preço final é distribuído entre empresa e motorista.
Segundo o defensor público e coordenador do Nudecon, Ricardo Menezes, a medida fortalece o direito à informação do consumidor.
“É direito do consumidor e consumidora o acesso a um serviço transparente, permitindo que a escolha por determinada plataforma em detrimento de outra esteja acompanhada também de uma análise mais criteriosa sobre a destinação dos valores pagos”, explicou Menezes.
Governo federal definiu novas regras
A mudança também se baseia em diretrizes da Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Portaria 61/2026 estabelece que plataformas digitais devem informar de forma clara como o valor pago pelo consumidor é distribuído entre todos os envolvidos na operação.
As empresas precisam apresentar um resumo antes e depois do pagamento. O documento deve detalhar o valor total, a parte destinada ao prestador do serviço, taxas da plataforma e eventuais gorjetas.
iFood também foi notificado
Além da Uber, a plataforma de delivery iFood também recebeu pedido de adequação feito pelo Nudecon. A Defensoria aponta que os recibos atuais dificultam a identificação do valor líquido recebido por restaurantes e entregadores após descontos da plataforma.
Segundo o órgão, termos como subtotal não deixam claro quanto efetivamente chega ao parceiro. Já a taxa de entrega nem sempre corresponde ao valor pago ao entregador.
Consumidor pode acionar canais de fiscalização
A nova regra também prevê participação ativa dos consumidores na fiscalização. Usuários podem denunciar falta de transparência nos aplicativos aos órgãos de defesa do consumidor.
A Defensoria Pública do Paraná, por meio do Nudecon, mantém canais de atendimento para receber relatos e pedidos de orientação.
As medidas buscam ampliar a clareza sobre a divisão de valores em serviços digitais e reforçar o direito à informação nas plataformas de intermediação.
Com informações: Defensoria Pública do Estado do Paraná





