Nova lei homenageia mais de 716 mil mortos pela pandemia e reforça debate sobre vacinação e futuras emergências sanitárias - Foto: Danilo Martins/OBemdito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (11) a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, seis anos após o início da pandemia no país.
A nova legislação define o dia 12 de março como marco nacional de homenagem às vítimas da covid-19. A data faz referência à morte da técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano, considerada a primeira vítima registrada da doença no Brasil, em São Paulo.
O projeto havia sido aprovado pelo Congresso Nacional no mês passado. A solenidade contou com representantes de associações de familiares de vítimas da covid-19, que defenderam responsabilização de pessoas envolvidas na disseminação de desinformação sobre vacinas e tratamentos sem eficácia comprovada.
Durante o discurso, Lula criticou a condução da pandemia pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente afirmou que houve disseminação de informações falsas durante o período mais grave da crise sanitária.
“Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médicos que receitavam cloroquina e a quantidade de gente que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem gays, virarem jacaré, que fazia todo o mal a crianças. Se a gente não der o nome, as pessoas não serão conhecidas”, declarou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que grande parte da população brasileira perdeu familiares ou conhece vítimas da covid-19. Segundo ele, a demora na chegada das vacinas agravou os impactos da pandemia no país.
Padilha afirmou que a nova data servirá como momento permanente de reflexão sobre futuras emergências sanitárias. O ministro também defendeu a continuidade do cuidado com familiares afetados pela pandemia.
“O presidente sanciona esse projeto, sanção integral do projeto, para que fique marcado, e todo ano a gente possa falar sobre isso, não só no dia específico, mas ao longo de todo ano”, afirmou.
No mês passado, o Ministério da Saúde inaugurou o Memorial da Pandemia no Rio de Janeiro. O espaço homenageia mais de 700 mil vítimas da covid-19 no Brasil.
O memorial funciona no edifício do Centro Cultural do Ministério da Saúde, reaberto após quase quatro anos de obras. O investimento na recuperação do espaço foi de cerca de R$ 15 milhões.
O Ministério da Saúde também destacou avanços nos índices de vacinação no país desde 2023. Segundo Alexandre Padilha, o Brasil encerrou 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos nove anos.
De acordo com o ministro, as coberturas vacinais infantis estavam abaixo de 80% no início de 2023. Atualmente, todas superam 90%, resultado atribuído à parceria entre estados, municípios e profissionais de saúde.
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