Primeiro papa norte-americano celebrou 12 meses à frente da Igreja Católica com missões diplomáticas, defesa do diálogo e foco nas periferias sociais - Foto: Vatican News
O Papa Leão XIV completa neste 8 de maio de 2026 o primeiro ano de pontificado à frente da Igreja Católica. Os últimos 12 meses foram marcados por viagens internacionais, articulações diplomáticas, encontros religiosos, reformas administrativas e sucessivos apelos públicos pela paz em regiões atingidas por guerras e crises humanitárias.
A eleição do pontífice ocorreu em 8 de maio de 2025, após um conclave considerado rápido no Vaticano. A fumaça branca surgiu da Capela Sistina diante de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro. Pouco depois, o então cardeal Robert Francis Prevost foi apresentado oficialmente como o 267º sucessor de Pedro e escolheu o nome de Leão XIV.
Natural de Chicago, nos Estados Unidos, o pontífice possui forte ligação com a América Latina após mais de duas décadas de atuação missionária no Peru. Integrante da Ordem Agostiniana, ele também atuou como bispo, pároco, professor e prefeito do Dicastério para os Bispos antes de assumir o comando da Igreja Católica.
Logo na primeira aparição pública, o novo papa colocou a paz no centro do discurso. A expressão “Que a paz esteja com todos vocês” abriu oficialmente o pontificado e passou a simbolizar a principal marca do primeiro ano de governo pastoral.
Ao longo dos últimos meses, Leão XIV intensificou a atuação diplomática do Vaticano em conflitos internacionais. O papa recebeu líderes da Palestina e de Israel, promoveu encontros com representantes do Hezbollah no Líbano e retomou contatos diretos com autoridades russas e ucranianas.
O pontífice também defendeu negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Poucos dias após a eleição, o Vaticano se colocou à disposição para sediar possíveis diálogos de paz. A proposta recebeu apoio da Ucrânia e resistência da Rússia.
Durante entrevistas e pronunciamentos, Leão XIV afirmou que grande parte do trabalho diplomático da Igreja acontece “nos bastidores”. Segundo ele, o objetivo da Santa Sé é convencer os envolvidos em guerras a abandonarem a violência e retomarem o diálogo.
A defesa da paz também gerou reações políticas. Após críticas do papa a conflitos militares e ao rearmamento internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu publicamente contra declarações do pontífice relacionadas à guerra envolvendo Irã e Estados Unidos.
Mesmo diante das críticas, Leão XIV reforçou que sua missão é pastoral e não política. Em uma das declarações mais repercutidas do ano, o papa afirmou que a Igreja deve anunciar o Evangelho e defender a paz independentemente das pressões externas.
O primeiro ano de pontificado também foi marcado por intensas viagens apostólicas. O papa visitou países do Oriente Médio, da África e da Europa, com foco em regiões afetadas por guerras, pobreza, migração e conflitos religiosos.
Entre os principais compromissos internacionais estiveram as viagens à Turquia e ao Líbano. No Oriente Médio, Leão XIV participou das celebrações pelos 1.700 anos do Concílio de Niceia e realizou encontros ecumênicos com líderes cristãos e representantes de outras religiões.
No Líbano, o pontífice visitou áreas atingidas por crises econômicas e conflitos armados. Uma das imagens mais marcantes da viagem foi a oração silenciosa diante da destruição provocada pela explosão no porto de Beirute, ocorrida em 2020.
A peregrinação africana também ganhou destaque no cenário internacional. O papa visitou Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Durante os encontros, defendeu justiça social, combate à pobreza, respeito aos direitos humanos e distribuição igualitária de recursos.
Em Angola, o pontífice criticou a desigualdade social em um país rico em petróleo e diamantes, mas ainda marcado pela extrema pobreza. Na Guiné Equatorial, pediu políticas de ressocialização durante visita a uma prisão com centenas de detentos.
Leão XIV também concentrou parte importante do pontificado na aproximação com os jovens. O Jubileu da Esperança reuniu mais de um milhão de pessoas em Roma entre julho e agosto de 2025.
Durante os eventos, o papa incentivou os jovens a construírem relações autênticas e evitarem a superficialidade das conexões digitais. Em diversos discursos, o pontífice destacou a importância da solidariedade, da espiritualidade e da participação social das novas gerações.
O diálogo se transformou em uma das palavras mais repetidas nos pronunciamentos do papa ao longo do primeiro ano. Leão XIV passou a defender abertamente a superação das polarizações políticas, sociais e religiosas dentro e fora da Igreja.
O pontífice também buscou enfrentar divisões internas relacionadas à liturgia e à condução pastoral da Igreja Católica. Em reuniões com cardeais e bispos, defendeu maior colegialidade e participação conjunta nas decisões do Vaticano.
Além das viagens e discursos internacionais, o papa promoveu mudanças internas importantes na estrutura do Vaticano. Leão XIV realizou nomeações estratégicas na Cúria Romana e iniciou ajustes na administração financeira da Santa Sé.
Entre as medidas adotadas estão alterações nos mecanismos de investimentos do Vaticano, novas regras administrativas e iniciativas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho da Santa Sé.
A questão migratória também ganhou destaque no pontificado. Em discursos públicos, o papa criticou o tratamento dispensado a migrantes em diferentes países e denunciou situações de desumanização enfrentadas por refugiados.
Leão XIV ainda anunciou visitas a Lampedusa e às Ilhas Canárias, regiões que enfrentam intenso fluxo migratório. Segundo o pontífice, a defesa dos mais vulneráveis faz parte da missão central da Igreja Católica.
Após um primeiro ano marcado por intensa atividade diplomática e missionária, o Vaticano já prepara novas viagens internacionais do papa para os próximos meses. Uma visita à América Latina está entre os compromissos mais aguardados.
A expectativa também envolve a publicação da primeira encíclica de Leão XIV, documento considerado um dos principais instrumentos doutrinários do pontificado.
Ao completar um ano na Sé de Pedro, o papa consolida um perfil marcado pela defesa da paz, pela diplomacia ativa e pela atenção às periferias sociais, religiosas e humanitárias.
Com informações: Vatican News
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