Graça Milanez

Produtor de Umuarama aposta em cultivo de pimenta e descobre novo caminho no campo

A pimenta, que começou como uma experiência despretensiosa, abriu um novo caminho no campo para Giovani Ferreira do Pinhal, 40 anos, em Umuarama. Filho de produtores de leite, ele cresceu acompanhando a rotina no sítio da família, na zona rural do município.

Por um tempo, seguiu outro rumo e foi trabalhar na cidade. No entanto, o chamado do campo falou mais alto quando o pai pediu ajuda com o manejo das vacas. Ele aceitou, mas decidiu ir além.

“Eu queria uma alternativa que pudesse me dar uma renda própria e, ao mesmo tempo, aproveitar o espaço que a gente tem aqui… Pensei bastante… Daí vi uns vídeos na internet sobre pimenta e decidi: ‘é isso, é o que vou fazer’… E fiz”, rememora.

Em uma pequena área de terra, próximo à horta da mãe, Giovani começou então a plantar diferentes variedades de pimenta. OBemdito foi conferir. Ficamos impressionados com a beleza das cores, do brilho e dos diferentes formatos dos frutinhos picantes, genuinamente americanos.

Peneira cheia: para a comercialização, produtor tem o apoio das redes sociais

Pimentas viçosas, colheita lucrativa

De canteiro em canteiro, todos irrigados, apontando para as pimentas mais viçosas, Giovani conta que a ideia surgiu da curiosidade. Sem tradição no cultivo, buscou informações na internet e aprendeu na prática, entre testes, erros e acertos.

“No começo foi mais na curiosidade mesmo. Fui pesquisando, plantando. A princípio, umas deram certo, outras não… E assim fui levando até a colheita. Colhi bastante, vendi tudo!”, exclama, em tom entusiasmado.  

O que era apenas uma experiência logo mostrou potencial. O canteiro cresceu, ganhou novas mudas e se transformou em uma produção diversificada.  “Comecei a achar bonito, tudo muito bonito! Deu um lucro bom!”, exclama. E dispara, rindo: “Sai do vermelho!”.

Leia também: Produção de leite de cabra impulsiona renda de pequena propriedade rural de Umuarama.

‘Pontinho’ na feira

Giovani cultiva, hoje, cerca de 500 pés distribuídos em 20 variedades: das mais suaves, como a biquinho e a Dirce, às extremamente ardidas, como a Carolina Reaper, considerada uma das pimentas mais fortes do mundo.

Porém, ele se queixa que a semente é muito cara e a colheita é demorada: “A gente gasta horas colhendo”. Mas diz que isso não tira seu ânimo: “Só tenho que agradecer, só agradecer!”

Sobre a comercialização, ele destaca que começou de forma simples, entre conhecidos. Com o tempo, os próprios clientes passaram a indicar o produto, e a procura aumentou.

Giovani mostra um dos pés de pimenta Carolina Reaper, a mais ardida do mundo

Animado com os resultados, ele agora almeja um “pontinho” na feira de hortifrúti, realizada aos domingos em Umuarama, para vender mais. “Vou ver se consigo… Se for preciso, vou procurar apoio de vereador, da prefeitura”, avisa, confiante.

Giovani também já faz planos para o futuro. A ideia é ampliar a produção e ocupar um espaço ainda pouco explorado no município [onde não há plantio em escala comercial]. “Aqui tem mercado e eu tenho a terra… Quero aproveitar essa oportunidade para, quem sabe, plantar mais”.

Entre mudas, colheitas e novas experiências, o objetivo é tocar o projeto que une trabalho, autonomia e o vínculo com o campo. “Eu me sinto bem aqui! Trabalhar no sítio, ver as plantas crescendo, colher o que a gente produz… É algo que me realiza e que faço com muito amor pela terra”.

Em consórcio: Giovani cultiva as pimentas junto com frutas, como o maracujá (ao fundo)

Grau de ardência e escala Scoville

No papel de protagonista ou complemento em um prato, a pimenta está entre as especiarias mais apreciadas do mundo. Elas se diferenciam pelo grau de pungência [concentração de capsaicina, componente químico responsável pela ardência], definido na Escala de Scoville [Scoville Heat Units – SHU], método criado em 1912. Quanto maior o SHU, mais picante é a pimenta.

Variedades da produção de Giovani, das mais suaves [adocicadas] às superardidas:

Pimenta biquinho – quase sem ardência – sabor adocicado; Pimenta Dirce ou Doce – baixíssima ardência; Jalapenho – ardência leve a média [2,5 mil a 8 mil SHU]; Dedo-de-moça – moderada [5 mil a 15 mil]; Bode comprida/vermelha/amarela – média/forte [30 mil a 80 mil]; Caiena – forte [ 30 mil a 50 mil]; Cumari passarinho – moderada a forte [30 mil a 60 mil]; Cumari do Pará – muito forte [50 mil a 100 mil]; Malagueta comum/Malagueta amarela – muito forte [50 mil a 100 mil]; Bhut jolokia – fortíssima [~1 milhão]; Trinidad Scorpion/Trinidad Scorpion amarela – extremamente forte [+1 milhão SHU]; e Carolina reaper – a mais ardida do mundo [de 1,5 a 2,2 milhões].

== Para encomendar – whatsapp 44 9 8452 6933

Fotos: Danilo Martins/OBemdito

Graça Milanez

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