A pequena Serraria Mineira, em 1953, onde foram beneficiadas madeiras para as primeiras construções de Umuarama - Fotos: Acervo histórico de Italo Fábio Casciola
Era a época dos Anos Dourados, na década de 1950, quando vivíamos uma fase em ritmo frenético da abertura do território onde em 1955 seria fundada a nova cidade paranaense: Umuarama!
Disse “Anos Dourados” porque para os desbravadores era um período de otimismo e sonhos com a futura prosperidade econômica que viria na pós-fundação. E já naquele momento nascia uma poderosa mina de ouro industrial – a indústria madeireira.
E dessa fase memorável merece ser resgatada a saga da Serraria Mineira, ícone inconteste dos primórdios da História de Umuarama, pois ela iniciou suas atividades como mola-mestre da colossal derrubada da mata para abrir os terrenos para a construção da futura Capital da Amizade e para a abertura de gigantescos espaços a serem ocupados por fazendas para a cafeicultura. Isso tudo somado contabilizava milhares de quilômetros quadrados…
E depois da Serraria Mineira entrar em ação é que começaram todas as outras atividades marcando o pioneirismo de todos os setores, entre os quais o comércio.
Ali eram beneficiadas as tábuas de peroba usadas na construção das primeiras casas, inclusive da lendária Pensão Mineira, considerada pelos antepassados como o marco zero de Umuarama, onde se hospedavam os precursores que iam chegando para iniciar uma nova vida nesta região.
Naquele período a primeira serraria era tosca, instalada num galpão não muito grande, onde havia algumas máquinas para serrar as toras, fatiar as tábuas e ripas, enfim, nada de grande porte industrial para atender em grande escala o consumo que viria anos depois. Tinha uma meia dúzia de operários e dois velhos caminhões para transportar toras.
Quando a colonizadora deu início ao plano de urbanização de Umuarama, derrubando a mata e abrindo terrenos, ruas e avenidas no meio da terra arrasada numa ampla clareira, é que ela investiu pesado equipando a Serraria Mineira.
Mas, segundo relatos esparsos que aglutinamos através de entrevistas feitas no decorrer da década de 1970, a Serraria Mineira supriu com madeira beneficiada os primeiros moradores e comerciantes que foram se instalado ao redor da Praça Arthur Thomas a partir do final de 1953.
Inclusive, a madeira para a construção do “Sobradinho”, primeiro escritório e os pavilhões de serviços da colonizadora Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, saiu da Serraria Mineira.
Mas essa acanhada indústria madeireira, localizada próxima ao antigo aeroporto (não é possível a localização atual exata, mas podemos calculá-la ali pela rodovia PR-323 em direção a Umuarama, entre o trevo do Gauchão rumo à cabeceira da pista de vôos), não teve vida muito longa não, atendendo apenas a CMNP.
Acontece que, quando se preparava para inaugurar Umuarama, a colonizadora fez um grande estardalhaço divulgando as vendas de terras rurais e na zona urbana e, isso, obviamente, atraiu interessados na instalação de outras madeireiras.
Em pouco tempo, Umuarama tinha mais de quinze serrarias de grande porte, que trabalhavam dia e noite, para retirar e beneficiar a floresta que estava sendo devastada por todos os lados para a ocupação de sitiantes e grandes fazendeiros que chegavam para plantar café, algodão e cereais, vislumbrando uma nova fronteira agrícola, o futuro Eldorado do Sul brasileiro.
E esse número de novas serrarias foi aumentando cada vez mais, chegando inclusive indústrias madeireiras mais modernas vindas de São Paulo e com grande poder econômico para investir alto em instalações, equipamentos e com numerosas equipes especializadas no ramo moveleiro.
Da mesma maneira que surgiu, antes da colonização, a Serraria Mineira desapareceu, relegada ao esquecimento pela mesma leva de colonizadores que usufruíram dela para dar início à construção da cidade de Umuarama.
Sumiu, literalmente, do mapa e hoje não há sequer vestígios de que um dia, no passado distante mais de meio século, tenha existido a tal Serraria Mineira, assim batizada pelos desbravadores vindos lá das Minas Gerais no começo da década de 1950 para abrir a floresta paranaense…
Esta crônica tem o valor de resgatar esse “personagem”, a Serraria Mineira, que chegou antes de todos e abriu o caminho para a indústria madeireira que encontrou aqui uma gigantesca “mina de ouro” em forma de florestas que foram derrubadas no decorrer de vinte anos. Entre as árvores consideradas “preciosas” estava a peroba, que valia ouro ao ser vendida no Paraná e era a preferida para exportações.
Então vocês imaginem os “rios de dinheiro” que essas atividades geraram para as serrarias que trabalhavam dia e noite beneficiando madeira para edificar casas residenciais e comerciais e mobiliário nesse setor nos primeiros tempos da história de Umuarama.
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