Paraná

Incra confirma denúncia de intoxicação de famílias do MST por agrotóxico

O Incra afirmou, nesta quarta-feira (8), que tem conhecimento da denúncia de possível intoxicação por agrotóxico em Perobal, na região de Umuarama, e condenou a aplicação de defensivos agrícolas em áreas próximas a locais habitados.

Em nota, o órgão informou que a pulverização foi realizada por uma das duas famílias de posseiros que ocupam a propriedade. O responsável já foi notificado a deixar o local, segundo o instituto, que afirma acompanhar a situação.

A denúncia foi feita por famílias do acampamento Benedito Gomes, que relatam um caso de possível intoxicação ocorrido em 28 de março. O episódio reacendeu preocupações sobre os riscos do uso de produtos químicos em áreas próximas a moradias.

De acordo com os relatos, a aplicação ocorreu no fim da tarde, por volta das 18h, em uma área em disputa conhecida como Fazenda Tiburi. O produto teria atingido diretamente o acampamento, onde vivem cerca de 430 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Testemunhas afirmam que o cheiro se espalhou rapidamente, indicando possível desvio da pulverização. Após o episódio, cerca de 20 pessoas apresentaram sintomas como irritação na garganta, tosse e dores de cabeça. Também há relatos de possíveis danos a uma lavoura coletiva de feijão mantida pelos moradores.

SAIBA MAIS: MST denuncia intoxicação de famílias por agrotóxico em Perobal

Segundo os denunciantes, a aplicação foi feita com equipamento acoplado a trator, e há suspeita de uso de herbicida, embora a substância ainda não tenha sido identificada. O caso foi encaminhado a órgãos como o Ministério Público.

A área onde ocorreu o episódio pertence ao Incra e é alvo de disputa há cerca de duas décadas. O imóvel, com aproximadamente 215 hectares, é objeto de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em 2022, após a identificação de irregularidades na tentativa de transferência para particulares.

Ainda de acordo com a denúncia, uma decisão judicial recente reconheceu a ocupação irregular pelos posseiros e determinou a desocupação do imóvel para fins de reforma agrária. Apesar disso, há relatos de descumprimento, com continuidade de atividades no local.

O Incra informou que já havia notificado os ocupantes irregulares no início de fevereiro para deixarem a área em até 30 dias, permitindo apenas a colheita da safra existente. No entanto, segundo as famílias, novos plantios estariam sendo realizados.

As famílias acampadas estão no local desde fevereiro deste ano, após deixarem outra área em Umuarama. No Paraná, cerca de 5 mil famílias ligadas ao movimento vivem em acampamentos à espera de acesso à terra.

(Com informações da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Viva)

Rudson de Souza

Recent Posts

Avião que seguia para Curitiba cai no litoral de SC; duas pessoas ficam gravemente feridas

Duas pessoas ficaram gravemente feridas após a queda de um avião de pequeno porte na…

6 minutos ago

Criminosos furtam cerca de 750 quilos de sal mineral de depósito em Cafezal do Sul

Um furto de grandes proporções mobilizou a Polícia Militar na tarde desta segunda-feira (6), em…

33 minutos ago

Jovem perde o controle de carro e bate em poste em frente ao 25º BPM, em Umuarama

Uma jovem de 18 anos escapou sem ferimentos após perder o controle do carro e…

52 minutos ago

Casos de violência doméstica mobilizam a Polícia Militar em Umuarama e Altônia

Duas ocorrências de violência doméstica registradas nesta segunda-feira (6) mobilizaram equipes da Polícia Militar em…

1 hora ago

Após feminicídio, bebê de um ano é encontrado mamando no peito da mãe

Uma cena que chocou até os policiais marcou um caso de feminicídio registrado na madrugada…

2 horas ago

Sicoob anuncia a ampliação de recursos disponibilizados ao produtor rural

Após o lançamento do novo Plano Safra pelo governo federal, o Sicoob Sistema de Cooperativas…

2 horas ago

Este site utiliza cookies

Saiba mais