Umuarama

Entre tradição, preço e opções, umuaramenses garantem o peixe da Sexta-Feira Santa

Com a chegada da Sexta-Feira Santa, celebrada nesta sexta-feira (3), o hábito de consumir peixe ganha força nas mesas brasileiras e em Umuarama não é diferente.

Nesta quinta-feira (2), o OBemdito percorreu mercados da cidade e encontrou corredores cheios, carrinhos disputando espaço e consumidores em busca do ingrediente principal da tradição.

Como de costume, muitos deixaram para a última hora, o que aumentou o movimento e esvaziou algumas prateleiras.

Em um dos mercados visitados, o bacalhau já havia acabado antes mesmo do fim da manhã. O gerente Edilson Morette comemorava o resultado.

Consumidores enfrentaram movimento intenso em mercados de Umuarama na véspera da Sexta-Feira Santa

“A semana já vinha boa, mas hoje o movimento foi ainda mais forte. O pessoal deixou para a última hora, mas veio em peso garantir o peixe”, disse.

Apesar do bacalhau seguir como símbolo da data, o preço elevado faz com que muitos consumidores busquem alternativas.

O quilo do saith gira em torno de R$ 99,90, enquanto o do porto pode chegar a R$ 229,90. Ainda assim, há opções mais acessíveis, como postas com valores entre R$ 70 e R$ 160.

Outros pescados ajudam a equilibrar o orçamento. A merluza aparece por cerca de R$ 24,90 o pacote de 500 gramas, a tilápia por R$ 18,90, a sardinha por R$ 11,99 e a cavalinha por R$ 13,99.

Procura por pescados cresceu e esvaziou prateleiras em mercados de Umuarama

O salmão, outra opção bastante procurada, custa em média R$ 79,90 o quilo, com cortes menores disponíveis a partir de até R$ 17,58.

A diversidade de preços garante que o peixe esteja presente à mesa, independentemente do orçamento. E, em muitos casos, a compra vem acompanhada de dicas.

Há 20 anos no setor, o açougueiro Henrique Figueiredo, de 43 anos, afirma que a tradição também passa pelo balcão.

“Tem cliente que chega sem ideia do que fazer. A gente orienta, sugere um peixe assado, um ao molho, e sempre lembra da batata. É simples, mas fica muito bom”, contou.

Movimento de última hora marcou as compras de peixe em Umuarama

Entre os consumidores, o cenário revela diferentes relações com a tradição. A costureira Adriana Rodrigues, de 36 anos, não costuma comprar peixe na data, mas abriu exceção.

“Não é um hábito meu, mas minha tia pediu porque vai receber visita. Aí a gente acaba entrando na tradição”, disse.

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A auxiliar de serviços gerais Elisângela Mingarelli, de 49 anos, mantém o costume todos os anos. “Lá em casa a gente gosta de fazer em molho. É tradição, né? E nessa época a gente acaba consumindo mais”, afirmou, após garantir o último bacalhau disponível da prateleira.

Já a aposentada Neide Faneco, de 73 anops, afirma que o peixe faz parte da rotina. “Eu como praticamente toda semana, mas agora a gente sempre compra um pouco mais. Eu vou no que estiver com melhor preço”, disse.

Bacalhau acabou cedo em mercado de Umuarama durante a véspera da Sexta-Feira Santa

De passagem pela cidade, o motorista Paulo José de Loyola também aproveitou para ir às compras e se surpreendeu. “Achei muito em conta. Lá fora é mais caro. E na Páscoa a gente mantém a tradição, faz parte da família”, afirmou.

O consumo de peixe na Sexta-Feira Santa está ligado à tradição católica de não consumir carne vermelha, em respeito à paixão e morte de Jesus.

O gesto simboliza penitência e simplicidade, embora também gere reflexões. Alguns líderes religiosos têm reforçado que o foco da data deve estar no jejum e na reflexão, e não em refeições elaboradas.

Do ponto de vista nutricional, o peixe é uma proteína leve, rica em vitaminas e ômega 3, com benefícios para a saúde. Especialistas recomendam atenção na escolha, observando características como olhos brilhantes, guelras avermelhadas, cheiro suave e carne firme.

Diversidade de pescados garantiu opções para diferentes bolsos em Umuarama

Entre fé, costume e adaptações, o cenário visto em Umuarama mostra que a tradição segue viva, ainda que com novos significados.

Para muitos, mais do que uma obrigação religiosa, o momento se transforma em oportunidade de reunir a família, manter hábitos antigos e criar novas memórias ao redor da mesa.

No fim das contas, seja pelo hábito religioso, pelo sabor ou pela convivência familiar, o peixe continua sendo presença garantida nesta época do ano.

Mesmo com mudanças no comportamento de consumo e nas escolhas do cardápio, o ritual da Sexta-Feira Santa resiste ao tempo e segue conectando gerações em torno de um mesmo costume.

Tradição da Sexta-Feira Santa mantém procura por peixe e movimenta mercados em Umuarama
Rudson de Souza

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