Exoneração de servidor, transferência de presos e manifestações pendentes marcam desdobramentos da Operação Aliança (Foto MPPR)
A prisão de policiais militares na Operação Aliança, deflagrada pelo Gaeco na quarta-feira (25), teve reflexos imediatos na administração pública de Umuarama. Além disso, os advogados que atuam na defesa dos investigados seguem se mobilizando. Os cinco detidos são suspeitos de integrar um esquema de contrabando e descaminho.
O policial militar da reserva Clemente Galvão de Almeida, que atuava como assessor especial na Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana (Sestram), foi exonerado no mesmo dia. Ele ocupava o cargo com remuneração de R$ 6.183,76.
Os cinco policiais presos preventivamente durante a ação foram escoltados e transferidos, ainda na quarta-feira, para a região metropolitana de Curitiba, onde permanecem à disposição da Justiça.
A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e investiga a participação de agentes em um esquema de contrabando e descaminho com atuação em Umuarama e região.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, além de outras medidas judiciais nas cidades de Umuarama, Iporã e Icaraíma.
Os presos são os policiais militares da ativa Tiago Franchestti Bellio, Dário Fernando Corrêa (preso em Icaraíma) e Everton de Olivera Souza, que também foram afastados das funções, além dos inativos Geneci da Silva Laje (preso em Iporã) e Clemente Galvão de Almeida. Everton já havia sido alvo de outra investigação em 2021.
Segundo o Gaeco, o grupo seria responsável por dar suporte à entrada irregular de mercadorias no país, principalmente celulares e cigarros eletrônicos, em grande volume. A suspeita é de que o esquema estivesse em funcionamento há pelo menos três anos.
As investigações apontam que os policiais exerciam diferentes funções, como transporte de cargas, atuação como “batedores” e suporte logístico. Também teriam repassado informações sensíveis, como dados sobre operações policiais e escalas de serviço, para facilitar as atividades ilícitas.
A logística identificada envolvia o transporte de mercadorias da região de fronteira em veículos menores até Umuarama. Em seguida, os produtos eram transferidos para caminhões e distribuídos para diversas regiões do Paraná e outros estados.
Durante o cumprimento dos mandados, foram realizadas buscas em unidades policiais, como a 4ª Companhia do Batalhão de Polícia de Fronteira e o 25º BPM, além de um restaurante e uma sala na Sestram.
Uma pessoa foi presa em flagrante por obstrução de Justiça. Também foram apreendidos celulares, documentos, anotações, armamentos, fardamentos e equipamentos operacionais.
SAIBA MAIS: Operação Aliança: confira quem são os policiais presos pelo Gaeco em Umuarama
Em nota, a Prefeitura de Umuarama afirmou que não foi alvo da investigação e que as diligências realizadas em dependências da Defesa Civil tiveram caráter pontual, com o objetivo de localizar documentos pessoais do agora ex-servidor Clemente Galvão.
O município informou ainda que acompanha o caso, mas que não possui outras informações devido ao sigilo das investigações.
O valor movimentado pelo grupo é considerado expressivo, mas não foi divulgado. O material apreendido será analisado e pode gerar novos desdobramentos. O caso segue sob sigilo, e não está descartado o envolvimento de outras pessoas.
Em coletiva, o tenente-coronel Claudio Longo afirmou que a Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e que serão instaurados procedimentos administrativos para apurar a permanência dos envolvidos na corporação.
Grande parte das defesas dos investigados informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo, que tramitam sob sigilo, e que aguarda a liberação das informações para realizar uma análise detalhada do conteúdo antes de qualquer posicionamento público.
Segundo os advogados, somente após o conhecimento completo das acusações, provas reunidas e decisões judiciais será possível apresentar manifestações mais consistentes ou adotar medidas jurídicas cabíveis em favor dos clientes.
OBemdito manteve contato com o escritório do advogado Ronaldo Camilo, que atua na defesa de Clemente Galvão de Almeida. O advogado informou que já se manifestou no processo, que segue em sigilo. Ele pediu a visibilidade dos autos e também a liberdade provisória do cliente e agora aguarda a decisão da Justiça.
O advogado Erick Costa está atuando na defesa de Dário Fernando Corrêa. OBemdito entrou em contato e o advogado informou que não vai se manifestar neste momento, pois ainda não teve acesso ao processo.
A advogada Keity Accadrolli está representando Everton de Olivera Souza. Em contato com OBemdito, ela disse que já se habilitou ao caso, mas que os autos ainda seguem em sigilo. Por isso, irá se manifestar posteriormente.
Tiago Franceschetti Bellio é representado pelo advogado Eduardo Miléo. O OBemdito entrou em contato com o escritório, e o defensor informou que ainda não teve acesso aos autos do processo e, por isso, não pode se manifestar no momento.
O OBemdito entrou em contato com a defesa de Geneci da Silva Lage, representado pela advogada Laura Palma, e a bacharela se pronunciou em nota, que segue abaixo:
“A defesa vem, por meio desta nota, esclarecer que o cliente é pessoa absolutamente inocente das imputações que lhe são dirigidas no presente processo.
Ressalta-se que o acusado não possui qualquer vínculo, relação ou conhecimento acerca dos demais réus envolvidos na ação, sendo indevida qualquer tentativa de associação entre eles.
Trata-se de cidadão que reside no município de Iporã há mais de 32 anos, onde sempre manteve conduta ilibada, sendo amplamente reconhecido por sua idoneidade moral e social. Nunca se envolveu em qualquer atividade ilícita ao longo de sua vida.
Além disso, é casado e policial aposentado há 23 anos, tendo dedicado sua trajetória profissional ao cumprimento da lei e à proteção da sociedade, circunstâncias que reforçam ainda mais sua integridade e respeito às normas jurídicas.
Diante disso, a defesa confia plenamente no reconhecimento de sua inocência ao final da instrução processual.
Equipe Palma Advogados associados, Geneci é assistido pelos advogados Laura Marques Palma e Levi Palma”
(Com imagens do MPPR/Gaeco)
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